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2000238-90.2025.9.13.0000

Revisao CriminalEstelionatoEstelionato e outras fraudesCrimes contra o PatrimônioDIREITO PENAL MILITAR
TJMMG2° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
30/09/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Orgao julgador
Gab. Desembargador Fernando José Armando Ribeiro
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Publicacao/Comunicacao Intimação Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Revis&atilde;o Criminal (Pleno) N&ordm; 2000238-90.2025.9.13.0000/</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador FERNANDO JOS&Eacute; ARMANDO RIBEIRO</td></tr><tr><td>REQUERENTE</td><td>: LINEKER FERNANDES EUGENIO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: DECIO NUNES DE QUEIROZ FILHO (OAB MG087336)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ANDRE LUIZ PEREIRA GOMES DE AZEVEDO (OAB MG144466)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>REVIS&Atilde;O CRIMINAL &ndash; ESTELIONATO (ART. 251 DO C&Oacute;DIGO PENAL MILITAR) &ndash; ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE PROVA NOVA &ndash; SENTEN&Ccedil;A ABSOLUT&Oacute;RIA SUPERVENIENTE PROFERIDA EM OUTRO PROCESSO &ndash; INEXIST&Ecirc;NCIA DE PERTIN&Ecirc;NCIA CAUSAL &ndash; IMPOSSIBILIDADE DE REVIS&Atilde;O COM BASE EM ELEMENTOS REFERENTES A FATOS DISTINTOS &ndash; LAUDO PSIQUI&Aacute;TRICO PRODUZIDO EM FEITO DISTINTO E REFERENTE A MOMENTO POSTERIOR &ndash; IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZA&Ccedil;&Atilde;O PARA FINS DE RECONHECIMENTO DE INIMPUTABILIDADE OU SEMI-IMPUTABILIDADE &ndash; MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS POR DEPOIMENTOS COERENTES DAS V&Iacute;TIMAS E DOCUMENTA&Ccedil;&Atilde;O BANC&Aacute;RIA &ndash; DEPEND&Ecirc;NCIA EM JOGOS DE APOSTA &ndash; INEXIST&Ecirc;NCIA DE SEMI-IMPUTABILIDADE &ndash; AUS&Ecirc;NCIA DE D&Uacute;VIDA SOBRE A CAPACIDADE DE COMPREENS&Atilde;O DA ILICITUDE &ndash; TESES DEFENSIVAS EXAUSTIVAMENTE ANALISADAS E REJEITADAS NA SENTEN&Ccedil;A E NO AC&Oacute;RD&Atilde;O &ndash; INOCORR&Ecirc;NCIA DAS HIP&Oacute;TESES DO ART. 551 DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO PENAL MILITAR (CPPM) &ndash; PEDIDO REVISIONAL IMPROCEDENTE.</strong></p> <p>- A revis&atilde;o criminal exige demonstra&ccedil;&atilde;o de que a condena&ccedil;&atilde;o &eacute; contr&aacute;ria &agrave; evid&ecirc;ncia dos autos, fundada em prova falsa ou infirmada por prova nova apta a invalid&aacute;-la ou autorizar a redu&ccedil;&atilde;o da pena (art. 551 do CPPM).</p> <p>- Senten&ccedil;a absolut&oacute;ria proferida em outro processo, referente a fatos diversos e cronologicamente posteriores, n&atilde;o configura prova nova, por carecer de pertin&ecirc;ncia causal com a condena&ccedil;&atilde;o questionada.</p> <p>- Laudo de insanidade mental elaborado em outro processo, relativo a fatos posteriores e sem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com o delito objeto da condena&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o atende &agrave;s exig&ecirc;ncias de contemporaneidade nem de especificidade, sendo invi&aacute;vel sua utiliza&ccedil;&atilde;o para reconhecimento de inimputabilidade, semi-imputabilidade ou revis&atilde;o da pena.</p> <p>- Materialidade e autoria comprovadas pelos depoimentos convergentes das v&iacute;timas e pelos comprovantes de transfer&ecirc;ncias banc&aacute;rias que demonstram a obten&ccedil;&atilde;o de vantagem il&iacute;cita mediante fraude.</p> <p>- A alegada depend&ecirc;ncia patol&oacute;gica em jogos n&atilde;o comprometeu a capacidade de entendimento ou de autodetermina&ccedil;&atilde;o do requerente, conforme pareceres m&eacute;dicos e circunst&acirc;ncias f&aacute;ticas, estando, portanto, devidamente fundamentado o n&atilde;o reconhecimento da semi-imputabilidade.</p> <p>- Teses de absolvi&ccedil;&atilde;o e de redu&ccedil;&atilde;o da reprimenda j&aacute; examinadas e rejeitadas na senten&ccedil;a e no julgamento da apela&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havendo fragilidade probat&oacute;ria capaz de desconstituir a coisa julgada penal.</p> <p>- Revis&atilde;o criminal improcedente.</p> <p> </p></section> <section> <p align="center">AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> </section> <section> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores do Tribunal Pleno, por unanimidade, em julgar improcedente a revis&atilde;o criminal.</p> <p> </p> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p>Trata-se de revis&atilde;o criminal proposta por Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio na qual este pugna, com fulcro no art. 551, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;, do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM), pela revis&atilde;o da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria proferida nos Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003, a qual o condenou, pela pr&aacute;tica do delito previsto no art. 251 (estelionato) do C&oacute;digo Penal Militar (CPM), &agrave; pena de 3 (tr&ecirc;s) anos e 4 (quatro) meses de reclus&atilde;o, em regime inicial aberto (Evento 1 &ndash; COMP4 &ndash; fls. 120/124 e 203/223).</p> <p>A defesa do requerente sustenta que a condena&ccedil;&atilde;o, j&aacute; transitada em julgado, decorreu de um contexto probat&oacute;rio fr&aacute;gil, apoiado exclusivamente em depoimentos orais, sem respaldo documental ou pericial que comprovasse a materialidade dos empr&eacute;stimos ou a exist&ecirc;ncia das cartas de cr&eacute;dito mencionadas pela acusa&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Aduz que sobreveio prova nova, consubstanciada em senten&ccedil;a absolut&oacute;ria proferida, em 2025, pela 4&ordf; Auditoria da Justi&ccedil;a Militar Estadual, nos Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004, referente a fatos an&aacute;logos e de id&ecirc;ntico <em>modus operandi</em>. Assevera que, naquela oportunidade, a magistrada reconheceu a aus&ecirc;ncia de dolo, as contradi&ccedil;&otilde;es constantes nos depoimentos das supostas v&iacute;timas, a inexist&ecirc;ncia de documentos comprobat&oacute;rios e, aplicando o princ&iacute;pio do <em>in dubio pro reo</em>, absolveu o acusado com fundamento no art. 439, &ldquo;b&rdquo;, do CPPM.</p> <p>Ressalta, ainda, que a instru&ccedil;&atilde;o processual no feito absolut&oacute;rio revelou que o requerente &eacute; portador de transtorno do jogo patol&oacute;gico (Ludopatia, CID F63.0), circunst&acirc;ncia que comprometeria sua plena capacidade de autodetermina&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;poca dos fatos. Afirma que tal condi&ccedil;&atilde;o imporia, ao menos, o reconhecimento da semi-imputabilidade, nos termos do art. 26, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Penal, com a consequente redu&ccedil;&atilde;o da pena em 2/3 (dois ter&ccedil;os), ou a sua substitui&ccedil;&atilde;o por tratamento ambulatorial, nos moldes do art. 113 do CPM.</p> <p>Alega que a senten&ccedil;a absolut&oacute;ria de 2025 constitui prova nova superveniente, posterior ao tr&acirc;nsito em julgado da condena&ccedil;&atilde;o de 2021, diretamente relacionada aos mesmos fatos e capaz de infirmar os fundamentos da decis&atilde;o condenat&oacute;ria, atraindo a incid&ecirc;ncia dos arts. 550 e 551, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;, ambos do CPPM, e 621, III, do C&oacute;digo de Processo Penal. Sustenta que a manuten&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o representa erro judici&aacute;rio, em afronta aos princ&iacute;pios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da ampla defesa e do devido processo legal.</p> <p>Requer, em car&aacute;ter liminar, a suspens&atilde;o imediata dos efeitos da condena&ccedil;&atilde;o at&eacute; o julgamento da presente revis&atilde;o criminal, alegando a presen&ccedil;a dos requisitos do <em>fumus boni iuris</em> e do <em>periculum in mora</em>, diante dos preju&iacute;zos irrevers&iacute;veis que a execu&ccedil;&atilde;o da pena e os efeitos secund&aacute;rios da condena&ccedil;&atilde;o poderiam acarretar.</p> <p>No m&eacute;rito, pleiteia a proced&ecirc;ncia da revis&atilde;o criminal, para que seja desconstitu&iacute;da a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria e proclamada a absolvi&ccedil;&atilde;o do requerente, nos termos do art. 439, al&iacute;neas &ldquo;a&rdquo;, &ldquo;b&rdquo; ou &ldquo;e&rdquo;, do CPPM. Subsidiariamente, pede o reconhecimento da semi-imputabilidade, com a redu&ccedil;&atilde;o da pena, ou, ainda, a aplica&ccedil;&atilde;o de medida menos gravosa, em observ&acirc;ncia ao princ&iacute;pio da proporcionalidade, al&eacute;m da expedi&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para exclus&atilde;o dos registros funcionais e criminais vinculados &agrave; condena&ccedil;&atilde;o revista.</p> <p>O pedido liminar foi indeferido por este relator, oportunidade em que foi determinada a abertura de vista ao eminente procurador de justi&ccedil;a (Evento 6).</p> <p>Em parecer, o eminente procurador de justi&ccedil;a manifestou-se pela improced&ecirc;ncia da revis&atilde;o criminal (Evento 13).</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.</p> <p> </p> <p><strong>VOTOS</strong></p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO ARMANDO RIBEIRO, RELATOR</strong></p> <p>Conhe&ccedil;o do pedido revisional, uma vez que est&atilde;o presentes os requisitos objetivos e subjetivos para sua admissibilidade.</p> <p>Da an&aacute;lise dos autos, verifica-se que, na <strong>A&ccedil;&atilde;o Penal Militar n.</strong> <strong>2000116-10.2021.9.13.0003</strong>, Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio foi denunciado pela pr&aacute;tica de <strong>cinco crimes de estelionato</strong>, ocorridos entre <strong>outubro de 2019 e abril de 2020, </strong>conforme se extrai da den&uacute;ncia, que descreve detalhadamente cada um dos fatos imputados. Veja-se:</p> <p>[...]</p> <p><strong><u>FATO 1</u></strong></p> <p>Em fevereiro e mar&ccedil;o de 2020, na cidade de Ant&ocirc;nio Dias/MG, o denunciado obteve para si vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo do Sd. PM Diogo Silva Mendes, induzindo-o a erro mediante meio fraudulento.</p> <p>No in&iacute;cio do m&ecirc;s de fevereiro de 2020, o denunciado procurou o Sd. PM Diogo Silva Mendes e solicitou um empr&eacute;stimo no valor de R$20.000,00 (vinte mil reais), alegando que a sua m&atilde;e estava com c&acirc;ncer, precisando do dinheiro para custear o tratamento da genitora.