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0000884-35.2023.8.27.2705

Ação Penal - Procedimento OrdinárioCrimes contra a FloraCrimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio GenéticoCrimes Previstos na Legislação ExtravaganteDIREITO PENAL
TJTO1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
27/09/2023
Valor da Causa
R$ 0,00
Orgao julgador
Juízo da 1ª Escrivania Criminal de Araguaçu
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Decisão - Recebimento - Recurso - Com efeito suspensivo

23/04/2026, 14:28

Protocolizada Petição - Refer. ao Evento: 72

22/04/2026, 20:36

Conclusão para decisão

22/04/2026, 13:04

Confirmada a intimação eletrônica - Refer. ao Evento: 72 - Ciência Tácita

20/04/2026, 23:56

Protocolizada Petição - Refer. ao Evento: 71

20/04/2026, 17:50

Mandado devolvido - não entregue ao destinatário - Refer. ao Evento: 73

15/04/2026, 14:52

Publicado no DJEN - no dia 14/04/2026 - Refer. ao Evento: 71

14/04/2026, 02:47

Disponibilizado no DJEN - no dia 13/04/2026 - Refer. ao Evento: 71

13/04/2026, 02:14

Publicacao/Comunicacao Intimação - Sentença SENTENÇA <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> </header> <section><b>A&ccedil;&atilde;o Penal - Procedimento Ordin&aacute;rio N&ordm; 0000884-35.2023.8.27.2705/TO</b></section> <section><b><table><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: ROMEU JO&Atilde;O DA SILVA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: GABRIELA GOMES FELIPE (OAB GO049421)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">SENTEN&Ccedil;A</p> </section> <section> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p>O <strong>MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO DO ESTADO DO TOCANTINS</strong>, pela Promotoria de Justi&ccedil;a da Comarca de Aragua&ccedil;u/TO ofertou <strong>DEN&Uacute;NCIA</strong> em desfavor de <strong><span>ROMEU JO&Atilde;O DA SILVA</span>,</strong> devidamente qualificado nos autos, em raz&atilde;o da pr&aacute;tica, em tese, dos crimes descritos no artigo 48, <em>caput</em>, artigo 54, <em>caput</em> e &sect; 3&ordm;, artigo 68, <em>caput</em>, em concurso de crimes, ambos da Lei dos Crimes Ambientais, Lei n.&ordm; 9.605/98.</p> <p>Narra &agrave; den&uacute;ncia que:</p> <p>"entre os anos de 2014 a 2022, na Zona Rural, no Munic&iacute;pio de Aragua&ccedil;u/TO, o denunciado, <span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span>, tem utilizado reiteradamente &aacute;reas desmatadas ilicitamente, para o exerc&iacute;cio de atividade pecu&aacute;ria, impedindo a regenera&ccedil;&atilde;o natural da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa, na Bacia do Rio Formoso, permitindo o enriquecimento il&iacute;cito de alguns empreendedores em desfavor da coletividade.</p> <p>No mesmo per&iacute;odo, o denunciado, <span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span>, agindo volunt&aacute;ria e conscientemente, deixou de cumprir obriga&ccedil;&atilde;o de relevante interesse ambiental, impedindo os processos ecol&oacute;gicos das &Aacute;reas de Reserva Legal e &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente, ao transformar essas &aacute;reas em sistemas agroindustriais, desde o ano de 2014 at&eacute; o ano de 2022.</p> <p>Segundo apurado, em meados de 2014, o denunciado, <span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span>, iniciou processo de desmatamento doloso de &Aacute;rea de Reserva Legal e &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente, na Fazenda S&atilde;o Jo&atilde;o II, conforme Parecer anexo, depois de receber autoriza&ccedil;&otilde;es de desmatamentos sabidamente concedidas ilicitamente pelo &oacute;rg&atilde;o ambiental estadual.</p> <p>Contudo, ciente da ilegalidade nos desmatamentos, mesmo ap&oacute;s quase uma d&eacute;cada, o denunciado n&atilde;o s&oacute; deixou de regenerar a vegeta&ccedil;&atilde;o nativa, assim como mantiveram, ano a ano, extenso rent&aacute;vel atividade pecu&aacute;ria nessas &aacute;reas, abstendo-se de cumprir com obriga&ccedil;&atilde;o relevante de recompor a &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente e &Aacute;rea de Reserva Legal, nos termos da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental, excluindo os processos ecol&oacute;gicos delas decorrentes.</p> <p>H&aacute; anos o denunciado, <span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span>, sistematiza ilicitamente &aacute;reas ambientalmente protegidas, pois foi cientificada formalmente da conduta criminosa reiterada, seja atrav&eacute;s de Pareceres T&eacute;cnicos e procedimentos em seu desfavor, seja atrav&eacute;s de processos judiciais em cursos, que denotam o car&aacute;ter doloso de suas a&ccedil;&otilde;es em desfavor do meio ambiente da regi&atilde;o.