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0001066-50.2025.8.27.2705

Embargos de Terceiro CívelTutela de UrgênciaTutela ProvisóriaDIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO
TJTO1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
26/09/2025
Valor da Causa
R$ 45.000,00
Orgao julgador
Juízo da 1ª Escrivania Cível de Araguaçu
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Juntada - Registro de pagamento - Guia 5974297, Subguia 198939 - Boleto pago (1/1) Pago - R$ 240,35

05/05/2026, 04:02

Publicado no DJEN - no dia 05/05/2026 - Refer. ao Evento: 54

05/05/2026, 02:51

Disponibilizado no DJEN - no dia 04/05/2026 - Refer. ao Evento: 54

04/05/2026, 02:18

Publicacao/Comunicacao Intimação - Ato ordinatório ATO ORDINATÓRIO <!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd"><html lang="pt-br"><head><meta http-equiv="Pragma" content="no-cache" /><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"/></head><style>body{ padding: 10px; font-family: Times New Roman; font-size:13pt }; #divHeader{ line-height:25px; margin-bottom:30px }; #divBody{ max-width:90%; text-align:justify }</style><body><div id="divHeader"><b>EMBARGOS DE TERCEIRO CÍVEL Nº 0001066-50.2025.8.27.2705/TO (originário: processo nº 00003748520248272705/TO)<table border="0"><tr><td>RELATOR</td><td>: FABIANO GONCALVES MARQUES</td></tr><tr><td>EMBARGANTE</td><td>: JULIO PIVA ROCHA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JEAN MACIEL CANTUARIO DIGUES DA COSTA (OAB GO045029)</td></tr></table></b></div><div id="divBody"><center><p>ATO ORDINATÓRIO</p></center> <p>Intimação realizada no sistema eproc.</p><p>O ato refere-se ao seguinte evento:</p><p>Evento 53 - 30/04/2026 - Protocolizada Petição - APELAÇÃO </p></div></body></html>

04/05/2026, 00:00

Decurso de Prazo - Refer. aos Eventos: 46 e 47

01/05/2026, 00:05

Ato ordinatório praticado Documento encaminhado à disponibilização no Diário Eletrônico - no dia 04/05/2026 - Refer. ao Evento: 54

30/04/2026, 16:21

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Contrarrazões

30/04/2026, 15:54

Protocolizada Petição - Refer. ao Evento: 45

30/04/2026, 15:06

Juntada - Boleto Gerado - 1 boleto gerado - Guia 5974297, Subguia 5630617

30/04/2026, 09:46

Juntada - Guia Gerada - Apelação - DANIEL PINHEIRO JACOBINA SANTOS - Guia 5974297 - R$ 240,35

29/04/2026, 15:11

Juntada de certidão - suspensão do prazo - Motivo: FERIADO MUNICIPAL em 21/04/2026