</p> <p>Como garantia do empr&eacute;stimo, o denunciado informou ao Sd. PM Diogo Silva Mendes possuir uma carta de cr&eacute;dito no valor de R$ 56.000,00 (cinquenta e seis mil reais) e, com a sua quita&ccedil;&atilde;o, que ocorreria em um per&iacute;odo de at&eacute; 120 dias, receberia o valor integral para o pagamento do empr&eacute;stimo. Em raz&atilde;o das garantias oferecidas, o Sd. PM Diogo Silva Mendes fez um empr&eacute;stimo consignado e emprestou R$20.000,00 ao denunciado.</p> <p>Em mar&ccedil;o de 2020, o denunciado procurou novamente o Sd. PM Diogo Silva Mendes e relatou o agravamento do estado de sa&uacute;de de sua m&atilde;e, com a necessidade de fazer um procedimento cir&uacute;rgico, solicitando ao ofendido mais um empr&eacute;stimo no valor R$ 18.000,00 (dezoito mil reais).</p> <p>O denunciado assegurou que este empr&eacute;stimo seria quitado juntamente com o primeiro empr&eacute;stimo e informou ainda que possu&iacute;a um ve&iacute;culo Corolla, o qual tamb&eacute;m poderia ser usado para quitar a d&iacute;vida. Em raz&atilde;o disso, o Sd. PM Diogo Silva Mendes novamente fez um empr&eacute;stimo consignado e emprestou R$ 18.000,00 ao denunciado.</p> <p>Em meados de abril de 2020, o Sd. PM Diogo Silva Mendes tomou conhecimento que o denunciado tamb&eacute;m havia tomado empr&eacute;stimos com outros militares, utilizando a mesma enfermidade de sua genitora para justificar os empr&eacute;stimos.</p> <p>O militar entrou em contato com os familiares do denunciado, os quais informaram que a m&atilde;e dele n&atilde;o estava com problemas de sa&uacute;de e que o denunciado era viciado em jogos de aposta online, tendo gastado todo o dinheiro obtido com os empr&eacute;stimos em apostas. Al&eacute;m disso, o denunciado n&atilde;o possu&iacute;a ve&iacute;culo ou carta de cr&eacute;dito.</p> <p>O denunciado induziu o Sd. PM Diogo Silva Mendes a erro mediante meio fraudulento, pois contou uma falsa hist&oacute;ria de adoecimento de sua genitora para comover o militar, al&eacute;m de ter oferecido garantias que n&atilde;o possu&iacute;a para convenc&ecirc;-lo a realizar o empr&eacute;stimo.</p> <p><strong><u>FATO 2</u></strong></p> <p>Em abril de 2020, na cidade de Ant&ocirc;nio Dias/MG, o denunciado obteve para si vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo do Sd. PM Renato Reis Serra, induzindo-o a erro mediante meio fraudulento.</p> <p>No in&iacute;cio de abril de 2020, o denunciado procurou o Sd. PM Renato Reis Serra e solicitou-lhe um empr&eacute;stimo no valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais). O denunciado alegou que a m&atilde;e dele estava com c&acirc;ncer e que ele precisava da quantia para resolver problemas relativos a um invent&aacute;rio, relatando que possu&iacute;a uma carta de cr&eacute;dito no valor de R$ 48.000,00 (quarenta e oito mil reais), a qual utilizaria para quitar o empr&eacute;stimo.</p> <p>O denunciado ainda informou ao Sd. PM Renato Reis Serra que possu&iacute;a um ve&iacute;culo Corolla, o qual poderia ser vendido para arcar com a d&iacute;vida. Em raz&atilde;o das garantias oferecidas, o Sd. PM Renato Reis Serra fez um empr&eacute;stimo consignado em seu nome e emprestou a quantia de R$ 40.000,00 ao denunciado.</p> <p>Em abril de 2020, o Sd. PM Renato Reis Serra tomou conhecimento que o denunciado havia tomado empr&eacute;stimo com outros militares utilizando a mesma alega&ccedil;&atilde;o de que a m&atilde;e estava enferma.</p> <p>O militar entrou em contato com os familiares do denunciado, os quais informaram que o denunciado era viciado em jogos de aposta online e havia gastado todo o dinheiro obtido com os empr&eacute;stimos em apostas. Al&eacute;m disso, a m&atilde;e do denunciado n&atilde;o estava com problemas de sa&uacute;de e o denunciado n&atilde;o possu&iacute;a ve&iacute;culo ou carta de cr&eacute;dito.</p> <p>O denunciado induziu o Sd. PM Renato Reis Serra a erro mediante meio fraudulento, pois contou uma falsa hist&oacute;ria de adoecimento de sua genitora para comover o militar e ofereceu garantias que n&atilde;o possu&iacute;a para convenc&ecirc;-lo a realizar o empr&eacute;stimo.</p> <p><strong><u>FATO 3</u></strong></p> <p>Em fevereiro de 2020, na cidade de Ant&ocirc;nio Dias/MG, o denunciado obteve para si vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo do Sd. PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis, induzindo-o a erro mediante meio fraudulento.</p> <p>No final do m&ecirc;s de fevereiro de 2020, o denunciado procurou o Sd. PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis e solicitou a ele um empr&eacute;stimo no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). O denunciado alegou que o valor seria destinado a pagar as despesas de uma viagem que ele teria que realizar para acompanhar a m&atilde;e, que estava com c&acirc;ncer, at&eacute; a cidade de S&atilde;o Paulo para um tratamento. Em raz&atilde;o disso, o Sd. PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis realizou um empr&eacute;stimo consignado e emprestou R$ 4.000,00 ao denunciado no dia 13 de mar&ccedil;o de 2020.</p> <p>Posteriormente, o Sd. PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis tomou conhecimento de que o denunciado havia realizado empr&eacute;stimos com outros militares e entrou em contato com os familiares do denunciado os quais informaram que o denunciado era viciado em jogos de aposta online e havia gastado todo o dinheiro obtido com os empr&eacute;stimos em apostas. Al&eacute;m disso, a m&atilde;e do denunciado n&atilde;o estava com problemas de sa&uacute;de.</p> <p>O denunciado induziu o Sd. PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis a erro mediante meio fraudulento, pois contou uma falsa hist&oacute;ria de adoecimento de sua genitora para comover o militar e convenc&ecirc;-lo a realizar o empr&eacute;stimo.</p> <p><strong><u>FATO 4</u></strong></p> <p>Em novembro de 2019, na cidade de Ant&ocirc;nio Dias/MG, o denunciado obteve para si vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo do Sd. PM Lucas Miranda Ribeiro, induzindo-o a erro mediante meio fraudulento.</p> <p>Consta dos autos que, no dia 6 de novembro de 2019, o denunciado procurou o Sd. PM Lucas Miranda Ribeiro e solicitou a ele um empr&eacute;stimo. O denunciado alegou que precisava do dinheiro para quitar um cons&oacute;rcio e ter acesso ao valor integral de uma carta de cr&eacute;dito, com a qual iria adquirir um autom&oacute;vel e resolver quest&otilde;es familiares. Em raz&atilde;o da amizade que possu&iacute;a com o denunciado, o Sd. Lucas Miranda Ribeiro realizou um empr&eacute;stimo consignado no pr&oacute;prio nome e emprestou ao denunciado a quantia de R$ 30.000,00 (trinta mil reais).</p> <p>No dia 20 de abril de 2020, o denunciado mandou uma mensagem via aplicativo Whatsapp ao Sd. PM Lucas Miranda Ribeiro na qual relatava que j&aacute; estava com a quantia para pagar a d&iacute;vida e que faria a transfer&ecirc;ncia do dinheiro no mesmo dia. No entanto, no dia seguinte, a m&atilde;e do denunciado entrou em contato com o Sd. PM Lucas Miranda Ribeiro informando que o denunciado estava licenciado e que a fam&iacute;lia dele se comprometia a pagar a d&iacute;vida. Conforme restou apurado nos autos, o denunciado n&atilde;o possu&iacute;a carta de cr&eacute;dito e era viciado em jogos de aposta online, tendo gastado todo o dinheiro obtido com o empr&eacute;stimo em apostas.</p> <p>O denunciado induziu o Sd. PM Lucas Miranda Ribeiro a erro mediante meio fraudulento, pois contou uma falsa hist&oacute;ria de que precisava do dinheiro para quest&otilde;es familiares e para comprar um ve&iacute;culo e ofereceu garantia que n&atilde;o possu&iacute;a, al&eacute;m de se utilizar de sua rela&ccedil;&atilde;o de amizade, para convenc&ecirc;-lo a realizar o empr&eacute;stimo.</p> <p><strong><u>FATO 5</u></strong></p> <p>Em outubro de 2019, na cidade de Ant&ocirc;nio Dias/MG, o denunciado obteve para si vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo do Sd. PM Cl&aacute;udio Matias de Souza, induzindo-o a erro mediante meio fraudulento.</p> <p>Em meados de outubro de 2019, o denunciado procurou o Sd. PM Cl&aacute;udio Matias de Souza e pediu que o militar emprestasse todo o valor que ele possu&iacute;a dispon&iacute;vel no consignado. O denunciado alegou que precisava do dinheiro para quitar um ve&iacute;culo Corolla. Em raz&atilde;o disso, o Sd. PM Cl&aacute;udio Matias de Souza realizou um empr&eacute;stimo consignado em seu nome e emprestou ao denunciado a quantia de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais).</p> <p>No in&iacute;cio de 2020, o denunciado informou ao Sd. PM Cl&aacute;udio Matias de Souza que estava com dificuldades para pagar a d&iacute;vida, pois a m&atilde;e dele estava com c&acirc;ncer. Conforme restou apurado nos autos, a m&atilde;e do denunciado n&atilde;o estava enferma e o denunciado utilizou o dinheiro emprestado em jogos de apostas.</p> <p>O denunciado induziu o Sd. PM Cl&aacute;udio Matias de Souza a erro mediante meio fraudulento, pois contou uma falsa hist&oacute;ria para convencer o ofendido a realizar o empr&eacute;stimo e para justificar o atraso na quita&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida. [...] (Evento 1 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003)</p> <p>Finda a instru&ccedil;&atilde;o criminal, o Conselho Permanente de Justi&ccedil;a (CPJ) da 3&ordf; Auditoria da Justi&ccedil;a Militar Estadual (AJME), por unanimidade, julgou procedente a den&uacute;ncia e condenou o requerente pela pr&aacute;tica do crime de estelionato previsto no art. 251 do C&oacute;digo Penal Militar (CPM), por cinco vezes, em continuidade delitiva, fixando-lhe a pena de 3 (tr&ecirc;s) anos e 4 (quatro) meses de reclus&atilde;o, em regime aberto (senten&ccedil;a &ndash; Evento 214 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003).</p> <p>Interposta apela&ccedil;&atilde;o, a Segunda C&acirc;mara deste Tribunal, em sess&atilde;o realizada em 20 de abril de 2023, negou provimento ao recurso da defesa, mantendo a condena&ccedil;&atilde;o nos exatos termos da senten&ccedil;a (Ac&oacute;rd&atilde;o &ndash; Evento 24 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003).</p> <p>Contra esse ac&oacute;rd&atilde;o, a defesa interp&ocirc;s recurso especial, o qual n&atilde;o foi conhecido pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ), tendo ocorrido o tr&acirc;nsito em julgado em 30 abril de 2024 (Evento 76 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003).