</p> <p>Assim, os ind&iacute;cios da autoria e da materialidade do crime est&atilde;o consubstanciados nos autos do Procedimento de Investiga&ccedil;&atilde;o Criminal e demais documentos t&eacute;cnicos juntados aos autos."</p> <p>Ofertada em 27/09/2023, a den&uacute;ncia foi devidamente recebida em 28/09/2023 (evento 4).</p> <p>Devidamente citado, o acusado apresentou resposta &agrave; acusa&ccedil;&atilde;o (evento 10).</p> <p>Primeira audi&ecirc;ncia de instru&ccedil;&atilde;o e julgamento realizada em 17/06/2024, ocasi&atilde;o em que foram ouvidas as testemunhas <strong>M&aacute;rcio Silva e Dornil Esp&iacute;ndola</strong>, bem como interrogado o acusado <strong><span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span></strong><strong>. </strong>(evento 23)</p> <p>Em sede de alega&ccedil;&otilde;es finais por memoriais o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, manifestou-se pela condena&ccedil;&atilde;o do acusado quanto aos crimes previstos nos artigos 48 e 54 da Lei 9.605/98, em concurso material, pugnando pela absolvi&ccedil;&atilde;o quanto ao artigo 68 da Lei 9.605/98 em raz&atilde;o da consun&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da fixa&ccedil;&atilde;o de valor m&iacute;nimo reparat&oacute;rio. (evento 64)</p> <p>A Defesa, por sua vez, em sede de alega&ccedil;&otilde;es finais por memoriais, postulou pela absolvi&ccedil;&atilde;o integral, sustentando erro de proibi&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel decorrente da exist&ecirc;ncia de licen&ccedil;a ambiental, atipicidade das condutas e aus&ecirc;ncia de dolo. (evento 68)</p> <p> </p> <p><strong>&Eacute; o relat&oacute;rio.</strong></p> <p><strong>Fundamento e decido.</strong></p> <p> </p> <p>O processo tramitou dentro da normalidade, obedecendo-se aos prazos processuais previstos em lei. </p> <p>Ademais, garantiu-se aos acusados, em todas as fases do processo, o direito ao exerc&iacute;cio pleno do contradit&oacute;rio e da ampla defesa (artigo 5&ordm;, inciso LV, CF/88).</p> <p>Dessa forma, n&atilde;o h&aacute; nulidades a serem apontadas.</p> <p>Ultrapassada essa fase, passo &agrave; an&aacute;lise do m&eacute;rito da acusa&ccedil;&atilde;o.</p> <p> </p> <p><strong>II - DO M&Eacute;RITO</strong></p> <p><strong>2.1 &mdash; Da Materialidade Delitiva</strong></p> <p>A materialidade dos delitos imputados est&aacute; robustamente comprovada pelo conjunto probat&oacute;rio, em especial pelo Parecer T&eacute;cnico n&ordm; 105/2022 do CAOMA, elaborado a partir de an&aacute;lise multitemporal de imagens de sat&eacute;lite (Landsat e Sentinel), que demonstrou objetivamente:</p> <p>a) Em 22 de julho de 2008 &mdash; data de corte estabelecida pelo art. 66, &sect; 9&ordm;, da Lei n&ordm; 12.651/2012 (C&oacute;digo Florestal) &mdash;, o im&oacute;vel Fazenda S&atilde;o Jo&atilde;o II possu&iacute;a 472,7068 hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa remanescente, quantidade suficiente para a composi&ccedil;&atilde;o integral de sua Reserva Legal <em>in loco</em>, vedando, portanto, a compensa&ccedil;&atilde;o externa mediante o mecanismo de "condom&iacute;nio" utilizado pela Autoriza&ccedil;&atilde;o de Explora&ccedil;&atilde;o Florestal n&ordm; 9143-2014;</p> <p>b) Houve supress&atilde;o de 426,9982 hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa, gerando um d&eacute;ficit de Reserva Legal de 77,3557 hectares e danos ambientais em 18,8379 hectares de &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente;</p> <p>c) A Licen&ccedil;a AEF n&ordm; 9143-2014 foi emitida com v&iacute;cio de ilegalidade, porquanto autorizou mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o de Reserva Legal em "condom&iacute;nio" vedado para im&oacute;veis que, na data de corte de 22 de julho de 2008, j&aacute; possu&iacute;am vegeta&ccedil;&atilde;o nativa suficiente para a composi&ccedil;&atilde;o da reserva <em>in loco</em>, em flagrante viola&ccedil;&atilde;o ao art. 66, &sect; 9&ordm;, da Lei n&ordm; 12.651/2012;</p> <p>d) A &aacute;rea da Fazenda S&atilde;o Jo&atilde;o II foi convertida em pastagem para atividade de bovinocultura de corte, caracterizando o impedimento ativo e cont&iacute;nuo &agrave; regenera&ccedil;&atilde;o natural da vegeta&ccedil;&atilde;o de Cerrado.</p> <p>Tais conclus&otilde;es foram integralmente corroboradas em ju&iacute;zo pela testemunha t&eacute;cnica M&aacute;rcio Augusto da Silva, que, submetido ao contradit&oacute;rio, confirmou a metodologia empregada, a regularidade da an&aacute;lise e a ilegalidade de origem da licen&ccedil;a ambiental. A materialidade, portanto, &eacute; incontroversa.