07/04/2026, 18:11

Publicado no DJEN - no dia 07/04/2026 - Refer. aos Eventos: 45, 46, 47

07/04/2026, 02:37

Disponibilizado no DJEN - no dia 06/04/2026 - Refer. aos Eventos: 45, 46, 47

06/04/2026, 02:06

Publicacao/Comunicacao Intimação - Sentença SENTENÇA <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> </header> <section><b>Embargos de Terceiro C&iacute;vel N&ordm; 0001066-50.2025.8.27.2705/TO</b></section> <section><b><table><tr><td>EMBARGANTE</td><td>: JULIO PIVA ROCHA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JEAN MACIEL CANTUARIO DIGUES DA COSTA (OAB GO045029)</td></tr><tr><td>EMBARGADO</td><td>: DANIEL PINHEIRO JACOBINA SANTOS</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ALINE VARGAS DO PRADO (OAB TO006968)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JOAO PEDRO KAIDZIK DE OLIVEIRA (OAB PR102055)</td></tr><tr><td>EMBARGADO</td><td>: PEDRO HENRIQUE LIBORIO CANTUARIO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: HUGO BORGES DE ALMEIDA (OAB GO065223)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">SENTEN&Ccedil;A</p> </section> <section> <p><strong>I - RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p>Trata-se de <strong>A&Ccedil;&Atilde;O DE EMBARGOS DE TERCEIRO</strong>, com pedido de tutela de urg&ecirc;ncia, ajuizada por <strong>J&Uacute;LIO PIVA ROCHA</strong>, em face de <strong><span>DANIEL PINHEIRO JACOBINA SANTOS</span></strong> e <strong>PEDRO HENRIQUE LIB&Oacute;RIO CANTU&Aacute;RIO</strong>, distribu&iacute;da por depend&ecirc;ncia &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulo extrajudicial n&ordm; 0000374-85.2024.8.27.2705.</p> <p>Narra o embargante que adquiriu, em 18/10/2021, o ve&iacute;culo I/FORD RANGER XLT 12A, mediante pagamento &agrave; vista no valor de R$ 45.000,00, tendo sido formalizada a transfer&ecirc;ncia por meio de DUT devidamente assinado e com firma reconhecida, bem como realizada a comunica&ccedil;&atilde;o de venda junto ao DETRAN/TO em 07/12/2021.</p> <p>Alega que, embora n&atilde;o tenha efetivado a transfer&ecirc;ncia formal no prazo legal, exerce a posse mansa, pac&iacute;fica e com animus domini sobre o bem h&aacute; aproximadamente quatro anos, arcando inclusive com tributos (IPVA) e demais encargos incidentes sobre o ve&iacute;culo.</p> <p>Sustenta que foi surpreendido, em setembro de 2025, com a exist&ecirc;ncia de restri&ccedil;&atilde;o judicial incidente sobre o ve&iacute;culo, decorrente de a&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&atilde;o movida contra o antigo propriet&aacute;rio, o Sr. Pedro Henrique Lib&oacute;rio Cantu&aacute;rio, proposta em 25/04/2024, ou seja, em momento posterior &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o do bem.</p> <p>Afirma ser terceiro de boa-f&eacute;, n&atilde;o tendo qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a d&iacute;vida executada, raz&atilde;o pela qual a constri&ccedil;&atilde;o judicial &eacute; indevida e ilegal.</p> <p>Requereu, liminarmente, a retirada da restri&ccedil;&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo, bem como, ao final, a proced&ecirc;ncia dos embargos para desconstitui&ccedil;&atilde;o definitiva da penhora.</p> <p>No evento 7, foi deferido o benef&iacute;cio da justi&ccedil;a gratuita ao embargante.</p> <p>N&atilde;o consta, nos autos, impugna&ccedil;&atilde;o apta a infirmar os documentos apresentados.</p> <p><strong>&Eacute; o relat&oacute;rio. Decido.</strong></p> <p> </p> <p><strong>II - FUNDAMENTA&Ccedil;&Atilde;O</strong></p> <p><u><strong>Da admissibilidade e cabimento dos embargos de terceiro</strong></u></p> <p>Os embargos de terceiro constituem instrumento processual adequado &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da posse ou propriedade de bem indevidamente atingido por ato de constri&ccedil;&atilde;o judicial, conforme previs&atilde;o do art. 674 do C&oacute;digo de Processo Civil.