</p> <p>Na presente revis&atilde;o criminal, a defesa sustenta a exist&ecirc;ncia de <strong>prova nova</strong>, consubstanciada na <strong>senten&ccedil;a absolut&oacute;ria</strong> proferida em 2025, pelo CPJ da 4&ordf; AJME, nos <strong>Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004</strong>, relativos a fatos supostamente an&aacute;logos. Requer, assim, a absolvi&ccedil;&atilde;o do condenado ou, subsidiariamente, a redu&ccedil;&atilde;o da pena, sob o argumento de que o requerente seria portador de transtorno de jogo patol&oacute;gico, o que configuraria semi-imputabilidade.</p> <p>Como se sabe, a revis&atilde;o criminal destina-se a desconstituir decis&atilde;o condenat&oacute;ria transitada em julgado, desde que presente alguma das hip&oacute;teses do art. 551 do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM):</p> <p>Art. 551. A revis&atilde;o dos processos findos ser&aacute; admitida:</p> <p>a) quando a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria f&ocirc;r contr&aacute;ria &agrave; evid&ecirc;ncia dos autos;</p> <p>b) quando a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos;</p> <p>c) quando, ap&oacute;s a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria, se descobrirem novas provas que invalidem a condena&ccedil;&atilde;o ou que determinem ou autorizem a diminui&ccedil;&atilde;o da pena.</p> <p>No caso em exame, em que pesem as alega&ccedil;&otilde;es apresentadas pela defesa, julgo que o pedido revisional n&atilde;o merece prosperar.</p> <p>Ap&oacute;s analisar os autos, verifico que as teses de <strong>absolvi&ccedil;&atilde;o</strong> e de reconhecimento da <strong>semi-imputabilidade</strong> foram <strong>amplamente enfrentadas e rejeitadas pelo ju&iacute;zo de primeiro grau e por esta Corte em sede recursal</strong>. Transcrevo, por oportuno, trechos pertinentes da senten&ccedil;a e do ac&oacute;rd&atilde;o, que analisaram exaustivamente as alega&ccedil;&otilde;es defensivas:</p> <p>[...]</p> <p>O acusado, valendo-se de fraude e abusando da confian&ccedil;a de seus colegas de farda, todos policiais militares, obteve empr&eacute;stimos de altas quantias dos ofendidos - <strong>Sd PM Diogo Silva Mendes (trinta mil reais), Sd PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis (quatro mil reais), Sd PM Renato Reis Serra (quarenta mil reais), Sd PM Lucas Miranda Ribeiro (trinta mil reais) e Sd PM Cl&aacute;udio Matias de Souza Sobrinho (trinta e seis mil reais)</strong>. Empr&eacute;stimos obtidos e d&iacute;vidas contra&iacute;das pelos policiais militares, sem o menor intuito de serem honradas pelo acusado.</p> <p>As transfer&ecirc;ncias realizadas para o nome do acusado s&atilde;o facilmente apuradas por meio dos extratos banc&aacute;rios dos ofendidos, juntados no procedimento relacionado ao processo crime, Evento 01, fls. 85/90 - pdf, sendo inequ&iacute;voca a obten&ccedil;&atilde;o de vantagem il&iacute;cita.</p> <p>V&ecirc;-se que os ofendidos contra&iacute;ram empr&eacute;stimos consignados a fim de auxiliar o acusado. O preju&iacute;zo inicial, em torno de cento e quarenta mil reais, ser&aacute; ainda maior para os ofendidos, porque as altas taxas banc&aacute;rias de juros s&atilde;o a realidade do nosso pa&iacute;s e os valores s&atilde;o expressivos quando comparados ao soldo recebidos pelos graduados.</p> <p>A narrativa - de conte&uacute;do altamente emocional - sempre se repetia: a m&atilde;e do acusado teria sido diagnosticada com c&acirc;ncer, com elevados custos no tratamento a que seria submetida.</p> <p>A compaix&atilde;o e a solidariedade movem as pessoas e motivaram e moveram todos os ofendidos, condo&iacute;dos com a gravidade do diagn&oacute;stico e com o sofrimento do acusado. Diagn&oacute;stico falso e sofrimento n&atilde;o existente.</p> <p><strong>Quer significar</strong> que o acusado inventava hist&oacute;rias tristes - dizendo que precisava custear tratamento de c&acirc;ncer de sua genitora -, a fim de dobrar a resist&ecirc;ncia dos ofendidos. Em adi&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m os iludia dizendo ser credor de altos valores, como cartas de cr&eacute;dito, afirmando haver meios para saldar as d&iacute;vidas que os ofendidos contra&iacute;ram.</p> <p>As condutas criminosas somente come&ccedil;aram a se desvendar e a se desvelar quando o <strong>Sd PM Diogo Silva Mendes</strong> descobriu que, al&eacute;m dele, outros policiais militares tamb&eacute;m fizeram empr&eacute;stimos com cess&atilde;o dos valores pecuni&aacute;rios ao acusado. O ofendido disse ter contactado a fam&iacute;lia do acusado. E, ao faz&ecirc;-lo, foi informado que sua m&atilde;e n&atilde;o sofria de nenhuma enfermidade, bem como o acusado seria adicto em jogos e em apostas online.</p> <p>Ressalta-se que o suposto v&iacute;cio/depend&ecirc;ncia do acusado n&atilde;o &eacute; capaz de afastar sua responsabilidade penal.</p> <p>A inimputabilidade e a semi-imputabilidade penais exigem crit&eacute;rios bem mais r&iacute;gidos e bem fixos para a sua configura&ccedil;&atilde;o. O acusado sabia o que fazia: <strong>tinha consci&ecirc;ncia de sua conduta e das poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias dela advindas</strong>. N&atilde;o se pode banalizar o conceito m&eacute;dico psiqui&aacute;trico, porque a linha defensiva seguida at&eacute;m-se &agrave; conveni&ecirc;ncia e n&atilde;o &agrave; realidade psiqui&aacute;trica do acusado.</p> <p>Ora, o acusado era tido pelos demais policiais militares como um bom profissional, <strong>ou seja</strong>, o suposto v&iacute;cio n&atilde;o repercutia nem no seu &acirc;mbito profissional, nem no social.</p> <p>Onde a inimputabilidade? Onde a diminui&ccedil;&atilde;o da imputabilidade penal?</p> <p>H&aacute; provas incontorn&aacute;veis do dolo nas condutas praticadas pelo acusado.</p> <p>[...] (Senten&ccedil;a &ndash; Evento 214 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003)</p> <p> </p> <p>[...]</p> <p>Em sede preliminar, alegou o apelante que foi cerceado em seu direito de defesa, em raz&atilde;o do indeferimento do pedido de instaura&ccedil;&atilde;o de incidente de insanidade mental, motivo pelo qual pugnou pela anula&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria.</p> <p>Disp&otilde;e o art. 156 do CPPM que, &ldquo;Quando, em virtude de doen&ccedil;a ou defici&ecirc;ncia mental, houver d&uacute;vida a respeito da imputabilidade penal do acusado, ser&aacute; ele submetido a per&iacute;cia m&eacute;dica&rdquo;.</p> <p>No caso em tela, <strong>o caderno probat&oacute;rio n&atilde;o deixou d&uacute;vida quanto &agrave; capacidade de compreens&atilde;o do il&iacute;cito ou de determina&ccedil;&atilde;o de acordo com esse entendimento &agrave; &eacute;poca da infra&ccedil;&atilde;o penal, n&atilde;o se justificando, portanto, a instaura&ccedil;&atilde;o do incidente.</strong></p> <p><strong>A prova oral produzida sob o crivo do contradit&oacute;rio demonstra que o apelante, ao contatar as v&iacute;timas para solicitar o empr&eacute;stimo de dinheiro, em momento algum apresentou qualquer ind&iacute;cio de que n&atilde;o tinha capacidade de entender o car&aacute;ter il&iacute;cito de suas a&ccedil;&otilde;es.</strong></p> <p>A m&eacute;dica psiquiatra Dra. Marcele Aparecida Almeida Lamas informou que o primeiro atendimento que realizou do apelante foi em 06/05/2020, quando n&atilde;o foi realizado qualquer exame, e que ele apresentava os sintomas de depress&atilde;o, transtorno obsessivo compulsivo e depend&ecirc;ncia por &aacute;lcool; que, em uma consulta posterior de revis&atilde;o, a genitora do apelante informou que ele n&atilde;o estava fazendo uso da medica&ccedil;&atilde;o proposta; que o paciente sumiu e s&oacute; veio a aparecer novamente em 14/04/2021; e que, em consulta de revis&atilde;o realizada em 13/05/2021, somente a tia do paciente compareceu, informando que ele estava em tratamento com outro profissional.</p> <p>No mesmo sentido, o m&eacute;dico psiquiatra Dr. Lu&iacute;s Ant&ocirc;nio Ribeiro, inquirido em 20/09/2021, esclareceu que havia iniciado o tratamento do apelante h&aacute; 6 (seis) ou 8 (oito) meses. <strong>Afirmou que, mesmo diante do diagn&oacute;stico do apelante (transtorno do espectro obsessivo compulsivo, na modalidade de jogo Patol&oacute;gico &ndash; DSM-5) que gera a compuls&atilde;o por jogos, ele tinha consci&ecirc;ncia do il&iacute;cito que estava cometendo e que sabia dos riscos de suas a&ccedil;&otilde;es.</strong></p> <p>[...] a materialidade restou demonstrada nos comprovantes de transfer&ecirc;ncias e extratos banc&aacute;rios acostados ao Evento 1 &ndash; Pe&ccedil;as IPM 2, p&aacute;gs. 11/12, 30, 86 e 89/92 (Processo n. 2000068-51.2021.9.13.0003).</p> <p>J&aacute; a autoria, tamb&eacute;m devidamente demonstrada, n&atilde;o &eacute; questionada pela defesa, mas, sim, o dolo do apelante.</p> <p>No entanto, ao meu entendimento, a negativa de dolo apresentada pela defesa n&atilde;o merece prosperar. Ao contr&aacute;rio do que afirma, a prova oral, produzida em ju&iacute;zo, demonstra, de forma incontroversa, que o acusado, ora apelante, por meio fraudulento, valeu-se da compaix&atilde;o e solidariedade de seus colegas de farda para obter vantagem il&iacute;cita. O acusado, na maioria das vezes, apresentou uma narrativa inver&iacute;dica de que estava em uma situa&ccedil;&atilde;o financeira e emocional dif&iacute;cil, porque sua genitora teria sido diagnosticada com c&acirc;ncer e que necessitava custear o seu tratamento. Os colegas de farda do ora apelante, compadecidos com a situa&ccedil;&atilde;o, contraiam empr&eacute;stimos banc&aacute;rios e lhe repassavam os valores. &Eacute; importante ressaltar ainda que o acusado, de forma fraudulenta, enganou as v&iacute;timas, afirmando que possu&iacute;a bens e cartas de cr&eacute;dito para saldar as d&iacute;vidas.</p> <p>A prova do dolo encontra-se evidenciada nos depoimentos das cinco v&iacute;timas, sen&atilde;o vejamos:</p> <p>[...]</p> <p>Dessa forma, a prova produzida no curso da persecu&ccedil;&atilde;o penal &eacute; suficiente e robusta, demonstrando que a conduta do acusado configurou, de forma inequ&iacute;voca, o crime de estelionato, por haver obtido para si, por meio fraudulento, vantagem econ&ocirc;mica il&iacute;cita.</p> <p>Conforme demonstrado alhures, os depoimentos pormenorizados trazidos pelas v&iacute;timas, todas colegas de farda do apelante, demonstram, de forma indubit&aacute;vel, o dolo. Vejam que cada narrativa era apresentada de acordo com a v&iacute;tima, pois, no caso do Sd PM Lucas, o apelante n&atilde;o trouxe a hist&oacute;ria inver&iacute;dica de que sua m&atilde;e estava com c&acirc;ncer para engan&aacute;-lo e obter o dinheiro do empr&eacute;stimo, j&aacute; que certamente a v&iacute;tima tomaria conhecimento da verdade, pois era da mesma cidade que o apelante.