</p> <p> </p> <p><strong>2.2 &mdash; Da Autoria</strong></p> <p>A autoria delitiva &eacute; inconteste e confessa. Em seu interrogat&oacute;rio judicial, o acusado <strong><span>Romeu Jo&atilde;o da Silva</span></strong> admitiu expressamente: (i) ser o propriet&aacute;rio da Fazenda S&atilde;o Jo&atilde;o II; (ii) ter promovido o desmatamento da &aacute;rea em 2015; e (iii) manter, atualmente, atividade de bovinocultura de corte na &aacute;rea desmatada. Tais declara&ccedil;&otilde;es, cotejadas com o Parecer T&eacute;cnico n&ordm; 105/2022 do CAOMA e com o depoimento da testemunha t&eacute;cnica M&aacute;rcio Augusto da Silva, n&atilde;o deixam qualquer d&uacute;vida quanto &agrave; autoria dos fatos.</p> <p> </p> <p><strong>III &mdash; DA TIPICIDADE E DO DOLO</strong></p> <p><strong>3.1 &mdash; Do Crime do Artigo 48 da Lei n&ordm; 9.605/98: Impedir ou Dificultar a Regenera&ccedil;&atilde;o Natural</strong></p> <p>O art. 48 da Lei 9.605/98 tipifica a conduta de "impedir ou dificultar a regenera&ccedil;&atilde;o natural de florestas e demais formas de vegeta&ccedil;&atilde;o".</p> <p>A conduta do acusado se amolda com perfei&ccedil;&atilde;o ao tipo penal. Ao manter, ano ap&oacute;s ano, atividade de bovinocultura de corte em &aacute;rea que deveria ser de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa (Reserva Legal e APP), o r&eacute;u exerceu &mdash; e ainda exerce &mdash; um impedimento ativo &agrave; sucess&atilde;o ecol&oacute;gica natural do bioma Cerrado. O pastejo cont&iacute;nuo do gado sobre a &aacute;rea degrada a estrutura do solo, impede o desenvolvimento das pl&acirc;ntulas nativas e suprime o banco gen&eacute;tico do Cerrado, tornando imposs&iacute;vel a regenera&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea da vegeta&ccedil;&atilde;o enquanto perdurar a atividade.</p> <p>Quanto &agrave; natureza permanente do crime: A jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a e do Supremo Tribunal Federal &eacute; pac&iacute;fica e dominante no sentido de que o delito previsto no art. 48 da Lei n&ordm; 9.605/98 &eacute; de natureza permanente, cuja consuma&ccedil;&atilde;o se prolonga no tempo enquanto persistir a conduta lesiva ao meio ambiente. O crime n&atilde;o se exaure no momento do desmatamento, mas renova-se a cada dia em que a regenera&ccedil;&atilde;o natural permanece impedida. Nesse sentido, a Turma Nacional de Uniformiza&ccedil;&atilde;o dos Juizados Especiais Federais (TNU) fixou a seguinte tese jur&iacute;dica: <em>"O crime previsto no art. 48 da Lei n. 9.605/1998 configura crime permanente"</em>, tese essa alinhada &agrave; jurisprud&ecirc;ncia dominante do STJ e do STF.</p> <p><strong>Refuta&ccedil;&atilde;o da tese defensiva de aus&ecirc;ncia de crime permanente (item III das alega&ccedil;&otilde;es finais da defesa):</strong></p> <p>A defesa sustenta que o in&iacute;cio de algumas medidas de regenera&ccedil;&atilde;o, mencionadas pelo pr&oacute;prio r&eacute;u em seu interrogat&oacute;rio, afastaria o requisito subjetivo do tipo penal e encerraria a perman&ecirc;ncia do crime.</p> <p>Entretanto, o argumento n&atilde;o resiste a qualquer an&aacute;lise jur&iacute;dica minimamente rigorosa. Explico:</p> <p>Primeiro, o pr&oacute;prio interrogat&oacute;rio do r&eacute;u revela que as incipientes medidas de regenera&ccedil;&atilde;o foram iniciadas apenas ap&oacute;s e em raz&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e da recomenda&ccedil;&atilde;o de retifica&ccedil;&atilde;o do CAR, e n&atilde;o por iniciativa espont&acirc;nea e anterior do acusado. Logo, n&atilde;o se trata de postura colaborativa volunt&aacute;ria, mas de rea&ccedil;&atilde;o &agrave; press&atilde;o estatal, o que n&atilde;o elide o dolo que persistiu por quase uma d&eacute;cada.</p> <p>Segundo, o "in&iacute;cio de regenera&ccedil;&atilde;o" mencionado pelo r&eacute;u &eacute; parcial e insuficiente: o acusado confirmou que mant&eacute;m gado na &aacute;rea (<em>"Sim, &eacute; bovinocultura de corte, n&eacute;?"</em>), de modo que, enquanto houver atividade pecu&aacute;ria sobre as &aacute;reas de Reserva Legal e APP, o impedimento &agrave; regenera&ccedil;&atilde;o natural persiste plenamente consumado.</p> <p>Terceiro, o crime permanente n&atilde;o cessa pela simples redu&ccedil;&atilde;o da intensidade da conduta lesiva, mas apenas pela cessa&ccedil;&atilde;o total do impedimento &agrave; regenera&ccedil;&atilde;o. Converter parcialmente uma &aacute;rea em repouso, enquanto se mant&eacute;m gado no restante da extens&atilde;o desmatada, n&atilde;o encerra a perman&ecirc;ncia do delito, apenas reduz, de forma insuficiente, o dano em curso.</p> <p> </p> <p><strong>3.2 &mdash; Do Crime do Artigo 54 da Lei n&ordm; 9.605/98: Polui&ccedil;&atilde;o Ambiental com Destrui&ccedil;&atilde;o Significativa da Flora</strong></p> <p>O artigo 54, <em>caput</em>, da Lei 9.605/98 tipifica a conduta de <em>"causar polui&ccedil;&atilde;o de qualquer natureza em n&iacute;veis tais que [...] provoquem a destrui&ccedil;&atilde;o significativa da flora</em>".