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2000136-68.2025.9.13.0000

Representacao P Perda Da GraduacaoAssédio SexualCrimes contra a Dignidade SexualDIREITO PENAL
TJMMG2° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
24/06/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Orgao julgador
Gab. Desembargador Rúbio Paulino Coelho
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Remetidos ao arquivo

01/10/2025, 14:53

60 - Expedição de/80 - Outros Documentos

01/10/2025, 14:53

60 - Expedição de/80 - Outros Documentos

01/10/2025, 14:49

581 - Juntada de/79 - Ofício

01/10/2025, 14:39

Remessa Interna - GAB2 -> GABPRESID

01/10/2025, 14:26

60 - Expedição de/107 - Certidão

01/10/2025, 13:35

848 - Transitado em Julgado Defesa em - Data: 30/09/2025

01/10/2025, 13:34

848 - Transitado em Julgado MP em - Data: 26/09/2025

01/10/2025, 13:33

1051 - Decorrido prazo - Refer. ao Evento: 38

01/10/2025, 01:35

Publicado no DJEN - no dia 15/09/2025 - Refer. ao Evento: 38

15/09/2025, 02:35

Disponibilizado no DJEN - no dia 12/09/2025 - Refer. ao Evento: 38

12/09/2025, 02:10

Publicacao/Comunicacao Intimação - despacho DESPACHO Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Representa&ccedil;&atilde;o p/ Perda da Gradua&ccedil;&atilde;o (Pleno) N&ordm; 2000136-68.2025.9.13.0000/MG</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador RUBIO PAULINO COELHO</td></tr><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: RONALDO WALDECIR BORGES</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JOSE FRANCISCO PEREIRA (OAB MG195434)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JOAO CARLOS BOAVENTURA (OAB MG195986)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O PARA PERDA DA GRADUA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; ASS&Eacute;DIO SEXUAL &ndash; MILITAR CONDENADO A PENA SUPERIOR A DOIS ANOS &ndash; GRAVIDADE DAS CONDUTAS &ndash; INCOMPATIBILIDADE COM A FUN&Ccedil;&Atilde;O MILITAR &ndash; REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O JULGADA PROCEDENTE.</strong></p> <p>- A perda da gradua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o decorre automaticamente da condena&ccedil;&atilde;o penal, mas exige a an&aacute;lise da incompatibilidade da perman&ecirc;ncia do militar na corpora&ccedil;&atilde;o, &agrave; luz da gravidade da conduta praticada e de seus reflexos institucionais.</p> <p>- A pr&aacute;tica reiterada de ass&eacute;dio sexual por militar, ainda que sem subordina&ccedil;&atilde;o direta, configura viola&ccedil;&atilde;o grave &agrave; &eacute;tica e ao decoro da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p> <p>- A exist&ecirc;ncia de ficha funcional positiva n&atilde;o impede a decreta&ccedil;&atilde;o da perda da gradua&ccedil;&atilde;o quando os atos praticados comprometem a honra da v&iacute;tima e a imagem da institui&ccedil;&atilde;o militar.</p> <p>- Proced&ecirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o, nos termos do artigo 125, &sect; 4&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, para decretar a perda da gradua&ccedil;&atilde;o do representado e a exclus&atilde;o das fileiras do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais.</p></section> <section> <p align="center">AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> </section> <section> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores do Tribunal Pleno, por unanimidade, em <strong>dar provimento &agrave; representa&ccedil;&atilde;o ministerial,</strong> para decretar a perda da gradua&ccedil;&atilde;o do 2&ordm; Sargento BM QPR <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> dos quadros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, nos termos do artigo 102 do C&oacute;digo Penal Militar.<strong> </strong></p> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p>Consta nos autos que, no dia 06/01/2024, nas depend&ecirc;ncias do Hospital da Pol&iacute;cia Militar em Belo Horizonte, o 2&ordm; Sargento BM QPR <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> constrangeu Marina de Jesus Mesquita, com o intuito de obter favorecimento sexual.