</p> <p>No caso em an&aacute;lise, verifica-se que o embargante n&atilde;o integra a rela&ccedil;&atilde;o processual origin&aacute;ria da execu&ccedil;&atilde;o, figurando como terceiro juridicamente interessado. Tal condi&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para o manejo da presente a&ccedil;&atilde;o, sendo plenamente atendida, conforme demonstrado nos autos.</p> <p>Ademais, a constri&ccedil;&atilde;o judicial recaiu sobre bem cuja titularidade &eacute; alegada pelo embargante, o que justifica a utiliza&ccedil;&atilde;o da via eleita. A legitimidade ativa decorre diretamente da condi&ccedil;&atilde;o de possuidor e adquirente do bem, ainda que n&atilde;o formalizada a transfer&ecirc;ncia junto ao &oacute;rg&atilde;o de tr&acirc;nsito.</p> <p>A jurisprud&ecirc;ncia p&aacute;tria &eacute; pac&iacute;fica no sentido de que a posse qualificada e a tradi&ccedil;&atilde;o do bem s&atilde;o suficientes para legitimar o manejo dos embargos de terceiro, especialmente quando comprovada a aquisi&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; constri&ccedil;&atilde;o judicial.</p> <p>Portanto, presentes os pressupostos processuais e condi&ccedil;&otilde;es da a&ccedil;&atilde;o, conhe&ccedil;o dos embargos de terceiro.</p> <p><u><strong>Da tempestividade</strong></u></p> <p>Nos termos do art. 675 do C&oacute;digo de Processo Civil, os embargos de terceiro podem ser opostos a qualquer tempo antes da aliena&ccedil;&atilde;o judicial do bem, sendo certo que, no caso concreto, sequer houve expropria&ccedil;&atilde;o.</p> <p>A constri&ccedil;&atilde;o judicial foi descoberta pelo embargante em setembro de 2025, momento em que tentou regularizar a transfer&ecirc;ncia do ve&iacute;culo. A partir desse marco, considera-se iniciada a contagem do prazo para oposi&ccedil;&atilde;o dos embargos.</p> <p>A jurisprud&ecirc;ncia consolidada do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a estabelece que o prazo tem in&iacute;cio com a ci&ecirc;ncia inequ&iacute;voca da turba&ccedil;&atilde;o ou esbulho, e n&atilde;o com a mera pr&aacute;tica do ato constritivo.</p> <p>Assim, considerando que n&atilde;o houve adjudica&ccedil;&atilde;o, arremata&ccedil;&atilde;o ou aliena&ccedil;&atilde;o do bem, e que a a&ccedil;&atilde;o foi proposta logo ap&oacute;s a ci&ecirc;ncia da restri&ccedil;&atilde;o, resta evidente a tempestividade da demanda.</p> <p>Dessa forma, afasto qualquer alega&ccedil;&atilde;o de intempestividade.</p> <p><u><strong>Do M&eacute;rito</strong></u></p> <p><u><strong>Da propriedade e da boa-f&eacute; do embargante</strong></u></p> <p>A controv&eacute;rsia central reside na verifica&ccedil;&atilde;o da legitimidade da constri&ccedil;&atilde;o judicial incidente sobre o ve&iacute;culo adquirido pelo embargante.</p> <p>Os documentos juntados aos autos demonstram, de forma inequ&iacute;voca, que o embargante adquiriu o ve&iacute;culo em outubro de 2021, mediante pagamento integral e com formaliza&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio jur&iacute;dico por meio de DUT com firma reconhecida.</p> <p>Al&eacute;m disso, h&aacute; prova da comunica&ccedil;&atilde;o de venda junto ao DETRAN, bem como da assun&ccedil;&atilde;o dos encargos tribut&aacute;rios e administrativos relacionados ao ve&iacute;culo, o que evidencia a efetiva tradi&ccedil;&atilde;o do bem.</p> <p>Importante destacar que, no direito brasileiro, a propriedade de bens m&oacute;veis se transfere com a tradi&ccedil;&atilde;o, nos termos do art. 1.267 do C&oacute;digo Civil, sendo o registro no &oacute;rg&atilde;o de tr&acirc;nsito mera formalidade administrativa.