</p> <p>O conceito jur&iacute;dico de "polui&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o se restringe ao lan&ccedil;amento de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, mas abrange toda e qualquer degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade ambiental resultante de atividades que afetem desfavoravelmente a biota, na forma do art. 3&ordm;, III, da Lei n&ordm; 6.938/81 (Pol&iacute;tica Nacional do Meio Ambiente).</p> <p>A supress&atilde;o massiva de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa para implanta&ccedil;&atilde;o de pastagem ex&oacute;tica, com compacta&ccedil;&atilde;o do solo, altera&ccedil;&atilde;o do microclima, destrui&ccedil;&atilde;o de habitats e elimina&ccedil;&atilde;o do banco gen&eacute;tico da flora nativa, configura, indubitavelmente, polui&ccedil;&atilde;o ambiental por destrui&ccedil;&atilde;o significativa da flora, na acep&ccedil;&atilde;o normativa do tipo penal.</p> <p>Quanto &agrave; natureza formal do crime e &agrave; dispensa de per&iacute;cia espec&iacute;fica: O Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, no julgamento do REsp 2.205.709/MG (Tema Repetitivo 1.377), com tr&acirc;nsito em julgado em 26/11/2025, firmou o entendimento de que <em>"o tipo previsto na primeira parte do caput do artigo 54 da Lei 9.605/1998 possui natureza formal</em><em>"</em>, sendo a potencialidade de danos &agrave; sa&uacute;de humana suficiente para configurar a conduta delitiva, prescindindo-se da realiza&ccedil;&atilde;o de per&iacute;cia. Assim, o argumento defensivo de aus&ecirc;ncia de "laudo pericial judicial conclusivo" perde completamente seu fundamento jur&iacute;dico &agrave; luz do precedente vinculante do STJ.</p> <p><strong>Refuta&ccedil;&atilde;o da tese defensiva de inadequa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica do art. 54 (item IV das alega&ccedil;&otilde;es finais da defesa):</strong></p> <p>A defesa sustenta que "a mera supress&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o autorizaria, "por si s&oacute;", a subsun&ccedil;&atilde;o ao art. 54, e que inexistiria "laudo pericial judicial conclusivo" nos autos. O argumento &eacute; duplamente equivocado. Explico: </p> <p>No caso em apre&ccedil;o n&atilde;o se trata de "mera supress&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o": os documentos t&eacute;cnicos e o depoimento da testemunha qualificada demonstraram a supress&atilde;o de 426,9982 hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa de Cerrado em &aacute;rea de Reserva Legal e APP, o que configura, objetivamente, destrui&ccedil;&atilde;o <em>significativa</em> da flora &mdash; elemento normativo do tipo. A escala do dano (mais de 400 hectares em ecossistema sens&iacute;vel da Bacia do Rio Formoso) n&atilde;o pode, em hip&oacute;tese alguma, ser equiparada &agrave; supress&atilde;o pontual e isolada de vegeta&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Ainda, cconforme o Tema Repetitivo 1.377 do STJ (REsp 2.205.709/MG), o crime do art. 54, primeira parte, da Lei 9.605/98 &eacute; formal, dispensando prova pericial aut&ocirc;noma para sua configura&ccedil;&atilde;o. A materialidade da destrui&ccedil;&atilde;o significativa da flora restou provada pelo Parecer T&eacute;cnico n&ordm; 105/2022 do CAOMA e pela testemunha t&eacute;cnica M&aacute;rcio Augusto da Silva, submetidos ao contradit&oacute;rio judicial, sendo suficiente para lastrear a condena&ccedil;&atilde;o.</p> <p> </p> <p><strong>3.3 &mdash; Da Refuta&ccedil;&atilde;o do Erro de Proibi&ccedil;&atilde;o Inevit&aacute;vel (art. 21 do CP)</strong></p> <p>A tese central da defesa nas alega&ccedil;&otilde;es finais consiste em afirmar que o r&eacute;u teria agido sob erro de proibi&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel (art. 21 do CP), confiando legitimamente na Autoriza&ccedil;&atilde;o de Explora&ccedil;&atilde;o Florestal n&ordm; 9143-2014 expedida pelo NATURATINS, o que afastaria integralmente a culpabilidade.</p> <p>A tese n&atilde;o se sustenta, por m&uacute;ltiplas raz&otilde;es.</p> <p>O v&iacute;cio da licen&ccedil;a &eacute; manifesto e cognosc&iacute;vel pelo benefici&aacute;rio: O v&iacute;cio de origem da AEF n&ordm; 9143-2014 n&atilde;o &eacute; um defeito t&eacute;cnico obscuro, impercept&iacute;vel ao cidad&atilde;o comum. O mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o de Reserva Legal em "condom&iacute;nio" &eacute; vedado, pela pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o florestal (art. 66, &sect; 9&ordm;, da Lei 12.651/2012), para im&oacute;veis que j&aacute; possu&iacute;am vegeta&ccedil;&atilde;o suficiente na data de corte de 22 de julho de 2008. Trata-se de uma regra clara, objetiva e de f&aacute;cil verifica&ccedil;&atilde;o, que impunha ao propriet&aacute;rio rural a obriga&ccedil;&atilde;o de manter a vegeta&ccedil;&atilde;o <em>in loco</em> &mdash; n&atilde;o de compens&aacute;-la externamente. Um propriet&aacute;rio rural que, na condi&ccedil;&atilde;o do r&eacute;u (com forma&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o e agroneg&oacute;cios, segundo apurado), realiza processo de desmatamento de mais de 400 hectares, possui plenas condi&ccedil;&otilde;es de consultar o enquadramento legal do seu im&oacute;vel antes de executar a opera&ccedil;&atilde;o, especialmente quando, como no caso, a pr&oacute;pria licen&ccedil;a obrigava a verifica&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de cobertura vegetal em 2008.