</p> <p>Na data mencionada, Marina de Jesus Mesquita, funcion&aacute;ria da empresa RCA Multiservi&ccedil;os, substituindo a funcion&aacute;ria Carolina Santos Carmo, realizava a limpeza dos consult&oacute;rios, quando o representado chegou ao local e se colocou &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dela.</p> <p>Algum tempo depois, o Sargento Ronaldo solicitou que Marina o acompanhasse at&eacute; a cozinha para lhe mostrar o que deveria ser limpo, contudo, encontrando-se ainda no consult&oacute;rio, agarrou-a pela cintura, dizendo para n&atilde;o se assustar, porque, caso ela se sentisse mal, ele a socorreria, completando: &ldquo;N&atilde;o vai dizer que n&atilde;o quer ser socorrida por mim?&rdquo;. A v&iacute;tima se esquivou, respondeu &ldquo;de jeito nenhum&rdquo; e se dirigiu at&eacute; a copa, onde passou a aguardar que o representado apontasse o local que necessitava de limpeza.</p> <p>N&atilde;o satisfeito, o Sargento BM Ronaldo questionou Marina sobre quantas tatuagens ela possu&iacute;a, inclusive se havia alguma &ldquo;escondida&rdquo;, ocasi&atilde;o em que ela respondeu que tinha uma perto da cintura. Em seguida, Marina entrou em um dos consult&oacute;rios para dar continuidade ao seu servi&ccedil;o, quando, ent&atilde;o, acionando e desligando o interruptor de luz continuamente, o representado perguntou se ela &ldquo;preferia de luz acesa ou apagada&rdquo;, bem como lhe pediu, de forma insistente, que abaixasse a cal&ccedil;a para mostrar a tatuagem, o que obviamente foi negado pela ofendida.</p> <p>Consta, tamb&eacute;m, nos autos, que fato semelhante j&aacute; havia ocorrido com Carolina, que, assim como Marina, foi assediada pelo Sargento BM Ronaldo, que, aproveitando-se do fato de estarem sozinhos na Se&ccedil;&atilde;o de Fisioterapia do Hospital da Pol&iacute;cia Militar, surpreendeu-a ao tocar-lhe os seios e as n&aacute;degas, conduzindo, em seguida, a m&atilde;o de Carolina at&eacute; o seu &oacute;rg&atilde;o genital. Ap&oacute;s ela conseguir fugir aos prantos do recinto, o Sargento Ronaldo lhe ordenou que n&atilde;o desse publicidade aos atos praticados por ele.</p> <p>Posteriormente, o representado conseguiu o n&uacute;mero do telefone celular de Carolina e enviou mensagem, atrav&eacute;s do aplicativo WhatsApp, pedindo-lhe uma foto, o que foi prontamente negado.</p> <p>Em outras duas oportunidades, o representado teria &ldquo;batido&rdquo; nas n&aacute;degas de Carolina, que, contudo, n&atilde;o noticiou o fato &agrave; autoridade competente por medo de que o Sargento BM Ronaldo atentasse contra a vida dela.</p> <p>N&atilde;o suportando mais o ass&eacute;dio, ao retornar de f&eacute;rias, ela resolveu se desligar da empresa respons&aacute;vel pela presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os no Hospital da PMMG, alegando motivos pessoais.</p> <p>Por esses fatos, o representado foi denunciado e regularmente processado perante o ju&iacute;zo da 3&ordf; Auditoria de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais (3&ordf; AJME), no processo n. 2000277-15.2024.9.13.0003, que culminou com a sua condena&ccedil;&atilde;o em primeira inst&acirc;ncia, &agrave; pena de 3 (tr&ecirc;s) anos de deten&ccedil;&atilde;o, em regime aberto, como incurso nas san&ccedil;&otilde;es do artigo 216-A (por duas vezes) do C&oacute;digo Penal, combinado com os artigos 70, inciso II, al&iacute;neas &ldquo;g&rdquo; e 79, ambos do C&oacute;digo Penal Militar. A senten&ccedil;a, proferida em 02/03/2025, transitou em julgado no dia 17/03/2025, para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, e, em 04/04/2025, para a defesa (evento 1 &ndash; OUT5).