</p> <p><strong>Em rela&ccedil;&atilde;o ao pedido de redu&ccedil;&atilde;o da pena com base no par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 48 do CPM, melhor sorte n&atilde;o assiste &agrave; defesa.</strong></p> <p><strong>A referida benesse se aplica quando a doen&ccedil;a n&atilde;o suprime, mas diminui consideravelmente a capacidade de entendimento da ilicitude do fato ou a de autodetermina&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o &eacute; a hip&oacute;tese em tela.</strong></p> <p><strong>Conforme j&aacute; exposto, o m&eacute;dico psiquiatra Dr. Lu&iacute;s Ant&ocirc;nio Ribeiro deixou claro que, apesar da doen&ccedil;a do apelante, ele tinha consci&ecirc;ncia do il&iacute;cito que estava cometendo e que sabia dos riscos de suas a&ccedil;&otilde;es.</strong></p> <p>[...]</p> <p>Por essas raz&otilde;es, nego provimento ao presente recurso de apela&ccedil;&atilde;o. (Ac&oacute;rd&atilde;o &ndash; Evento 24 &ndash; Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003)</p> <p>Diante desse quadro, n&atilde;o prospera a alega&ccedil;&atilde;o de que a condena&ccedil;&atilde;o se baseou em conjunto probat&oacute;rio fr&aacute;gil ou apoiado exclusivamente em testemunhos, desprovido de documentos que comprovassem a materialidade dos empr&eacute;stimos ou a ocorr&ecirc;ncia de fraude pela utiliza&ccedil;&atilde;o &ndash;para convencimento &ndash; de garantias inexistentes.</p> <p>Como ressaltado tanto na senten&ccedil;a quanto no ac&oacute;rd&atilde;o, a condena&ccedil;&atilde;o se fundamentou nos <strong>depoimentos das cinco v&iacute;timas</strong> &ndash; todos claros, coerentes e convergentes &ndash; e na <strong>prova documental</strong>, consistente em <strong>comprovantes de transfer&ecirc;ncia e extratos banc&aacute;rios</strong>, os quais demonstraram materialmente as transa&ccedil;&otilde;es financeiras realizadas em favor do requerente.</p> <p>A senten&ccedil;a e o ac&oacute;rd&atilde;o igualmente enfrentaram a alega&ccedil;&atilde;o de <strong>depend&ecirc;ncia patol&oacute;gica em jogos</strong> e sua eventual <strong>repercuss&atilde;o na imputabilidade</strong>, concluindo que: (i) n&atilde;o houve qualquer ind&iacute;cio de incapacidade de compreens&atilde;o da ilicitude; (ii) os depoimentos m&eacute;dicos afastaram a exist&ecirc;ncia de doen&ccedil;a mental apta a reduzir a autodetermina&ccedil;&atilde;o; e (iii) o requerente possu&iacute;a plena consci&ecirc;ncia das consequ&ecirc;ncias de seus atos.</p> <p>N&atilde;o bastasse, verifica-se que a <strong>senten&ccedil;a absolut&oacute;ria</strong> superveniente proferida nos <strong>Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004</strong>, relativa a condutas praticadas em 2022, <strong><u>n&atilde;o constitui prova nova</u></strong>, porquanto se refere <strong>a fatos distintos, sem qualquer vincula&ccedil;&atilde;o com aqueles que fundamentaram a condena&ccedil;&atilde;o ora impugnada.</strong> Como &eacute; cedi&ccedil;o, a prova nova deve guardar rela&ccedil;&atilde;o de pertin&ecirc;ncia causal com a condena&ccedil;&atilde;o atacada, o que n&atilde;o se verifica no caso concreto.</p> <p>Note-se que, nos <strong>Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004</strong>, o requerente foi denunciado pelo crime de estelionato, por haver solicitado, nos dias 7 e 9 de abril de 2022, empr&eacute;stimos a dois policiais militares, sob a justificativa de n&atilde;o ter recebido o soldo. Confira-se o teor da den&uacute;ncia:</p> <p>[...]</p> <p>Consta do Inqu&eacute;rito Policial Militar que aos 07 de abril de 2022, o investigado, durante o hor&aacute;rio de servi&ccedil;o, solicitou ao seu colega Leandro Evangelista Souza, o empr&eacute;stimo da quantia de R$1.000,00 (mil reais) para poder quitar a sua fatura do cart&atilde;o de cr&eacute;dito, uma vez que com a migra&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento do Estado de Minas Gerais para outro banco, o soldo n&atilde;o havia ca&iacute;do em sua conta corrente do Banco Ita&uacute;, afirmando ao ofendido que lhe devolveria a quantia no dia seguinte com a libera&ccedil;&atilde;o do seu valor junto ao banco.</p> <p>A v&iacute;tima asseverou que realizou o empr&eacute;stimo com o intuito de ajudar um colega de servi&ccedil;o, o qual aparentemente estava passando por dificuldades financeiras devidos a tr&acirc;mites banc&aacute;rios, fazendo a transfer&ecirc;ncia do valor solicitado naquela data. Posteriormente, no dia 09 seguinte, o denunciado entrou em contato com a v&iacute;tima e disse que n&atilde;o havia conseguido regularizar a situa&ccedil;&atilde;o de seus vencimentos, sendo que no pr&oacute;ximo dia &uacute;til o valor j&aacute; estaria liberado. Na oportunidade, solicitou um novo empr&eacute;stimo no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais), relatando que n&atilde;o conseguiu o dinheiro completo para pagar a fatura inteira e caso n&atilde;o o fizesse pagaria juros ao banco.</p> <p>Ato cont&iacute;nuo, no dia 14 de abril de 2022 Leandro entrou em contato com o investigado via o aplicativo de mensagens "Whatsapp", tendo como resposta a impossibilidade do pagamento dos empr&eacute;stimos uma vez que o soldo do noticiado ainda n&atilde;o estaria dispon&iacute;vel e n&atilde;o teve mais contato com ele. Em seguida, o ofendido tomou ci&ecirc;ncia de que o investigado estava sob tratamento psicol&oacute;gico ante seu v&iacute;cio em jogos de azar.</p> <p>No tocante &agrave; v&iacute;tima Gabriel Santos Almeida, o denunciado, no dia 07 de abril de 2022, por volta das 21h25min, entrou em contato com ele por meio de chamada de &aacute;udio no aplicativo de mensagens "Whatsapp" afirmando que n&atilde;o havia recebido seu soldo e que teria um cheque para compensar no dia seguinte e n&atilde;o tinha esse dinheiro em conta, solicitando-lhe um empr&eacute;stimo de R$ 2.000,00 (dois mil reais), o que foi prontamente negado por Gabriel, afirmando que s&oacute; poderia emprestar R$1.000,00 em decorr&ecirc;ncia dos seus limites banc&aacute;rios. Sendo assim, o investigado afirmou que qualquer quantia que pudesse ser emprestada j&aacute; o ajudaria.</p> <p>Desta feita, devido o solicitante tratar-se de um militar e possuir contato com este quase que diariamente, n&atilde;o hesitou em realizar o empr&eacute;stimo, transferindo a quantia de R$1.000,00 (mil reais) para a pessoa do denunciado, utilizando a chave PIX "+55 (31) 99832-2048". Logo ap&oacute;s, tomou conhecimento de que Lineker tinha problemas com apostas em jogos de azar e que contra&iacute;a empr&eacute;stimos com terceiros e n&atilde;o os pagava. Sendo assim, o ofendido tentou contato com o investigado, mas n&atilde;o obteve &ecirc;xito.</p> <p>Em suma, ele solicitou empr&eacute;stimos com o pretexto de que n&atilde;o havia recebido o seu soldo e precisaria de dinheiro para quitar d&iacute;vidas, como o cart&atilde;o de cr&eacute;dito. Quando cobrado o pagamento pelas v&iacute;timas, Liniker mantinha a vers&atilde;o de que ainda n&atilde;o recebera o soldo para repassar a quantia emprestada.</p> <p>No entanto, os empr&eacute;stimos serviram na verdade para empregar o valor em apostas em jogos de azar.</p> <p>Sendo assim, a contradi&ccedil;&atilde;o entre o depoimento do denunciado e a sua conduta se torna evidente.</p> <p>Seguindo nesta linha de racioc&iacute;nio, Lineker afirma &ldquo;que contraiu empr&eacute;stimo com militares; que um militar teria sido dois mil e quinhentos reais e com outro mil reais; que o motivo do empr&eacute;stimo com os militares teria sido que ele n&atilde;o havia recebido o sal&aacute;rio, sem saber o motivo exato, pois poderia ser pela portabilidade que havia feito ou por outras d&iacute;vidas que teriam impedido o seu pagamento". Todavia, o real motivo foi para empregar o dinheiro em apostas, tanto o &eacute; que, no mesmo dia, logo depositou a quantia recebida pelas v&iacute;timas, no site para poder efetu&aacute;-las (fls. 199-200 do PIC).</p> <p>Em conson&acirc;ncia com a escala de plant&atilde;o apresentada, ele estava de plant&atilde;o na equipe de REDS no dia e no momento dos fatos (fls. 45-52).</p> <p>Notadamente o denunciado utilizou-se da esperteza para ludibriar as v&iacute;timas, contando mentiras que foram capazes de as induzir ao erro. Al&eacute;m disso, usufruiu da confian&ccedil;a em que elas possu&iacute;am nele para obter lucro. (Evento 1 &ndash; Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004)</p> <p>Nos autos mencionados, o requerente foi absolvido em raz&atilde;o do reconhecimento da <strong>aus&ecirc;ncia de dolo em suas condutas</strong>, com base nos seguintes fundamentos: (i) restou demonstrado que <strong>n&atilde;o houve obten&ccedil;&atilde;o de vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo alheio</strong>, pois o requerente devolveu o dinheiro que havia tomado emprestado das v&iacute;timas; (ii) n&atilde;o ficou comprovado que ele teria mentido quanto ao motivo apresentado para solicitar os empr&eacute;stimos, <strong>induzindo as v&iacute;timas em erro mediante artif&iacute;cio, ardil ou outro meio fraudulento</strong>; e (iii) o CPJ considerou que o requerente se encontrava em tratamento psiqui&aacute;trico &agrave; &eacute;poca dos empr&eacute;stimos, tendo inclusive sido internado em raz&atilde;o de tentativa de suic&iacute;dio, circunst&acirc;ncia que <strong>justificaria o descumprimento do prazo ajustado para a restitui&ccedil;&atilde;o dos valores</strong>. Veja-se:</p> <p>[...] para caracterizar o delito do art. 251, do CPM, como j&aacute; supracitado, &eacute; necess&aacute;rio estar comprovado o dolo do agente desde o momento em que este solicita os empr&eacute;stimos aos policiais militares, abrangendo o intuito de obter vantagem indevida, em preju&iacute;zo alheio, induzindo ou mantendo as v&iacute;timas em erro, mediante artif&iacute;cio, ardil ou qualquer outro meio fraudulento, o que n&atilde;o restou configurado nos autos.</p> <p>Verifica-se que desde a fase de investiga&ccedil;&atilde;o at&eacute; a instru&ccedil;&atilde;o criminal, o acusado <strong>ex-SD PM Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio n&atilde;o possu&iacute;a todos os elementos do dolo, de modo que n&atilde;o possu&iacute;a vontade de realizar o crime do art. 251, do CPM, notadamente em raz&atilde;o da desorganiza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica que se encontrava &agrave; &eacute;poca dos fatos, envolto no v&iacute;cio em jogos, mas tamb&eacute;m com dificuldades financeiras, como reportado aos ofendidos quando dos pedidos para obten&ccedil;&atilde;o do empr&eacute;stimo</strong>.