</p> <p>Ademais, o erro de proibi&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel exige impossibilidade absoluta de conhecimento da ilicitude.</p> <p>O art. 21 do C&oacute;digo Penal estabelece que o erro sobre a ilicitude do fato exclui a culpabilidade quando inevit&aacute;vel; quando evit&aacute;vel, apenas a atenua. A inevitabilidade do erro exige que o agente, ainda que empregando toda a dilig&ecirc;ncia que lhe era exig&iacute;vel, n&atilde;o pudesse ter acesso ao conhecimento da proibi&ccedil;&atilde;o.</p> <p>No caso concreto, o pr&oacute;prio Minist&eacute;rio P&uacute;blico instaurou procedimentos formais em desfavor do r&eacute;u, que foi cientificado da ilegalidade de sua conduta por pareceres t&eacute;cnicos, procedimentos administrativos e processos judiciais em curso. A den&uacute;ncia narra expressamente que o acusado "foi cientificado formalmente da conduta criminosa reiterada, seja atrav&eacute;s de Pareceres T&eacute;cnicos e procedimentos em seu desfavor, seja atrav&eacute;s de processos judiciais em curso". Assim, ainda que se admitisse erro inicial no momento do desmatamento (2015), a persist&ecirc;ncia da conduta por quase uma d&eacute;cada ap&oacute;s a ci&ecirc;ncia formal da ilegalidade torna absolutamente incab&iacute;vel qualquer alega&ccedil;&atilde;o de erro de proibi&ccedil;&atilde;o. O erro n&atilde;o pode ser "inevit&aacute;vel" para quem, tendo sido formalmente advertido da ilicitude de sua conduta, opta por mant&ecirc;-la por anos a fio.</p> <p>Importante salutar que a licen&ccedil;a ambiental viciada n&atilde;o afasta o nexo causal nem a responsabilidade penal, logo que o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a fixou o entendimento de que <em>"o erro na concess&atilde;o de licen&ccedil;a ambiental n&atilde;o configura fato de terceiro capaz de interromper o nexo causal na repara&ccedil;&atilde;o por les&atilde;o ao meio ambiente" </em> (REsp 1.612.887-PR).</p> <p>No mesmo sentido, a Terceira Turma do STJ, ao julgar caso an&aacute;logo, decidiu que, "mesmo que se considere que a instala&ccedil;&atilde;o [da atividade] somente tenha ocorrido em raz&atilde;o de erro na concess&atilde;o das licen&ccedil;as, &eacute; o exerc&iacute;cio dessa atividade, de responsabilidade [do r&eacute;u], que gera o risco concretizado no dano ambiental, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o h&aacute; possibilidade de eximir-se da obriga&ccedil;&atilde;o de reparar a les&atilde;o verificada". O princ&iacute;pio do <strong>poluidor-pagador</strong> atribui a quem exerce a atividade econ&ocirc;mica o dever de arcar com os custos dela decorrentes, n&atilde;o sendo admiss&iacute;vel a transfer&ecirc;ncia do &ocirc;nus para a coletividade sob o pretexto de confian&ccedil;a em ato estatal viciado.</p> <p>Por fim, a defesa alega que punir o r&eacute;u por confiar em licen&ccedil;a estatal equivaleria a instaurar regime de responsabilidade penal objetiva. O argumento parte de premissa falsa. A condena&ccedil;&atilde;o ora prolatada n&atilde;o prescinde da an&aacute;lise do elemento subjetivo &mdash; ao contr&aacute;rio, fundamenta-se precisamente no dolo demonstrado e evidenciado pelas provas dos autos: o r&eacute;u sabia da ilegalidade da licen&ccedil;a (foi formalmente comunicado), sabia que a lei vedava a compensa&ccedil;&atilde;o em "condom&iacute;nio" para o seu im&oacute;vel (norma legal clara e acess&iacute;vel), e, mesmo assim, manteve por quase uma d&eacute;cada a atividade pecu&aacute;ria sobre as &aacute;reas protegidas, obstando a regenera&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e obtendo vantagem econ&ocirc;mica il&iacute;cita. Trata-se, portanto, de dolo direto, e n&atilde;o de qualquer forma de responsabilidade objetiva.</p> <p> </p> <p><strong>3.4 &mdash; Da Refuta&ccedil;&atilde;o da Tese de Aus&ecirc;ncia de Dolo (item VI das alega&ccedil;&otilde;es finais da defesa)</strong></p> <p>A defesa sustenta, ainda, que "em momento algum" a acusa&ccedil;&atilde;o teria demonstrado "dolo espec&iacute;fico de degradar o meio ambiente", e que o conjunto probat&oacute;rio demonstraria apenas "interven&ccedil;&atilde;o ambiental previamente licenciada".