</p> <p>Diante da condena&ccedil;&atilde;o criminal imposta com pena superior a dois anos, a eminente procuradora de justi&ccedil;a ofertou a presente representa&ccedil;&atilde;o, dizendo que a perda da gradua&ccedil;&atilde;o se justifica, no caso concreto, pelas circunst&acirc;ncias, pela gravidade e pela repercuss&atilde;o do crime na sociedade local, o que, sem d&uacute;vida, tornou inapropriada a perman&ecirc;ncia do representado nas fileiras do CBMMG. Com isso, requereu o regular processamento desta representa&ccedil;&atilde;o, para que seja julgada procedente, com vistas &agrave; exclus&atilde;o do 2&ordm; Sargento BM QOR <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> das fileiras do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, nos termos do artigo 102 do C&oacute;digo Penal Militar (CPM).</p> <p>Em despacho no evento 5, foi determinada a cita&ccedil;&atilde;o do representado, para que constitu&iacute;sse advogado ou comunicasse a impossibilidade de faz&ecirc;-lo a este Tribunal, a fim de que lhe fosse indicado um defensor p&uacute;blico para patrocinar a sua defesa.</p> <p>No mesmo despacho, solicitou-se a remessa a este Tribunal do Extrato de Registros Funcionais (ERF) do representado, a fim de instruir o julgamento do processo.</p> <p>Ap&oacute;s, abriu-se &ldquo;vista&rdquo; dos autos ao defensor, pelo prazo de 10 (dez) dias, para apresenta&ccedil;&atilde;o de defesa escrita.</p> <p>O ERF do representado foi anexado no evento 9, o qual, em s&iacute;ntese, apresenta os seguintes lan&ccedil;amentos:</p> <p>Data de nascimento: 22/03/1965</p> <p>Inclus&atilde;o no CBMMG: 03/08/1987</p> <p>Situa&ccedil;&atilde;o funcional: Veterano do 2&ordm; BBM</p> <p>Elogio........................................................... 05 (cinco)</p> <p>Notas Merit&oacute;rias........................................... 04 (quatro)</p> <p>Dispensa de servi&ccedil;o..................................... 04 (quatro)</p> <p>Men&ccedil;&atilde;o Elogiosa Escrita.............................. 03 (tr&ecirc;s)</p> <p>M&eacute;rito Militar Grau Ouro............................... 13/2016</p> <p>M&eacute;rito Militar Grau Prata............................... 21/2011</p> <p>M&eacute;rito Militar Grau Bronze............................ 48/2009</p> <p> Conceito.................................................... A +0050</p> <p>A defesa do representado <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> apresentou defesa escrita.</p> <p>Em suas raz&otilde;es recursais, alega que a perda da gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; uma san&ccedil;&atilde;o de natureza extrema, de consequ&ecirc;ncias dr&aacute;sticas e irrevers&iacute;veis para o militar, e que, por isso, sua aplica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ocorrer de forma autom&aacute;tica, ainda que haja condena&ccedil;&atilde;o criminal com pena superior a dois anos.</p> <p>Declara que o processo de perda de gradua&ccedil;&atilde;o visa avaliar a conveni&ecirc;ncia da perman&ecirc;ncia do militar nos quadros da corpora&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o revisar o m&eacute;rito da condena&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Nesse sentido, ressalta que, embora condenado a tr&ecirc;s anos de deten&ccedil;&atilde;o pela pr&aacute;tica de dois crimes de ass&eacute;dio sexual, o representado possui mais de trinta anos de servi&ccedil;os prestados &agrave; Corpora&ccedil;&atilde;o, com ficha funcional irrepreens&iacute;vel e hist&oacute;rico de conduta ilibada, tendo atuado de forma destacada em diversas a&ccedil;&otilde;es de salvamento e socorro &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mineira.</p> <p>A defesa sustenta que a condena&ccedil;&atilde;o se baseou exclusivamente nos depoimentos das v&iacute;timas, sem elementos objetivos ou testemunhas presenciais que confirmassem a vers&atilde;o acusat&oacute;ria.</p> <p>Alega que a senten&ccedil;a supervalorizou a palavra das ofendidas e que tal pr&aacute;tica pode gerar injusti&ccedil;as, conforme doutrina citada de Aury Lopes J&uacute;nior.</p> <p>Disse que a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia n&atilde;o deve ser flexibilizada conforme a natureza do crime.