</p> <p>Ademais, a execu&ccedil;&atilde;o que originou a restri&ccedil;&atilde;o judicial foi proposta apenas em 2024, ou seja, quase tr&ecirc;s anos ap&oacute;s a aquisi&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo, afastando qualquer presun&ccedil;&atilde;o de fraude &agrave; execu&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Nesse contexto, resta plenamente caracterizada a boa-f&eacute; do embargante, que adquiriu o bem sem conhecimento de eventual demanda judicial contra o alienante.</p> <p>EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. EMBARGOS DE TERCEIRO. DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE IMPENHORABILIDADE DE IM&Oacute;VEL. &Ocirc;NUS SUCUMBENCIAIS. REDU&Ccedil;&Atilde;O DOS HONOR&Aacute;RIOS ADVOCAT&Iacute;CIOS. APLICA&Ccedil;&Atilde;O DO ART. 90, &sect; 4&ordm;, DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL. POSSIBILIDADE. PROVIMENTO PARCIAL. I. CASO EM EXAME 1. Trata-se de recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto contra senten&ccedil;a que julgou parcialmente procedente a&ccedil;&atilde;o de embargos de terceiro, reconhecendo a titularidade e a impenhorabilidade de im&oacute;vel urbano localizado na cidade de Aragua&iacute;na, estado do Tocantins, cuja penhora fora determinada em execu&ccedil;&atilde;o promovida por institui&ccedil;&atilde;o financeira. A senten&ccedil;a confirmou liminar anteriormente concedida, afastando, contudo, pedido de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais. Com base na sucumb&ecirc;ncia rec&iacute;proca, foram as partes condenadas ao pagamento proporcional das custas e dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios, fixados em 10% sobre o valor da causa, com suspens&atilde;o da exigibilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; embargante benefici&aacute;ria da gratuidade de justi&ccedil;a. A apela&ccedil;&atilde;o do banco limitou-se &agrave; pretens&atilde;o de redu&ccedil;&atilde;o da verba honor&aacute;ria, com fundamento no art. 90, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O 2. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste em determinar se &eacute; cab&iacute;vel a redu&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios &agrave; metade, prevista no &sect; 4&ordm; do art. 90 do C&oacute;digo de Processo Civil, diante do reconhecimento, pelo apelante, da proced&ecirc;ncia do pedido de levantamento da penhora antes do julgamento da causa. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR 3. Constatou-se que a titularidade do im&oacute;vel restou incontroversa, sendo a embargante leg&iacute;tima propriet&aacute;ria do bem, conforme certid&atilde;o de registro imobili&aacute;rio atualizada. 4. Verificou-se que o banco apelante reconheceu expressamente, ainda na fase inicial dos embargos, a proced&ecirc;ncia do pedido quanto &agrave; impenhorabilidade do im&oacute;vel, requerendo a baixa da penhora no evento 15. 5. O reconhecimento da proced&ecirc;ncia da pretens&atilde;o, anterior &agrave; prola&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a e acompanhado do cumprimento espont&acirc;neo da obriga&ccedil;&atilde;o, atrai a incid&ecirc;ncia do art. 90, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil, conforme consolidado na jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a e deste Tribunal. 6. A aplica&ccedil;&atilde;o da norma processual em quest&atilde;o n&atilde;o altera a distribui&ccedil;&atilde;o dos &ocirc;nus sucumbenciais, mantida na forma estabelecida na senten&ccedil;a, mas imp&otilde;e a redu&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios pela metade. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Recurso provido parcialmente para reduzir &agrave; metade os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios fixados em 10% sobre o valor da causa, nos termos do art. 90, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil. Mantida, no mais, a senten&ccedil;a. Tese de julgamento: 1. A incid&ecirc;ncia do art. 90, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil exige o reconhecimento da proced&ecirc;ncia do pedido e o cumprimento integral da presta&ccedil;&atilde;o pelo r&eacute;u antes da senten&ccedil;a, sendo cab&iacute;vel, nessas hip&oacute;teses, a redu&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios pela metade. 