</p> <p>O argumento desconsidera o conjunto probat&oacute;rio dos autos. O dolo restou demonstrado pelos seguintes elementos:</p> <p>a) <strong>Confiss&atilde;o da autoria</strong> do desmatamento e da manuten&ccedil;&atilde;o da atividade pecu&aacute;ria;</p> <p>b) <strong>Ci&ecirc;ncia formal da ilegalidade</strong> da licen&ccedil;a, demonstrada pelos pareceres t&eacute;cnicos e procedimentos administrativos e judiciais em curso noticiados na den&uacute;ncia;</p> <p>c) <strong>Manuten&ccedil;&atilde;o da conduta</strong> por quase uma d&eacute;cada, mesmo ap&oacute;s a ci&ecirc;ncia formal da ilicitude &mdash; o que &eacute; incompat&iacute;vel com qualquer alega&ccedil;&atilde;o de boa-f&eacute; ou erro;</p> <p>d) <strong>Obten&ccedil;&atilde;o de vantagem econ&ocirc;mica</strong> (bovinocultura de corte) sobre as &aacute;reas de Reserva Legal e APP ilegalmente desmatadas;</p> <p>e) <strong>In&iacute;cio tardio e parcial de medidas de regenera&ccedil;&atilde;o</strong>, apenas ap&oacute;s a atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o que refor&ccedil;a o car&aacute;ter doloso da omiss&atilde;o anterior.</p> <p>O dolo ambiental, nos crimes do art. 48 e do art. 54 da Lei 9.605/98, &eacute; a <strong>vontade livre e consciente de impedir a regenera&ccedil;&atilde;o</strong> (art. 48) e de <strong>manter a conduta poluidora</strong> (art. 54). N&atilde;o se exige dolo espec&iacute;fico ou especial fim de agir; basta o dolo gen&eacute;rico de manter a situa&ccedil;&atilde;o lesiva ao meio ambiente, o que est&aacute; fartamente demonstrado nos autos.</p> <p> </p> <p><strong>3.5 &mdash; Da Refuta&ccedil;&atilde;o da Tese de Irretroatividade Penal por Nulidade Administrativa (item V das alega&ccedil;&otilde;es finais da defesa)</strong></p> <p>A defesa invoca o princ&iacute;pio da irretroatividade da norma penal mais gravosa para sustentar que a "suposta nulidade" do licenciamento n&atilde;o poderia produzir efeitos penais retroativos.</p> <p>O argumento &eacute; juridicamente impertinente. N&atilde;o h&aacute;, no presente caso, aplica&ccedil;&atilde;o retroativa de norma penal. Os tipos penais pelos quais o r&eacute;u &eacute; condenado &mdash; arts. 48 e 54 da Lei 9.605/98 &mdash; <strong>existiam e estavam em vigor desde 1998</strong>, muito antes da conduta do r&eacute;u (2015).</p> <p>Ademais, como anteriormente demonstrado, o crime do art. 48 &eacute; permanente, de modo que sua consuma&ccedil;&atilde;o perdurou da data inicial do impedimento &agrave; regenera&ccedil;&atilde;o (2015) at&eacute; os dias atuais, tornando irrelevante qualquer quest&atilde;o de retroatividade.</p> <p>A declara&ccedil;&atilde;o de nulidade da licen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; norma penal &mdash; &eacute; reconhecimento de que o ato administrativo autorizat&oacute;rio nunca foi v&aacute;lido, por v&iacute;cio de origem. O r&eacute;u n&atilde;o est&aacute; sendo punido por fato que era l&iacute;cito &agrave; &eacute;poca; est&aacute; sendo punido por conduta que era il&iacute;cita desde o seu in&iacute;cio, e que se manteve il&iacute;cita ao longo de todos os anos subsequentes.</p> <p> </p> <p><strong>IV &mdash; Da Absolvi&ccedil;&atilde;o quanto ao Art. 68 da Lei n&ordm; 9.605/98</strong></p> <p>O art. 68 da Lei n&ordm; 9.605/98 tipifica a conduta de <em>"deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de faz&ecirc;-lo, de cumprir obriga&ccedil;&atilde;o de relevante interesse ambiental"</em>.</p> <p>O pr&oacute;prio Minist&eacute;rio P&uacute;blico, em suas alega&ccedil;&otilde;es finais, pugnou pela absolvi&ccedil;&atilde;o do r&eacute;u em rela&ccedil;&atilde;o a este delito, com fundamento no princ&iacute;pio da consun&ccedil;&atilde;o (<em>bis in idem</em>), sob o argumento de que a omiss&atilde;o de "deixar de cumprir a obriga&ccedil;&atilde;o de recompor" (art. 68) &eacute; o pr&oacute;prio meio pelo qual o r&eacute;u "impede a regenera&ccedil;&atilde;o" (art. 48), de modo que punir o agente por ambas as condutas configuraria dupla puni&ccedil;&atilde;o pelo mesmo contexto f&aacute;tico.</p> <p>Este Ju&iacute;zo acompanha o entendimento ministerial.</p> <p>Com efeito, no caso concreto, a conduta omissiva que se subsume ao art. 68 &mdash; n&atilde;o promover a recomposi&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de Reserva Legal e APP &mdash; &eacute; f&aacute;tica e juridicamente insepar&aacute;vel da conduta tipificada no art. 48: manter a atividade pecu&aacute;ria sobre as &aacute;reas degradadas, impedindo a regenera&ccedil;&atilde;o natural.</p> <p>Trata-se, na ess&ecirc;ncia, do mesmo contexto f&aacute;tico, visto sob dois &acirc;ngulos (omiss&atilde;o de recompor / impedimento ativo da regenera&ccedil;&atilde;o), sendo que o art. 48, por ser norma penal mais espec&iacute;fica quanto ao resultado (impedimento da regenera&ccedil;&atilde;o), absorve a conduta omissiva gen&eacute;rica do art. 68 pelo princ&iacute;pio da consun&ccedil;&atilde;o, evitando-se a indesejada dupla puni&ccedil;&atilde;o pelo mesmo fato (<em>bis in idem</em>).