</p> <p>Afirma que o representado n&atilde;o teve inten&ccedil;&atilde;o de assediar, de constranger ou de ofender nenhuma das v&iacute;timas, que possivelmente houve uma interpreta&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea por parte das ofendidas.</p> <p>Disse que as ofendidas, por estarem em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social e econ&ocirc;mica e terem hist&oacute;rico de viol&ecirc;ncia sexual, podem ter suas percep&ccedil;&otilde;es e relatos influenciados por traumas passados. Afirma que a manifesta&ccedil;&atilde;o emocional das v&iacute;timas, embora compreens&iacute;vel, n&atilde;o pode ser o &uacute;nico crit&eacute;rio para a forma&ccedil;&atilde;o da convic&ccedil;&atilde;o judicial. O choro, o nervosismo e os arranh&otilde;es descritos pelas testemunhas, embora demonstrem abalo emocional, n&atilde;o atestam, por si s&oacute;, a veracidade dos fatos narrados.</p> <p>Segundo a defesa, &eacute; necess&aacute;rio que as declara&ccedil;&otilde;es das v&iacute;timas sejam corroboradas por um conjunto probat&oacute;rio robusto, o que n&atilde;o ocorreu.</p> <p>Outrossim, declara que a pr&aacute;tica de constrangimento ilegal qualificado pelo intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, exigido para a tipifica&ccedil;&atilde;o do crime de ass&eacute;dio sexual (art. 216-A do CP), n&atilde;o foi devidamente comprovada, uma vez que n&atilde;o houve superioridade hier&aacute;rquica direta do representado sobre as v&iacute;timas, que eram servidoras terceirizadas sem v&iacute;nculo de subordina&ccedil;&atilde;o ao militar.</p> <p>Afirma que as condutas descritas pela v&iacute;tima Marina, embora eventualmente impr&oacute;prias, n&atilde;o configuram ass&eacute;dio sexual, pois n&atilde;o foram praticadas com efetivo uso de poder ou coa&ccedil;&atilde;o, tampouco impedindo a rea&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas.</p> <p>Quanto ao concurso de crimes, requer, alternativamente, o reconhecimento da continuidade delitiva, conforme o art. 71 do C&oacute;digo Penal Militar, considerando a similaridade de <em>modus operandi</em> e o contexto das condutas.</p> <p>Ademais, alega que a administra&ccedil;&atilde;o militar n&atilde;o submeteu o representado a nenhum procedimento administrativo; e, ainda, que o representado possui uma ficha funcional exemplar, o que refor&ccedil;a o car&aacute;ter isolado do fato e a sua aptid&atilde;o para permanecer na corpora&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Disse que a reprimenda penal tem sido considerada por esta e. Corte suficiente para impedir a reincid&ecirc;ncia, especialmente quando aliada a hist&oacute;rico funcional positivo, como o do representado.</p> <p>Para corroborar o esposado, colacionou decis&otilde;es deste e. TJMMG em que foram julgadas improcedentes as representa&ccedil;&otilde;es para perda de gradua&ccedil;&atilde;o mesmo diante de crimes graves (estelionato, homic&iacute;dio, peculato), sob o fundamento de fato isolado, conduta funcional exemplar e sufici&ecirc;ncia da san&ccedil;&atilde;o penal.</p> <p>Segundo a defesa, o representado possui em seu extrato de registros funcionais dezenas de elogios, notas merit&oacute;rias, dispensas do servi&ccedil;o, men&ccedil;&otilde;es elogiosas e medalhas de m&eacute;rito (bronze, prata e ouro).</p> <p>Disse que o representado obteve nota 10 (dez) em todas as AADPs (Avalia&ccedil;&otilde;es Anuais de Desempenho e Produtividade) e est&aacute; no conceito A +50.</p> <p>Afirma que v&aacute;rios oficias superiores e colegas de servi&ccedil;o atestaram o profissionalismo do representado, sua conduta social e funcional ilibadas e a sua personalidade n&atilde;o voltada para a criminalidade.</p> <p>Por fim, declara que o fato n&atilde;o afetou a imagem do CBMMG ou teve repercuss&atilde;o negativa na sociedade, sendo certo que consiste em um fato isolado, tendo a reprimenda imposta na esfera penal se mostrado suficiente e proporcional para alcan&ccedil;ar o seu car&aacute;ter repressor e educativo.