2. O reconhecimento da <em>proced&ecirc;ncia</em> do pedido pode ocorrer nos <em>embargos</em> de <em>terceiro</em>, quando o executado, mesmo sem resist&ecirc;ncia &agrave; pretens&atilde;o do terceiro, requerer espontaneamente o levantamento da penhora. 3. A redu&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios sucumbenciais prevista no art. 90, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil n&atilde;o afeta a distribui&ccedil;&atilde;o dos &ocirc;nus sucumbenciais, que deve observar o princ&iacute;pio da causalidade e a sucumb&ecirc;ncia verificada no caso concreto. __________ Dispositivos relevantes citados: C&oacute;digo de Processo Civil, art. 90, &sect; 4&ordm;; art. 674. Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada no voto: Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, AgInt no REsp n. 2.123.928/SP, rel. Ministra Regina Helena Costa, j. 24.06.2024; Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, AgInt no REsp n. 1.696.816/MG, rel. Ministro Paulo S&eacute;rgio Domingues, j. 04.09.2023; Tribunal de Justi&ccedil;a do Tocantins, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 0002907-47.2020.8.27.2708, rel. Des. Helv&eacute;cio de Brito Maia Neto, j. 13.03.2024; Tribunal de Justi&ccedil;a do Tocantins, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 0052692-46.2019.8.27.2729, rel. Des. Angela Maria Ribeiro Prudente, j. 11.09.2024.1 (TJTO, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, 0003049-52.2023.8.27.2706, Rel. JOAO RIGO GUIMARAES, julgado em 14/05/2025, juntado aos autos em 16/05/2025 16:32:09)</p> <p><u><strong>Da ilegalidade da constri&ccedil;&atilde;o judicial</strong></u></p> <p>A penhora de bem pertencente a terceiro estranho &agrave; execu&ccedil;&atilde;o constitui manifesta ilegalidade, violando princ&iacute;pios basilares do direito processual civil.</p> <p>No caso concreto, a constri&ccedil;&atilde;o recaiu sobre ve&iacute;culo que j&aacute; n&atilde;o integrava o patrim&ocirc;nio do executado &agrave; &eacute;poca da propositura da a&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&atilde;o, circunst&acirc;ncia que impede sua utiliza&ccedil;&atilde;o para satisfa&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida alheia.</p> <p>A aus&ecirc;ncia de registro imediato da transfer&ecirc;ncia n&atilde;o tem o cond&atilde;o de invalidar a aquisi&ccedil;&atilde;o, sobretudo diante da robusta prova documental da tradi&ccedil;&atilde;o e da posse exercida pelo embargante.</p> <p>A jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, consubstanciada na S&uacute;mula 375, estabelece que o reconhecimento da fraude &agrave; execu&ccedil;&atilde;o depende do registro da penhora ou da prova de m&aacute;-f&eacute; do terceiro adquirente, o que n&atilde;o se verifica no presente caso.</p> <p>Portanto, a manuten&ccedil;&atilde;o da constri&ccedil;&atilde;o judicial implicaria grave injusti&ccedil;a, transferindo ao embargante o &ocirc;nus de d&iacute;vida que n&atilde;o contraiu.</p> <p>Diante disso, imp&otilde;e-se o reconhecimento da nulidade da penhora.</p> <p>EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. <em>EMBARGOS</em> DE <em>TERCEIRO</em>. CONSTRI&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL SOBRE VE&Iacute;CULO. &Ocirc;NUS SUCUMBENCIAIS. PRINC&Iacute;PIO DA CAUSALIDADE. FALTA DE TRANSFER&Ecirc;NCIA FORMAL DO BEM. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto por FFR EMPREENDIMENTO IMOBILI&Aacute;RIO LTDA contra senten&ccedil;a proferida pelo Ju&iacute;zo da 3&ordf; Vara C&iacute;vel da Comarca de Gurupi/TO, que, nos autos dos embargos de terceiro ajuizados por LEILIANE BEZERRA DE SOUSA, julgou procedente o pedido para tornar sem efeito a constri&ccedil;&atilde;o judicial sobre o ve&iacute;culo Toyota Etios HBX, ano 2015, placa QKB-5675, e condenou a embargada ao pagamento de despesas processuais e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios, fixados em 10% do valor atualizado da causa, com fundamento na S&uacute;mula 303 do STJ. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O 2. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste em definir a quem deve ser atribu&iacute;do o &ocirc;nus da sucumb&ecirc;ncia em embargos de terceiro quando a constri&ccedil;&atilde;o judicial decorre da aus&ecirc;ncia de transfer&ecirc;ncia formal do bem por parte do adquirente e n&atilde;o houve resist&ecirc;ncia &agrave; pretens&atilde;o pela parte embargada. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR 3. O princ&iacute;pio da causalidade, que fundamenta a S&uacute;mula 303 e o Tema 872 do STJ, determina que os &ocirc;nus sucumbenciais devem ser atribu&iacute;dos &agrave; parte que deu causa &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o do processo, no caso, a embargante, que, ao n&atilde;o transferir formalmente o ve&iacute;culo junto ao DETRAN, permitiu a constri&ccedil;&atilde;o judicial. 4. A responsabilidade pelos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios recai sobre o embargante quando a aus&ecirc;ncia de atualiza&ccedil;&atilde;o dos dados cadastrais foi o fator determinante para a penhora, salvo se o embargado, ap&oacute;s ci&ecirc;ncia da transfer&ecirc;ncia do bem, apresentar resist&ecirc;ncia ou impugna&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o ocorreu nos autos, uma vez que a embargada reconheceu expressamente a proced&ecirc;ncia do pedido. 5. O entendimento consolidado pelo STJ no Tema 872 reitera que, na aus&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncia pela embargada e diante da omiss&atilde;o do embargante quanto &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral, os encargos de sucumb&ecirc;ncia devem ser suportados por este &uacute;ltimo. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Recurso provido. Tese de julgamento: 1. Nos embargos de terceiro para desconstitui&ccedil;&atilde;o de constri&ccedil;&atilde;o judicial, os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios s&atilde;o atribu&iacute;dos ao embargante que n&atilde;o atualizou os dados cadastrais do bem, salvo se a parte embargada, ap&oacute;s ci&ecirc;ncia da aliena&ccedil;&atilde;o, resistir &agrave; pretens&atilde;o de libera&ccedil;&atilde;o do bem. __________ Dispositivos relevantes citados: C&oacute;digo de Processo Civil, art. 85, &sect; 3&ordm;; C&oacute;digo de Tr&acirc;nsito Brasileiro, art. 123; S&uacute;mula 303 do STJ. Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ, Tema 872 dos recursos repetitivos; TJ-SP, Apela&ccedil;&atilde;o n&ordm; 1001660-60.2022.8.26.0157; TJ-MG, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n&ordm; 5004579-61.2023.8.13.0518, Rel. Des. Habib Felippe Jabour, j. 19/03/2024; TJ-GO, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n&ordm; 5648558-49.2021.8.09.0051, Rel. Des. H&eacute;ber Carlos de Oliveira, j. 19/03/2024.1 (TJTO, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, 0014572-76.2024.8.27.2722, Rel. JOAO RIGO GUIMARAES, julgado em 04/06/2025, juntado aos autos em 06/06/2025 17:20:15)</p> <p><u><strong>Da tutela de urg&ecirc;ncia</strong></u></p> <p>A tutela de urg&ecirc;ncia, prevista no art. 300 do C&oacute;digo de Processo Civil, exige a presen&ccedil;a simult&acirc;nea da probabilidade do direito e do perigo de dano.</p> <p>No presente caso, a probabilidade do direito encontra-se amplamente demonstrada pela documenta&ccedil;&atilde;o que comprova a aquisi&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo em momento anterior &agrave; execu&ccedil;&atilde;o.