</p> <p>Em sede de depoimento policial o acusado manifestou que teria solicitado o empr&eacute;stimo para quita&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas, pois n&atilde;o havia recebido o sal&aacute;rio devido a problemas de portabilidade, mas que j&aacute; possu&iacute;a problemas financeiros e de v&iacute;cios com jogos, estando, inclusive, <strong>em tratamento m&eacute;dico psiqui&aacute;trico, sendo que &agrave; &eacute;poca dos fatos sofreu interna&ccedil;&atilde;o, mas que seu sal&aacute;rio seria o suficiente para quitar os valores, sendo que ainda na fase de inqu&eacute;rito policial foi realizada a devolu&ccedil;&atilde;o integral dos valores</strong> (autos IPM n&ordm; 2000211-66.2023.9.13.0004, evento 1-IPM2 fls. 126/128).</p> <p>Em sede judicial, o acusado relatou que teria realizado a portabilidade banc&aacute;ria n&atilde;o tendo acesso &agrave; conta; por&eacute;m, confirmou os problemas enfrentados com v&iacute;cios em apostas e que estava na fase compulsiva referente &agrave; jogos, sendo inclusive <strong>posteriormente internado devido &agrave; tentativa de autoexterm&iacute;nio</strong>, <strong>ocasi&atilde;o em que somente ressarciu os empr&eacute;stimos quando teve alta, aproximadamente tr&ecirc;s meses depois dos pedidos </strong>(evento 105-V&Iacute;DEO5):</p> <p>[...]</p> <p><strong>Apesar de o acusado ser declarado imput&aacute;vel, conforme Laudo de Insanidade Mental realizado nos autos de n&ordm; 2000382-23.2023.9.13.0004</strong>, restou demonstrado atrav&eacute;s dos depoimentos das testemunhas de que <strong>ele n&atilde;o possu&iacute;a o elemento volitivo doloso</strong>, n&atilde;o havendo representado os elementos t&iacute;picos, representa&ccedil;&atilde;o esta pressuposto da vontade de praticar o delito, n&atilde;o tendo havido o intuito de enganar as v&iacute;timas.</p> <p>Neste sentido, verifica-se que <strong>deve haver comprova&ccedil;&atilde;o de que o agente mentiu em rela&ccedil;&atilde;o ao motivo declarado para os militares apontados como v&iacute;timas para obter os empr&eacute;stimos</strong>, n&atilde;o houve realiza&ccedil;&atilde;o dos demais elementos t&iacute;picos.</p> <p>[...]</p> <p>Como restou extra&iacute;do do interrogat&oacute;rio do acusado e das testemunhas de defesa inquiridas, observa-se que o <strong>ex-SD PM Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio n&atilde;o possu&iacute;a no momento dos fatos o elemento cognoscitivo representativo do tipo penal voltado para induzir ou manter as v&iacute;timas em erro.</strong> <strong>Desse modo, ausente a representa&ccedil;&atilde;o (elemento do dolo) em rela&ccedil;&atilde;o a todos os elementos da tipicidade.</strong></p> <p><strong>Para al&eacute;m de estar em tratamento psiqui&aacute;trico, no m&ecirc;s de abril, em que foram realizados os pedidos de empr&eacute;stimos, o acusado esteve internado em raz&atilde;o de tentativa de autoexterm&iacute;nio, sendo relevante essa circunst&acirc;ncia para indicar a raz&atilde;o pela qual n&atilde;o efetuou os pagamentos na data aprazada.</strong> Do mesmo modo, n&atilde;o ficou afastada no contexto probat&oacute;rio dos autos a <strong>real inten&ccedil;&atilde;o de realizar o pagamento aos militares que realizaram os empr&eacute;stimos</strong>, <strong>sendo necess&aacute;rio salientar que este pagamento foi realizado poucos meses depois, especificamente tr&ecirc;s meses ap&oacute;s a sua desinterna&ccedil;&atilde;o, de forma espont&acirc;nea a volunt&aacute;ria, com ajuda da fam&iacute;lia.</strong></p> <p>Por oportuno, <strong>n&atilde;o ficou comprovada a exist&ecirc;ncia de preju&iacute;zo alheio, uma vez que n&atilde;o houve vantagem auferida pelo acusado ou perda de car&aacute;ter econ&ocirc;mico pelas v&iacute;timas</strong>, porquanto os policiais militares SD PM Leandro Evangelista Souza e SD PM Gabriel Santos Almeida, arroladas na den&uacute;ncia (evento 54-VIDEO2 e evento 54-VIDEO3) confirmaram em sede policial e judicial que <strong>o acusado efetuou integralmente o pagamento dos empr&eacute;stimos realizados</strong>, corroborado pelos comprovantes acostados aos autos do IPM de n&ordm; 2000211-66.2023.9.13.0004, evento 1 IPM2 fls. 114-115.</p> <p>[...]</p> <p>Assim, n&atilde;o h&aacute; prova do elemento subjetivo doloso pelo ex-SD PM Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio, ausente representa&ccedil;&atilde;o quanto aos elementos do crime de estelionato, previsto no art. 251, caput, do CPM, sendo que o dolo, posto estar no &acirc;mbito da tipicidade, implica absolvi&ccedil;&atilde;o nos termos do art. 439, al&iacute;nea &ldquo;b&rdquo;, do CPPM. (Senten&ccedil;a &ndash; Evento 160 &ndash; Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004).</p> <p>Verifica-se, desse modo, que o <strong>reconhecimento da aus&ecirc;ncia de dolo</strong>, que fundamentou a absolvi&ccedil;&atilde;o do requerente naquele processo, <strong>decorreu da</strong> <strong>an&aacute;lise das provas produzidas exclusivamente naqueles autos</strong>, n&atilde;o irradiando qualquer repercuss&atilde;o sobre a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria ora combatida.</p> <p>Com efeito, no processo que resultou na condena&ccedil;&atilde;o, restou comprovado que o requerente solicitou elevadas quantias em dinheiro &ndash; totalizando R$ 148.000,00 (cento e quarenta e oito mil reais) &ndash;, e <strong>n&atilde;o devolveu tais valores &agrave;s cinco v&iacute;timas</strong>, circunst&acirc;ncia que <strong>evidenciou a obten&ccedil;&atilde;o de vantagem il&iacute;cita em preju&iacute;zo alheio</strong>. Igualmente se demonstrou que ele alterou a verdade dos fatos, para justificar os pedidos de empr&eacute;stimo, apresentando falsa <strong>narrativa de adoecimento de sua genitora</strong>, a fim de sensibilizar os policiais militares Sd PM Diogo Silva Mendes, Sd PM Renato Reis Serra, Sd PM T&uacute;lio Michael Salom&eacute; Reis e Sd PM Cl&aacute;udio Matias de Souza, al&eacute;m de lhes <strong>oferecer garantias inexistentes</strong>. Quanto &agrave; v&iacute;tima Sd PM Lucas Miranda Ribeiro, o requerente forjou a alega&ccedil;&atilde;o de que necessitava quitar um cons&oacute;rcio, para liberar carta de cr&eacute;dito, a qual seria utilizada na aquisi&ccedil;&atilde;o de um autom&oacute;vel e na solu&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es familiares. <strong>Em todas as situa&ccedil;&otilde;es, restou demonstrado que o requerente induziu as v&iacute;timas em erro mediante artif&iacute;cio, ardil ou outro meio fraudulento</strong>.</p> <p>Dessa forma, &eacute; evidente que <strong>os fundamentos que embasaram o &eacute;dito absolut&oacute;rio superveniente n&atilde;o guardam qualquer rela&ccedil;&atilde;o com as circunst&acirc;ncias que ensejaram a condena&ccedil;&atilde;o do requerente no feito origin&aacute;rio</strong>. Os fatos ocorreram em momentos diversos, envolveram v&iacute;timas distintas, foram justificados por motiva&ccedil;&otilde;es igualmente diversas e, sobretudo, no processo de que ora se trata, n&atilde;o houve a devolu&ccedil;&atilde;o dos valores recebidos &ndash; elemento central para a configura&ccedil;&atilde;o da vantagem il&iacute;cita, em preju&iacute;zo alheio.</p> <p>Verifica-se, ademais, que a <strong>desorganiza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica do requerente, considerada para fins de absolvi&ccedil;&atilde;o no processo superveniente, decorreu do fato de ele estar, &agrave; &eacute;poca, em tratamento psiqui&aacute;trico e de ter, tamb&eacute;m por ocasi&atilde;o dos eventos que ensejaram o segundo processo, atentado contra a pr&oacute;pria vida</strong>. Todavia, como se nota, os eventos que culminaram na absolvi&ccedil;&atilde;o ocorreram em <strong>abril de 2022</strong>, ao passo que os fatos que ensejaram a condena&ccedil;&atilde;o ora impugnada foram praticados no per&iacute;odo de <strong>outubro de 2019 a abril de 2020</strong>.</p> <p>Como se sabe, o <strong>estado de sa&uacute;de mental do agente deve ser aferido no momento da pr&aacute;tica do fato delituoso,</strong> n&atilde;o sendo admiss&iacute;vel utilizar quadro psicol&oacute;gico verificado em per&iacute;odo diverso para estend&ecirc;-lo a outro processo, referente a fatos distintos.</p> <p>Ademais, destaca-se que, no feito em que sobreveio a absolvi&ccedil;&atilde;o, o requerente foi submetido a exame de insanidade mental, o qual concluiu que, embora ele apresentasse <strong>quadro compat&iacute;vel com jogo patol&oacute;gico (CID F63.0)</strong>, tal condi&ccedil;&atilde;o <strong>n&atilde;o configurava doen&ccedil;a mental alienante ou invalidante</strong>. O laudo atestou a <strong>plena capacidade de o periciado compreender o car&aacute;ter il&iacute;cito do fato e de se determinar de acordo com esse entendimento</strong> (Evento 22 &ndash; Autos n. 2000382-23.2023.9.13.0004).</p> <p>Constata-se que o referido <strong>exame n&atilde;o se mostra apto sequer para o reconhecimento da semi-imputabilidade</strong>, pois n&atilde;o houve qualquer indicativo t&eacute;cnico nesse sentido. Ressalte-se, ainda, que o reconhecimento do quadro cl&iacute;nico compat&iacute;vel com jogo patol&oacute;gico n&atilde;o pode ser transposto para o presente processo, pois &ndash; como j&aacute; assinalado &ndash;<strong> o laudo deve apresentar contemporaneidade e pertin&ecirc;ncia direta com os fatos apurados nos autos</strong>. N&atilde;o se admite, portanto, <strong>a utiliza&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica realizada em outro processo e em momento diverso como fundamento para aplicar eventual causa de diminui&ccedil;&atilde;o de pena</strong>.</p> <p>A prop&oacute;sito, trago julgados do Tribunal de Justi&ccedil;a de Minas Gerais nesse sentido:</p> <p>EMENTA: REVIS&Atilde;O CRIMINAL - PROVA NOVA INAPTA A DESCONSTITUIR O JULGADO - CONDI&Ccedil;&Atilde;O DE INIMPUTABILIDADE &Agrave; &Eacute;POCA DOS FATOS N&Atilde;O COMPROVADA. Tanto a inimputabilidade como a semi-imputabilidade s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es a serem aferidas por exame t&eacute;cnico espec&iacute;fico, que ateste que, &agrave; &eacute;poca dos fatos, o r&eacute;u n&atilde;o era inteiramente capaz de entender o car&aacute;ter il&iacute;cito do fato ou de se determinar de acordo com esse entendimento. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.23.340547-1/000, Relator(a): Des.