</p> <p>Com tais considera&ccedil;&otilde;es, pugna pela improced&ecirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o, a fim de manter o representado nas fileiras da CBMMG.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.</p> <p> </p> <p><strong>VOTOS</strong></p> <p><strong>DESEMBARGADOR R&Uacute;BIO PAULINO COELHO, RELATOR</strong></p> <p>Trata-se de representa&ccedil;&atilde;o para perda da gradua&ccedil;&atilde;o proposta pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais, com fundamento no artigo 125, &sect; 4&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, no artigo 102 do C&oacute;digo Penal Militar e no artigo 111 da Constitui&ccedil;&atilde;o do Estado de Minas Gerais, em face do 2&ordm; Sargento BM <span>Ronaldo Waldecir Borges</span>, visando &agrave; decreta&ccedil;&atilde;o da perda de sua gradua&ccedil;&atilde;o, em raz&atilde;o de ter sido condenado &agrave; pena de 3 (tr&ecirc;s) anos de deten&ccedil;&atilde;o pela pr&aacute;tica de dois crimes de ass&eacute;dio sexual (art. 216-A do CP, c/c os arts. 70, II, &ldquo;g&rdquo; e 79 do CPM).</p> <p>Pois bem. A materialidade e a autoria foram devidamente comprovadas nos autos do processo n. 20000277-15.2024.9.13.0003, que resultou na condena&ccedil;&atilde;o do representado, sendo incontroverso que os fatos ocorreram nas depend&ecirc;ncias do Hospital da Policia Militar e envolveram duas funcion&aacute;rias terceirizadas, em contextos distintos, mas com similar <em>modus operandi</em>. O representado valeu-se de sua posi&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica e da vulnerabilidade das v&iacute;timas para constrang&ecirc;-las com o intuito de obter favorecimento sexual.</p> <p>A defesa, em sua manifesta&ccedil;&atilde;o, busca afastar a medida punitiva sob o argumento de que a condena&ccedil;&atilde;o se baseou exclusivamente nas palavras das v&iacute;timas, sem prova material, e que os fatos seriam isolados frente &agrave; carreira de servi&ccedil;os prestados pelo representado. Alega, ainda, a aus&ecirc;ncia de superioridade hier&aacute;rquica direta sobre as v&iacute;timas, al&eacute;m de ressaltar seus registros funcionais e a inexist&ecirc;ncia de processos administrativos.</p> <p>Todavia, tais argumentos n&atilde;o merecem prosperar. Embora a perda da gradua&ccedil;&atilde;o militar n&atilde;o decorra automaticamente da condena&ccedil;&atilde;o penal, &eacute; inequ&iacute;voco que a perman&ecirc;ncia do representado nas fileiras do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais se tornou incompat&iacute;vel com os valores da &eacute;tica, disciplina e respeito que devem reger a conduta militar.</p> <p>As circunst&acirc;ncias dos fatos s&atilde;o graves. O representado utilizou-se de sua posi&ccedil;&atilde;o institucional em um ambiente militar, onde deveria zelar pela seguran&ccedil;a e respeito &agrave;s normas, para importunar sexualmente duas servidoras terceirizadas, em atos reiterados, invasivos e de forte carga de humilha&ccedil;&atilde;o &agrave;s ofendidas, que chegaram a abandonar seus postos de trabalho por medo e vergonha.</p> <p>A senten&ccedil;a condenat&oacute;ria &eacute; clara ao reconhecer a pr&aacute;tica de constrangimento com conota&ccedil;&atilde;o sexual em ambiente hierarquizado, onde a ascend&ecirc;ncia militar se imp&ocirc;s n&atilde;o apenas pela gradua&ccedil;&atilde;o, mas pela sua condi&ccedil;&atilde;o dentro da estrutura da caserna. Ficou demonstrado que as v&iacute;timas, por temor, silenciaram os fatos, sendo necess&aacute;ria a reitera&ccedil;&atilde;o da conduta criminosa para que se sentissem encorajadas a denunciar.</p> <p>O bom registro funcional do representado, ainda que relevante, n&atilde;o pode sobrepor-se &agrave; gravidade dos crimes praticados, os quais atentam frontalmente a honra, a dignidade e a integridade das v&iacute;timas, al&eacute;m de comprometer a imagem da Corpora&ccedil;&atilde;o perante a sociedade. A disciplina e a confian&ccedil;a institucional que se espera de um militar s&atilde;o incompat&iacute;veis com as condutas ora analisadas.