</p> <p>O perigo de dano, por sua vez, &eacute; evidente, pois o ve&iacute;culo constitui instrumento de trabalho do embargante, sendo indispens&aacute;vel &agrave; sua subsist&ecirc;ncia.</p> <p>A restri&ccedil;&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o imposta ao bem impede sua utiliza&ccedil;&atilde;o, expondo o embargante a preju&iacute;zos financeiros e constrangimentos indevidos.</p> <p>Al&eacute;m disso, a eventual apreens&atilde;o do ve&iacute;culo poderia causar dano irrepar&aacute;vel ou de dif&iacute;cil repara&ccedil;&atilde;o, justificando a interven&ccedil;&atilde;o jurisdicional imediata.</p> <p>Dessa forma, deve ser confirmada a tutela de urg&ecirc;ncia para determinar a retirada da restri&ccedil;&atilde;o judicial.</p> <p> </p> <p><strong>III - DISPOSITIVO</strong></p> <p><em>Ex Positis,</em> nos termos do Artigo 487, inciso I do C&oacute;digo de Processo Civil, <strong>JULGO <u>PROCEDENTES</u></strong> os pedidos de <span>JULIO PIVA ROCHA</span> nos seguintes termos:</p> <p><strong>DECLARAR </strong>a inexist&ecirc;ncia de v&iacute;nculo jur&iacute;dico entre o embargante e a d&iacute;vida executada nos autos n&ordm; 0000374-85.2024.8.27.2705;</p> <p><strong>DETERMINO</strong> a desconstitui&ccedil;&atilde;o da penhora incidente sobre o ve&iacute;culo:</p> <p>a) I/FORD RANGER XLT 12A</p> <p>b) Placa: NWC-2J59</p> <p>c) Renavam: 00354010077</p> <p><strong>CONFIRMO </strong>a tutela de urg&ecirc;ncia, tornando definitiva a ordem de retirada da restri&ccedil;&atilde;o judicial (circula&ccedil;&atilde;o/penhora) junto aos sistemas competentes (RENAJUD/DETRAN);</p> <p><strong>CONDENO </strong>os embargados ao pagamento das custas processuais e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios, que fixo em 10% sobre o valor da causa, nos termos do art. 85, &sect;2&ordm; do CPC;</p> <p><strong>RESSALTO</strong> que o embargante &eacute; benefici&aacute;rio da justi&ccedil;a gratuita, conforme deferido no evento 7, permanecendo suspensa a exigibilidade de eventuais verbas em seu desfavor, na forma do art. 98, &sect;3&ordm; do CPC.</p> <p>DECLARO A EXTIN&Ccedil;&Atilde;O DO PROCESSO COM RESOLU&Ccedil;&Atilde;O DO M&Eacute;RITO.</p> <p><strong>No mais determino:</strong></p> <p>1. Caso haja interposi&ccedil;&atilde;o do Recurso Apela&ccedil;&atilde;o, INTIME-SE a parterecorrida/apelada para, no prazo de 15 (quinze) dias, oferecer contrarraz&otilde;es, sob pena depreclus&atilde;o e demais consequ&ecirc;ncias legais.</p> <p>2. Havendo preliminar(es) de apela&ccedil;&atilde;o suscitada(s) pelo recorrido(a)/apelado(a)ou interposi&ccedil;&atilde;o de apela&ccedil;&atilde;o adesiva, INTIME-SE a parte autora, ora apelante/recorrente para,no prazo de 15 (quinze) dias, manifestar-se/apresentar contrarraz&otilde;es, sob pena de preclus&atilde;o edemais consequ&ecirc;ncias legais (NCPC, art. 1.009, &sect; 2&ordm; c/c art. 1.010, &sect; 2&ordm;).</p> <p>3. Ap&oacute;s respostas ou decorrido o prazo, REMETA-SE o processo ao Egr&eacute;gioTribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Tocantins (NCPC, art. 1.010, &sect; 3&ordm;).</p> <p>Operado o tr&acirc;nsito em julgado certifique.</p> <p>Cumpridas as formalidades legais, arquivem-se os autos, observadas as cautelas de praxe.</p> <p><strong>Registre-se. Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se.</strong></p> <p>Datado, assinado e certificado pelo e-Proc.</p> <p> </p> <p><strong><strong>FABIANO GONCALVES MARQUES</strong> <strong>Juiz de Direito</strong></strong></p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

06/04/2026, 00:00

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Sentença

31/03/2026, 13:21
Documentos
ATO ORDINATÓRIO
30/04/2026, 16:21
SENTENÇA
30/03/2026, 20:18
DECISÃO/DESPACHO
13/03/2026, 19:55
ATO ORDINATÓRIO
10/02/2026, 18:25
ATO ORDINATÓRIO
12/11/2025, 18:41
DECISÃO/DESPACHO
30/09/2025, 12:15