(a) Alberto Deodato Neto, 3&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 19/08/2024, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 21/08/2024)</p> <p> </p> <p>EMENTA: REVIS&Atilde;O CRIMINAL - CRIME DE FURTO - PROVA NOVA - LAUDO PERICIAL REALIZADO EM OUTRO PROCESSO - DIMINUI&Ccedil;&Atilde;O DA PENA PELO RECONHECIMENTO DA SEMI-IMPUTABILIDADE - IMPOSSIBILIDADE - AUS&Ecirc;NCIA DE ESPECIFICIDADE QUANTO AOS FATOS DECIDIDOS NA SENTEN&Ccedil;A REVISANDA - PEDIDO REVISIONAL INDEFERIDO. 1. O exame de sanidade mental deve atentar-se para o requisito da contemporaneidade e especificidade, levando-se em conta o fato efetivamente praticado pelo agente e que &eacute; objeto da a&ccedil;&atilde;o penal. 2. Em sede de revis&atilde;o criminal, ajuizada sob o fundamento de "prova nova", mostra-se invi&aacute;vel a pretens&atilde;o de reconhecimento da semi-imputabilidade do acusado com base em laudo pericial realizado em outro processo, referente a crime diverso. 3. Nesse quadro, n&atilde;o se pode atribuir ao laudo pericial confeccionado em processo diverso o efeito extensivo pretendido pela defensoria p&uacute;blica, sob pena de se instaurar um quadro de inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, revelado pelo desprestigio do instituto da coisa julgada. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.18.021466-0/000, Relator(a): Des.(a) Beatriz Pinheiro Caires, 1&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 12/02/2019, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 01/03/2019)</p> <p> </p> <p>EMENTA: REVIS&Atilde;O CRIMINAL - CRIME CONTRA O PATRIM&Ocirc;NIO - FURTO QUALIFICADO - PROVA NOVA - DIMINUI&Ccedil;&Atilde;O DA PENA PELO RECONHECIMENTO DA SEMI-IMPUTABILIDADE - N&Atilde;O CABIMENTO. A revis&atilde;o criminal s&oacute; &eacute; cab&iacute;vel nas hip&oacute;teses taxativas do artigo 621 do CPP e, para fins de reforma da dosimetria da pena, visa reexaminar a decis&atilde;o condenat&oacute;ria nos casos em que a reprimenda tenha sido fixada em contrariedade a texto expresso da lei ou quando houver situa&ccedil;&atilde;o nova. N&atilde;o h&aacute; que se reconhecer a semi-imputabilidade do agente quando a prova nova n&atilde;o permitir concluir, com a seguran&ccedil;a necess&aacute;ria, que a integridade mental dele estava comprometida &agrave; &eacute;poca do crime pelo qual ele foi condenado. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.18.021467-8/000, Relator(a): Des.(a) Fl&aacute;vio Leite, 3&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 17/09/2018, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 28/09/2018).</p> <p>Cumpre salientar, outrossim, que a <strong>absolvi&ccedil;&atilde;o do requerente n&atilde;o decorreu do reconhecimento de ludopatia, mas, sim, do fato de ele haver restitu&iacute;do &agrave;s v&iacute;timas os valores emprestados, bem como da aus&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o de que teria utilizado artif&iacute;cios fraudulentos para obter tais empr&eacute;stimos</strong>. As condi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas consideradas na senten&ccedil;a absolut&oacute;ria serviram apenas para <strong>justificar a raz&atilde;o pela qual n&atilde;o houve devolu&ccedil;&atilde;o dos valores na data inicialmente aprazada</strong>.</p> <p>Nesse contexto, evidencia-se que a <strong>senten&ccedil;a absolut&oacute;ria superveniente n&atilde;o constitui prova nova</strong>, <strong>tampouco apresenta elemento capaz de modificar o teor da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria</strong> prolatada em primeira inst&acirc;ncia e confirmada por este Tribunal.</p> <p>Assim, infere-se que o requerente utilizou indevidamente a via revisional como meio de externar sua inconformidade com a condena&ccedil;&atilde;o por estelionato, trazendo &agrave; baila argumentos j&aacute; devidamente apreciados e rejeitados no processo origin&aacute;rio.</p> <p>Com efeito, &eacute; pac&iacute;fico o entendimento do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a no sentido de que a revis&atilde;o criminal n&atilde;o se presta &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de suced&acirc;neo recursal. Confira-se:</p> <p>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REVIS&Atilde;O CRIMINAL. TR&Aacute;FICO DE DROGAS. MANDADO DE BUSCA E APREENS&Atilde;O. DILIG&Ecirc;NCIAS PR&Eacute;VIAS &Agrave; EXPEDI&Ccedil;&Atilde;O. PROVA L&Iacute;CITA. PRETENS&Atilde;O DE ABSOLVI&Ccedil;&Atilde;O POR INSUFICI&Ecirc;NCIA DE PROVAS. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. REDISCUSS&Atilde;O DE FATOS E PROVAS. DESCABIMENTO. AUS&Ecirc;NCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. AGRAVO REGIMENTAL N&Atilde;O PROVIDO.</p> <p>1. No caso, n&atilde;o obstante as alega&ccedil;&otilde;es da defesa, conclui-se que a expedi&ccedil;&atilde;o do mandado de busca e apreens&atilde;o n&atilde;o se deu com fundamento exclusivo em den&uacute;ncia an&ocirc;nima. A autoridade policial, antes de representar judicialmente, procedeu a dilig&ecirc;ncias de verifica&ccedil;&atilde;o no local indicado, colhendo informa&ccedil;&otilde;es junto a moradores que confirmaram a movimenta&ccedil;&atilde;o suspeita t&iacute;pica do tr&aacute;fico, al&eacute;m da realiza&ccedil;&atilde;o de campana, ainda que limitada por quest&otilde;es operacionais.</p> <p>Tais elementos permitiram a forma&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zo de plausibilidade, conferindo licitude &agrave; prova obtida e afastando a alega&ccedil;&atilde;o de viola&ccedil;&atilde;o de domic&iacute;lio.</p> <p>2. As inst&acirc;ncias ordin&aacute;rias consideraram suficiente o conjunto probat&oacute;rio formado por elementos consistentes, como a confiss&atilde;o do acusado na fase policial, a apreens&atilde;o de expressiva quantidade de entorpecentes, balan&ccedil;a de precis&atilde;o e dinheiro em esp&eacute;cie, al&eacute;m dos depoimentos firmes e coerentes dos policiais civis respons&aacute;veis pela dilig&ecirc;ncia, que relataram, com riqueza de detalhes, a din&acirc;mica da investiga&ccedil;&atilde;o e da abordagem. A negativa em ju&iacute;zo foi isolada e dissociada das demais provas, n&atilde;o sendo apta a desconstituir a materialidade e a autoria do delito de tr&aacute;fico de drogas.</p> <p>3. <strong>A revis&atilde;o criminal n&atilde;o se presta &agrave; rediscuss&atilde;o da mat&eacute;ria f&aacute;tica e probat&oacute;ria j&aacute; apreciada na via recursal ordin&aacute;ria, tampouco se configura como suced&acirc;neo de recurso de apela&ccedil;&atilde;o.</strong></p> <p>4. Agravo regimental n&atilde;o provido. (AgRg no HC n. 1.022.480/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 19/8/2025, DJEN de 27/8/2025.) (Destaca-se)</p> <p> </p> <p>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REVIS&Atilde;O CRIMINAL. ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE NULIDADE NO RECONHECIMENTO FOTOGR&Aacute;FICO. MAT&Eacute;RIA J&Aacute; APRECIADA EM SEDE DE APELA&Ccedil;&Atilde;O. INOVA&Ccedil;&Atilde;O JURISPRUDENCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZA&Ccedil;&Atilde;O COMO FUNDAMENTO AUT&Ocirc;NOMO PARA A DESCONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DA COISA JULGADA. INADEQUA&Ccedil;&Atilde;O DA VIA ELEITA. IMPROPRIEDADE DO USO DA REVIS&Atilde;O CRIMINAL COMO SEGUNDA APELA&Ccedil;&Atilde;O. AGRAVO N&Atilde;O PROVIDO.</p> <p>1. <strong>A revis&atilde;o criminal, a&ccedil;&atilde;o de natureza excepcional, n&atilde;o se presta &agrave; simples rediscuss&atilde;o de mat&eacute;ria j&aacute; decidida em sede recursal, tampouco pode ser utilizada como suced&acirc;neo recursal.</strong></p> <p>2. Alega&ccedil;&otilde;es de nulidade no reconhecimento fotogr&aacute;fico foram anteriormente examinadas e repelidas no julgamento da apela&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havendo fato novo apto a justificar a desconstitui&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o.</p> <p>3. A altera&ccedil;&atilde;o de entendimento jurisprudencial posterior ao tr&acirc;nsito em julgado da condena&ccedil;&atilde;o n&atilde;o constitui, por si s&oacute;, fundamento id&ocirc;neo para a revis&atilde;o criminal. Precedentes.</p> <p>4. A jurisprud&ecirc;ncia desta Corte &eacute; firme no sentido de que a revis&atilde;o criminal n&atilde;o &eacute; via adequada para novo ju&iacute;zo subjetivo sobre as provas dos autos, nem para simples insatisfa&ccedil;&atilde;o com a decis&atilde;o condenat&oacute;ria, sendo imprescind&iacute;vel a demonstra&ccedil;&atilde;o de uma das hip&oacute;teses previstas no art. 621 do CPP.</p> <p>5. Agravo regimental n&atilde;o provido. (AgRg no HC n. 994.414/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22/4/2025, DJEN de 30/4/2025.) (Destaca-se)</p> <p>Diante do exposto, julgo<strong> improcedente </strong>a revis&atilde;o criminal.</p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR R&Uacute;BIO PAULINO COELHO, REVISOR</strong></p> <p>Acompanho integralmente o voto do e. desembargador relator para julgar improcedente a revis&atilde;o criminal.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR JAMES FERREIRA SANTOS</strong></p> <p>Pelas mesmas raz&otilde;es, acompanho o voto do eminente relator.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO GALV&Atilde;O DA ROCHA</strong></p> <p>Srs. desembargadores. Na oportunidade, acompanho as raz&otilde;es e o voto proferido pelo eminente relator para, igualmente, julgar improcedente a presente a&ccedil;&atilde;o revisional.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR S&Oacute;CRATES EDGARD DOS ANJOS</strong></p> <p>Acompanho, pelos mesmos fundamentos, o voto do eminente desembargador relator que julgou improcedente a revis&atilde;o criminal.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR OSMAR DUARTE MARCELINO</strong></p> <p>Acompanho integralmente as raz&otilde;es e o voto do e. desembargador relator para igualmente julgar improcedente a presente revis&atilde;o criminal.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR JADIR SILVA</strong></p> <p>Acompanho o voto do eminente desembargador relator.</p> <p> </p> <p><strong>Belo Horizonte, sess&atilde;o ordin&aacute;ria presencial de julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais, aos 26 de novembro de 2025.</strong></p> <p> </p> <p><strong>Desembargador Fernando Armando Ribeiro</strong></p> <p><strong>Relator</strong></p> <p> </p> <p> </p> <p> </p></section> <section> <p>Belo Horizonte, 26 de novembro de 2025.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