</p> <p>A jurisprud&ecirc;ncia desta e. Corte castrense &eacute; pac&iacute;fica ao reconhecer que, embora a medida de perda da gradua&ccedil;&atilde;o deva ser analisada com cautela, deve ser aplicada sempre que a perman&ecirc;ncia do militar nos quadros da institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o mais se mostrar admiss&iacute;vel, como ocorre no presente caso.</p> <p>O objetivo principal deste processo origin&aacute;rio &eacute; verificar se as condutas praticadas comprometem ou inviabilizam a perman&ecirc;ncia do representado no Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais.</p> <p>N&atilde;o tenho d&uacute;vida de que os fatos foram graves, ofensivos &agrave; honra pessoal e ao decoro da classe, causaram esc&acirc;ndalo e comprometeram seriamente a imagem e a credibilidade da institui&ccedil;&atilde;o &agrave; qual o representado pertence, desqualificando-o e incompatibilizando-o para a perman&ecirc;ncia nas fileiras da corpora&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Nesses termos, <strong><u>dou provimento &agrave; representa&ccedil;&atilde;o ministerial,</u></strong> para decretar a perda da gradua&ccedil;&atilde;o do 2&ordm; Sargento BM <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> dos quadros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, nos termos do artigo 102 do C&oacute;digo Penal Militar.<strong> </strong></p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR JADIR SILVA, REVISOR</strong></p> <p>Acompanho o voto do eminente desembargador relator.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO ARMANDO RIBEIRO</strong></p> <p>Acompanho raz&otilde;es e voto do e. desembargador relator. </p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR JAMES FERREIRA SANTOS</strong></p> <p>Acompanho raz&otilde;es e voto do eminente relator.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO GALV&Atilde;O DA ROCHA</strong></p> <p>Srs. Desembargadores. Na oportunidade, acompanho as raz&otilde;es e o voto proferido pelo eminente relator, para, igualmente, julgar procedente a presente representa&ccedil;&atilde;o ministerial, para decretar a perda da gradua&ccedil;&atilde;o do 2&ordm; Sargento BM <span>Ronaldo Waldecir Borges</span> dos quadros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, nos termos do art. 102 do C&oacute;digo Penal Militar.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR S&Oacute;CRATES EDGARD DOS ANJOS</strong></p> <p>Acompanho, pelos mesmos fundamentos, o voto do eminente desembargador relator, que deu provimento &agrave; representa&ccedil;&atilde;o ministerial.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR OSMAR DUARTE MARCELINO</strong></p> <p>Acompanho integralmente as raz&otilde;es e o voto do e. desembargador relator, para, igualmente, julgar procedente a presente representa&ccedil;&atilde;o e decretar a perda da gradua&ccedil;&atilde;o do representado.</p> <p> </p> <p><strong>Belo Horizonte, sess&atilde;o ordin&aacute;ria presencial de julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais, aos 03 de setembro de 2025.</strong></p> <p> </p> <p><strong>Desembargador R&uacute;bio Paulino Coelho</strong></p> <p><strong>Relator</strong></p> <p> </p> <p> </p></section> <section> <p>Belo Horizonte, 03 de setembro de 2025.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

12/09/2025, 00:00

12266 - Confirmada a intimação eletrônica - Refer. ao Evento: 39

11/09/2025, 16:11

PETIÇÃO PROTOCOLADA JUNTADA - Refer. ao Evento: 39

11/09/2025, 16:11

12265 - Expedida/certificada a intimação eletrônica

11/09/2025, 13:59
Documentos
ACÓRDÃO
11/09/2025, 13:40
EXTRATO DE ATA
03/09/2025, 15:08
ATO ORDINATÓRIO
13/08/2025, 11:25
DESPACHO
29/07/2025, 14:47
RELATÓRIO
25/07/2025, 15:35
ATO ORDINATÓRIO
04/07/2025, 18:00
MANDADO
25/06/2025, 15:28
DESPACHO
25/06/2025, 13:47
OUTRAS PEÇAS
24/06/2025, 16:12