02/12/2025, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação - Ato ordinatório ATO ORDINATÓRIO <!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd"><html lang="pt-br"><head><meta http-equiv="Pragma" content="no-cache" /><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"/></head><style>body{ padding: 10px; font-family: Times New Roman; font-size:13pt }; #divHeader{ line-height:25px; margin-bottom:30px }; #divBody{ max-width:90%; text-align:justify }</style><body><div id="divHeader"><b>REVISÃO CRIMINAL (PLENO) Nº 2000238-90.2025.9.13.0000/MG<table border="0"><tr><td>RELATOR</td><td>: FERNANDO JOSÉ ARMANDO RIBEIRO</td></tr><tr><td>REQUERENTE</td><td>: LINEKER FERNANDES EUGENIO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: DECIO NUNES DE QUEIROZ FILHO (OAB MG087336)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ANDRE LUIZ PEREIRA GOMES DE AZEVEDO (OAB MG144466)</td></tr></table></b></div><div id="divBody"><center><p>ATO ORDINATÓRIO</p></center> <p>Intimação realizada no sistema eproc.</p><p>O ato refere-se ao seguinte evento:</p><p>Evento 24 - 05/11/2025 - 12115 - Inclusão em pauta para julgamento de mérito </p></div></body></html>

06/11/2025, 00:00

51 - Conclusos/5 - Para pedir data

31/10/2025, 14:11

Remessa Interna - GAB2 -> GAB6

31/10/2025, 14:10

11010 - Proferido despacho de mero expediente

31/10/2025, 14:01

51 - Conclusos/5 - Para despacho - Autos com revisor

30/10/2025, 15:03

Remessa Interna - GAB6 -> GAB2

30/10/2025, 15:02

11010 - Proferido despacho de mero expediente

30/10/2025, 13:53

51 - Conclusos/5 - Para despacho / autos com desembargador para relatório

22/10/2025, 09:20

PETIÇÃO PROTOCOLADA JUNTADA - Refer. ao Evento: 7

15/10/2025, 17:01

12266 - Confirmada a intimação eletrônica - Refer. ao Evento: 7

13/10/2025, 23:59

1051 - Decorrido prazo - Refer. ao Evento: 8

09/10/2025, 01:35

Publicado no DJEN - no dia 07/10/2025 - Refer. ao Evento: 8

07/10/2025, 02:35

Disponibilizado no DJEN - no dia 06/10/2025 - Refer. ao Evento: 8

06/10/2025, 02:10

Publicacao/Comunicacao Intimação - Decisão DECISÃO <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> </header> <section><b>Revis&atilde;o Criminal (Pleno) N&ordm; 2000238-90.2025.9.13.0000/</b></section> <section><b><table><tr><td>REQUERENTE</td><td>: LINEKER FERNANDES EUGENIO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: DECIO NUNES DE QUEIROZ FILHO (OAB MG087336)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ANDRE LUIZ PEREIRA GOMES DE AZEVEDO (OAB MG144466)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">DECIS&Atilde;O</p> </section> <section> <p>Trata-se de revis&atilde;o criminal proposta por Lineker Fernandes Eug&ecirc;nio, na qual pugna, com fulcro no art. 551, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;, do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM), pela revis&atilde;o da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria proferida nos Autos n. 2000116-10.2021.9.13.0003, que o condenou pela pr&aacute;tica do delito previsto no art. 251 (estelionato) do C&oacute;digo Penal Militar (CPM) &agrave; pena de 3 (tr&ecirc;s) anos e 4 (quatro) meses de reclus&atilde;o, em regime inicial aberto (Evento 1 &ndash; COMP4 &ndash; fls. 120/124 e 203/223).</p> <p>O requerente sustenta que a condena&ccedil;&atilde;o, j&aacute; transitada em julgado, decorreu de um contexto probat&oacute;rio fr&aacute;gil, apoiado exclusivamente em depoimentos orais, sem respaldo documental ou pericial que comprovasse a materialidade dos empr&eacute;stimos ou a exist&ecirc;ncia das cartas de cr&eacute;dito mencionadas pela acusa&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Aduz que sobreveio prova nova, consubstanciada em senten&ccedil;a absolut&oacute;ria proferida em 2025 pela 4&ordf; Auditoria da Justi&ccedil;a Militar Estadual, nos Autos n. 2000684-52.2023.9.13.0004, referentes a fatos an&aacute;logos e de id&ecirc;ntico <em>modus operandi</em>. Assevera que, naquela oportunidade, a magistrada reconheceu a aus&ecirc;ncia de dolo, as contradi&ccedil;&otilde;es constantes nos depoimentos das supostas v&iacute;timas, a inexist&ecirc;ncia de documentos comprobat&oacute;rios e, aplicando o princ&iacute;pio do <em>in dubio pro reo</em>, absolveu o acusado com fundamento no art. 439, &ldquo;b&rdquo;, do CPPM.</p> <p>Ressalta, ainda, que a instru&ccedil;&atilde;o processual no feito absolut&oacute;rio revelou que o requerente &eacute; portador de Transtorno do Jogo Patol&oacute;gico (Ludopatia, CID F63.0), circunst&acirc;ncia que comprometeria sua plena capacidade de autodetermina&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;poca dos fatos. Afirma que tal condi&ccedil;&atilde;o imporia, ao menos, o reconhecimento da semi-imputabilidade, nos termos do art. 26, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Penal, com a consequente redu&ccedil;&atilde;o da pena em 2/3 (dois ter&ccedil;os), ou a sua substitui&ccedil;&atilde;o por tratamento ambulatorial, nos moldes do art. 113 do CPM.</p> <p>Alega que a senten&ccedil;a absolut&oacute;ria de 2025 constitui prova nova superveniente, posterior ao tr&acirc;nsito em julgado da condena&ccedil;&atilde;o de 2021, diretamente relacionada aos mesmos fatos e capaz de infirmar os fundamentos da decis&atilde;o condenat&oacute;ria, atraindo a incid&ecirc;ncia dos arts. 550 e 551, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;, ambos do CPPM, e 621, III, do C&oacute;digo de Processo Penal (CPP). Sustenta que a manuten&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o representa erro judici&aacute;rio, em afronta aos princ&iacute;pios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da ampla defesa e do devido processo legal.</p> <p>Requer, em car&aacute;ter liminar, a suspens&atilde;o imediata dos efeitos da condena&ccedil;&atilde;o at&eacute; o julgamento da presente revis&atilde;o criminal, alegando a presen&ccedil;a dos requisitos do <em>fumus boni iuris</em> e do <em>periculum in mora</em>, diante dos preju&iacute;zos irrevers&iacute;veis que a execu&ccedil;&atilde;o da pena e os efeitos secund&aacute;rios da condena&ccedil;&atilde;o poderiam acarretar.</p> <p>No m&eacute;rito, pleiteia a proced&ecirc;ncia da revis&atilde;o criminal, para que seja desconstitu&iacute;da a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria e proclamada a absolvi&ccedil;&atilde;o do requerente, nos termos do art. 439, al&iacute;neas &ldquo;a&rdquo;, &ldquo;b&rdquo; ou &ldquo;e&rdquo;, do CPPM. Subsidiariamente, pede o reconhecimento da semi-imputabilidade, com a redu&ccedil;&atilde;o da pena, ou, ainda, a aplica&ccedil;&atilde;o de medida menos gravosa, em observ&acirc;ncia ao princ&iacute;pio da proporcionalidade, al&eacute;m da expedi&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para exclus&atilde;o dos registros funcionais e criminais vinculados &agrave; condena&ccedil;&atilde;o revista.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio. Decido.</p> <p>De in&iacute;cio, cumpre salientar que a revis&atilde;o criminal &eacute; instrumento processual de natureza excepcional&iacute;ssima, voltada &agrave; desconstitui&ccedil;&atilde;o da coisa julgada, cujas hip&oacute;teses de cabimento est&atilde;o taxativamente previstas no art. 551 do CPPM.</p> <p>Nesse contexto, o processo penal n&atilde;o contempla a possibilidade de concess&atilde;o de medida liminar destinada a suspender os efeitos de decis&atilde;o judicial transitada em julgado, a qual goza de soberania e voca&ccedil;&atilde;o de definitividade. Diante da aus&ecirc;ncia de previs&atilde;o legal, n&atilde;o se pode conferir efeito suspensivo &agrave; revis&atilde;o criminal, sob pena de vulnerar a coisa julgada e comprometer a estabilidade das decis&otilde;es judiciais.</p> <p>Assim, em regra, o pleito liminar para mitigar os efeitos do tr&acirc;nsito em julgado &eacute; medida invi&aacute;vel, uma vez que ausente previs&atilde;o legal.</p> <p>Sobre o tema, leciona Renato Brasileiro de Lima:</p> <p>[...]</p> <p><strong>A revis&atilde;o criminal n&atilde;o &eacute; dotada de efeito suspensivo. Portanto, o ajuizamento da revis&atilde;o criminal n&atilde;o impede a execu&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a penal condenat&oacute;ria transitada em julgado, n&atilde;o assegurando ao acusado, por conseguinte, o direito de aguardar em liberdade o julgamento do pedido revisional. </strong></p> <p>N&atilde;o obstante a aus&ecirc;ncia de previs&atilde;o legal de efeito suspensivo, a doutrina sugere que, em <strong>situa&ccedil;&otilde;es excepcional&iacute;ssimas, e desde que caracterizada manifesta ilegalidade (leia-se, erro judici&aacute;rio teratol&oacute;gico)</strong>, &eacute; poss&iacute;vel a utiliza&ccedil;&atilde;o do poder geral de cautela do magistrado (CPC, art. 798 - art. 297 do novo CPC), assim como a antecipa&ccedil;&atilde;o dos efeitos da tutela pretendida (CPC, art. 273 - art. 300 do novo CPC), aplic&aacute;veis subsidiariamente ao processo penal com fundamento no art. 3&deg; do CPP. Na mesma linha, consoante disposto no art. 969 do novo CPC, a propositura da a&ccedil;&atilde;o rescis&oacute;ria (leia-se, revis&atilde;o criminal) n&atilde;o impede o cumprimento da decis&atilde;o rescindenda, ressalvada a concess&atilde;o de tutela provis&oacute;ria [...] (Manual de processo penal: volume &uacute;nico - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2020, p. 1917).</p> <p>No mesmo sentido caminha a jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a de Minas Gerais, segundo a qual a revis&atilde;o criminal n&atilde;o possui efeito suspensivo, sendo invi&aacute;vel a concess&atilde;o de liminar para sustar os efeitos de condena&ccedil;&atilde;o transitada em julgado, salvo em situa&ccedil;&otilde;es excepcional&iacute;ssimas de manifesta ilegalidade. Confiram-se os seguintes julgados:</p> <p>EMENTA: REVIS&Atilde;O CRIMINAL - HOMIC&Iacute;DIO QUALIFICADO TENTADO E SEQUESTRO - CONDUTAS DESCRITAS NOS ARTIGOS 121, &sect;2&ordm;, INCISOS I, III E IV, E 148, &sect;1&ordm;, INCISO IV, AMBOS DO C&Oacute;DIGO PENAL - CONCESS&Atilde;O DE LIMINAR PARA IMEDIATA SOLTURA DO PETICION&Aacute;RIO - IMPOSSIBILIDADE - AUS&Ecirc;NCIA DE PREVIS&Atilde;O LEGAL. M&Eacute;RITO: ABSOLVI&Ccedil;&Atilde;O - REEXAME DE PROVAS - DESCABIMENTO.</p> <p><strong>1. N&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o legal para concess&atilde;o de liminar em Revis&atilde;o Criminal e, tampouco possui efeito suspensivo, raz&atilde;o pela qual inexiste ilegalidade na imposi&ccedil;&atilde;o de cumprimento da pena imposta oriunda de t&iacute;tulo definitivo, transitado em julgado, de forma que n&atilde;o h&aacute; se falar em direito do peticion&aacute;rio de aguardar em liberdade o julgamento de pedido revisional.</strong></p> <p>2. Indefere-se o pedido de revis&atilde;o criminal quando, ao contr&aacute;rio do alegado pelo peticion&aacute;rio, a decis&atilde;o condenat&oacute;ria coaduna com o texto expresso da lei e com as evid&ecirc;ncias dos autos. Interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o do artigo 621, inciso I, do C&oacute;digo de Processo Penal e S&uacute;mula n&ordm; 66 do Grupo de C&acirc;maras Criminais deste Tribunal. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.25.038528-3/000, Relator(a): Des.(a) K&aacute;rin Emmerich, 3&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 21/07/2025, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 21/07/2025) (Destaca-se)</p> <p> </p> <p>EMENTA: REVIS&Atilde;O CRIMINAL. PEDIDO DE LIMINAR. SUSPENS&Atilde;O DA EXECU&Ccedil;&Atilde;O DA PENA. IMPOSSIBILIDADE. HIP&Oacute;TESES LEGAIS. INEXIST&Ecirc;NCIA DE PROVAS NOVAS E PR&Eacute;-CONSTITU&Iacute;DAS. REJULGAMENTO. INVIABILIDADE. PRECEDENTES.</p> <p>1. <strong>"O ajuizamento de revis&atilde;o criminal n&atilde;o importa em interrup&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o definitiva da pena, tendo em vista a aus&ecirc;ncia de efeito suspensivo"</strong> (AgRg no HC n. 841.489/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22/8/2023, DJe de 28/8/2023.).</p> <p>2. De acordo com o art. 621 do C&oacute;digo de Processo Penal, a revis&atilde;o dos processos findos ser&aacute; admitida nas hip&oacute;teses de: (i) senten&ccedil;a condenat&oacute;ria contr&aacute;ria ao texto expresso da lei penal ou &agrave; evid&ecirc;ncia dos autos; (ii) senten&ccedil;a condenat&oacute;ria fundamentada em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos; ou (iii) quando surgirem novas provas de inoc&ecirc;ncia do condenado ou de circunst&acirc;ncia para a diminui&ccedil;&atilde;o da pena.</p> <p>3. Limitando-se o peticion&aacute;rio a questionar os mesmos argumentos j&aacute; decididos na senten&ccedil;a condenat&oacute;ria, por decis&atilde;o do Conselho de Senten&ccedil;a, e no ac&oacute;rd&atilde;o impugnado, sem a juntada de provas novas e pr&eacute;-constitu&iacute;das, invi&aacute;vel &eacute; o acolhimento da pretens&atilde;o revisional. 4. Pedido improcedente. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.24.175111-4/000, Relator(a): Des.(a) M&ocirc;nica Arag&atilde;o Martiniano Ferreira e Costa, 3&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 15/07/2024, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 17/07/2024) (Destaca-se)</p> <p> </p> <p>REVIS&Atilde;O CRIMINAL - LIMINAR - SUSPENS&Atilde;O DA EXECU&Ccedil;&Atilde;O DA PENA - IMPOSSIBILIDADE - DUAS CONDENA&Ccedil;&Otilde;ES PELO MESMO FATO - 'BIS IN IDEM' - OCORR&Ecirc;NCIA - ANULA&Ccedil;&Atilde;O DA SENTEN&Ccedil;A - POSSIBILIDADE - PEDIDO REVISIONAL DEFERIDO EM PARTE. - <strong>A Revis&atilde;o Criminal, por n&atilde;o ter efeito suspensivo, n&atilde;o impede o in&iacute;cio do cumprimento da pena contra o r&eacute;u definitivamente condenado.</strong> - Restando configurado o 'bis in idem' e, desta forma, a litispend&ecirc;ncia, deve prevalecer a primeira senten&ccedil;a, anulando-se a segunda. (TJMG - Revis&atilde;o Criminal 1.0000.12.110425-1/000, Relator(a): Des.(a) Jaubert Carneiro Jaques, 1&ordm; GRUPO DE C&Acirc;MARAS CRIMINAIS, julgamento em 08/07/2013, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 30/08/2013) (Destaca-se)</p> <p>Todavia, ainda que se admita o cabimento de pedido liminar em sede de revis&atilde;o criminal, trata-se de medida de aplica&ccedil;&atilde;o restrita, reservada a situa&ccedil;&otilde;es em que se evidencie, de plano, erro judici&aacute;rio teratol&oacute;gico, percept&iacute;vel sem a necessidade de incurs&atilde;o aprofundada no acervo probat&oacute;rio.</p> <p>No presente feito, n&atilde;o se verifica a excepcionalidade que justifique o deferimento da tutela de urg&ecirc;ncia pleiteada. A tese deduzida pelo requerente, de que a condena&ccedil;&atilde;o teria se apoiado em provas fr&aacute;geis e insuficientes, demanda an&aacute;lise detida do conjunto probat&oacute;rio e cotejo com a decis&atilde;o absolut&oacute;ria superveniente, provid&ecirc;ncia que somente poder&aacute; ser realizada no julgamento de m&eacute;rito da revis&atilde;o criminal. A cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, pr&oacute;pria da fase liminar, n&atilde;o comporta incurs&atilde;o dessa natureza, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o se mostra recomend&aacute;vel a suspens&atilde;o antecipada dos efeitos da coisa julgada.</p> <p>Diante do exposto, <strong>indefiro</strong> o pedido liminar.</p> <p> </p> <p>Abra-se vista &agrave; eminente procuradora de justi&ccedil;a para manifesta&ccedil;&atilde;o no prazo regimental.</p> <p> </p> <p>Ap&oacute;s, conclusos.</p> <p>Publique-se e cumpra-se.</p> <p> </p> <p><strong>Belo Horizonte, 2 de outubro de 2025.</strong></p> <p> </p> <p> </p> <p><strong>Desembargador Fernando Armando Ribeiro</strong></p> <p><strong>Relator </strong></p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

06/10/2025, 00:00
Documentos
DESPACHO
31/10/2025, 14:01
RELATÓRIO
30/10/2025, 13:53
DECISÃO
03/10/2025, 14:57