</p> <p>Assim, <strong>absolvo o r&eacute;u <span>ROMEU JO&Atilde;O DA SILVA</span></strong> da imputa&ccedil;&atilde;o referente ao art. 68 da Lei n&ordm; 9.605/98, com fundamento no <strong>art. 386, inciso III, do C&oacute;digo de Processo Penal</strong>, por n&atilde;o constituir o fato infra&ccedil;&atilde;o penal aut&ocirc;noma em face da absor&ccedil;&atilde;o pelo delito do art. 48 da mesma lei.</p> <p> </p> <p><strong>DISPOSITIVO</strong></p> <p>Diante o exposto, julgo<strong> PARCIALMENTE PROCEDENTE </strong>a acusa&ccedil;&atilde;o para:</p> <p><strong>CONDENAR </strong>o acusado<strong> </strong><strong><strong><span>ROMEU JO&Atilde;O DA SILVA</span></strong></strong><strong>, </strong>j&aacute; qualificado nos autos<strong>, no tocante &agrave; pr&aacute;tica dos crimes descritos no artigo 48, <em>caput</em>, e artigo 54, <em>caput</em>, da Lei n&ordm; 9.605/98;</strong></p> <p><strong>ABSOLVER </strong><strong> </strong>o acusado<strong> <strong><strong><strong><span>ROMEU JO&Atilde;O DA SILVA</span></strong></strong></strong></strong><strong>, </strong>j&aacute; qualificado nos autos,<strong> no tocante &agrave; pr&aacute;tica do crime previsto no artigo 68, em raz&atilde;o do princ&iacute;pio da consun&ccedil;&atilde;o.</strong></p> <p> </p> <p>Em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; determina&ccedil;&atilde;o prevista no artigo 68 do C&oacute;digo Penal, passo &agrave; <strong>DOSIMETRIA DA PENA em rela&ccedil;&atilde;o ao artigo 48, <em>caput,</em> da Lei 9.605/98.</strong></p> <p><strong>1.</strong> <strong>PRIMEIRA FASE: fixa&ccedil;&atilde;o da pena-base (art. 68, CP) &ndash; an&aacute;lise das circunst&acirc;ncias judiciais (art. 59, CP)</strong></p> <p>Compulsando os autos, vislumbro:</p> <p><strong>a. CULPABILIDADE:</strong> Elevada. O r&eacute;u possui forma&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o e agroneg&oacute;cios, demonstrando plena capacidade intelectual e t&eacute;cnica para compreender o alcance das obriga&ccedil;&otilde;es ambientais e o car&aacute;ter il&iacute;cito de sua conduta. Ademais, foi formalmente cientificado da irregularidade de suas a&ccedil;&otilde;es por pareceres t&eacute;cnicos e processos judiciais. Circunst&acirc;ncia desfavor&aacute;vel. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial</strong> <strong><u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>b. ANTECEDENTES:</strong> o acusado n&atilde;o disp&otilde;e de maus antecedentes - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>c. CONDUTA SOCIAL:</strong> nada consta acerca do comportamento do agente no seio social, familiar e profissional - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>d. PERSONALIDADE DO AGENTE:</strong> conforme pontua o mestre Rog&eacute;rio Greco, citando Ney Moura Teles, <em>&ldquo;a personalidade do agente n&atilde;o &eacute; um conceito jur&iacute;dico, mas do &acirc;mbito de outras ci&ecirc;ncias &ndash; da psicologia, psiquiatria, antropologia &ndash; e deve ser entendia como um complexo de caracter&iacute;sticas individuais pr&oacute;prias, adquiridas, que determinam ou influenciam o comportamento do sujeito&rdquo; </em>(GRECO, Rog&eacute;rio. Curso de direito penal:<strong> </strong>parte geral. 2. ed. Niter&oacute;i: Impetus, 2005, p. 629). Sendo assim, este Magistrado n&atilde;o se sente habilitado para aferir essa circunst&acirc;ncia judicial. Destaque-se, outrossim, que poucos elementos se coletaram sobre a personalidade do agente, raz&atilde;o pela qual reconhe&ccedil;o a circunst&acirc;ncia, mas deixo de valor&aacute;-la - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>e. MOTIVOS:</strong> O r&eacute;u agiu movido por interesse econ&ocirc;mico, visando obter vantagem financeira com a explora&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria sobre &aacute;reas ambientalmente protegidas. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>f. CIRCUNST&Acirc;NCIAS: </strong>A conduta se prolongou por quase uma d&eacute;cada (2014-2022), demonstrando reitera&ccedil;&atilde;o e persist&ecirc;ncia da les&atilde;o ambiental. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>g. CONSEQU&Ecirc;NCIAS DO CRIME:</strong> Grav&iacute;ssimas. Supress&atilde;o de mais de 400 hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa de Cerrado em &aacute;rea sens&iacute;vel (Bacia do Rio Formoso), com danos em 18,8379 ha de APP e d&eacute;ficit de 77,3557 ha de Reserva Legal. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente;</strong></p> <p><strong>h. COMPORTAMENTO DA V&Iacute;TIMA:</strong> nada &agrave; valorar - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente;</strong></p> <p>Diante da an&aacute;lise de todas as circunst&acirc;ncias judiciais previstas no artigo 59 do C&oacute;digo Penal, partindo da pena m&iacute;nima abstratamente cominada ao delito e, considerando as circunst&acirc;ncias desfavor&aacute;veis ao acusado, <strong>fixo a PENA-BASE no m&iacute;nimo legal, em 10 (dez) meses de deten&ccedil;&atilde;o e 15 (quinze) dias-multa</strong>, calculados pelo valor unit&aacute;rio m&iacute;nimo legal, que &eacute; de 1/30 (um trig&eacute;simo) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo mensal vigente ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>2. SEGUNDA FASE: circunst&acirc;ncias agravantes e atenuantes (arts. 61, 65 e 66, do C&oacute;digo Penal)</strong></p> <p><strong>N&atilde;o h&aacute; circunst&acirc;ncias agravantes.</strong></p> <p><strong>No entanto milita em seu favor a atenuante da &ldquo;confiss&atilde;o espont&acirc;nea perante a autoridade</strong>&rdquo; (artigo 65, inciso III, al&iacute;nea &ldquo;d&rdquo;, CP), tendo em vista que confirmou a pr&aacute;tica do delito, sendo certo que essa prova se amoldou &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais trazidas ao processo em an&aacute;lise.</p> <p>Sendo assim, atenuo a pena, de modo que a <strong>PENA PROVIS&Oacute;RIA</strong> passa &agrave; <strong>09 (nove) meses de deten&ccedil;&atilde;o e 12 (doze) dias-multa</strong>, calculados pelo valor unit&aacute;rio m&iacute;nimo legal, que &eacute; de 1/30 (um trig&eacute;simo) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo mensal vigente ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>3. TERCEIRA FASE: das causas de aumento e de diminui&ccedil;&atilde;o de pena</strong></p> <p><strong>N&atilde;o h&aacute;</strong> causas de <strong>aumento</strong> ou <strong>diminui&ccedil;&atilde;o de pena</strong>.</p> <p>Chegando destarte &agrave; <strong>PENA DEFINITIVA</strong> de <strong>09 (nove) meses de deten&ccedil;&atilde;o e 12 (doze) dias-multa</strong>, calculados pelo valor unit&aacute;rio m&iacute;nimo legal, que &eacute; de 1/30 (um trig&eacute;simo) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo mensal vigente ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p>Em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; determina&ccedil;&atilde;o prevista no artigo 68 do C&oacute;digo Penal, passo &agrave; <strong>DOSIMETRIA DA PENA em rela&ccedil;&atilde;o ao artigo 54, caput, da Lei 9.605/98.</strong></p> <p><strong>a. CULPABILIDADE:</strong> Elevada. O r&eacute;u possui forma&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o e agroneg&oacute;cios, demonstrando plena capacidade intelectual e t&eacute;cnica para compreender o alcance das obriga&ccedil;&otilde;es ambientais e o car&aacute;ter il&iacute;cito de sua conduta. Ademais, foi formalmente cientificado da irregularidade de suas a&ccedil;&otilde;es por pareceres t&eacute;cnicos e processos judiciais. Circunst&acirc;ncia desfavor&aacute;vel. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial</strong> <strong><u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>b. ANTECEDENTES:</strong> o acusado n&atilde;o disp&otilde;e de maus antecedentes - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>c. CONDUTA SOCIAL:</strong> nada consta acerca do comportamento do agente no seio social, familiar e profissional - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>d. PERSONALIDADE DO AGENTE:</strong> conforme pontua o mestre Rog&eacute;rio Greco, citando Ney Moura Teles, <em>&ldquo;a personalidade do agente n&atilde;o &eacute; um conceito jur&iacute;dico, mas do &acirc;mbito de outras ci&ecirc;ncias &ndash; da psicologia, psiquiatria, antropologia &ndash; e deve ser entendia como um complexo de caracter&iacute;sticas individuais pr&oacute;prias, adquiridas, que determinam ou influenciam o comportamento do sujeito&rdquo; </em>(GRECO, Rog&eacute;rio. Curso de direito penal:<strong> </strong>parte geral. 2. ed. Niter&oacute;i: Impetus, 2005, p. 629). Sendo assim, este Magistrado n&atilde;o se sente habilitado para aferir essa circunst&acirc;ncia judicial. Destaque-se, outrossim, que poucos elementos se coletaram sobre a personalidade do agente, raz&atilde;o pela qual reconhe&ccedil;o a circunst&acirc;ncia, mas deixo de valor&aacute;-la - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>e. MOTIVOS:</strong> O r&eacute;u agiu movido por interesse econ&ocirc;mico, visando obter vantagem financeira com a explora&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria sobre &aacute;reas ambientalmente protegidas. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>f. CIRCUNST&Acirc;NCIAS: </strong>A conduta se prolongou por quase uma d&eacute;cada (2014-2022), demonstrando reitera&ccedil;&atilde;o e persist&ecirc;ncia da les&atilde;o ambiental. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente</strong>;</p> <p><strong>g. CONSEQU&Ecirc;NCIAS DO CRIME:</strong> Grav&iacute;ssimas. Supress&atilde;o de mais de 400 hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa de Cerrado em &aacute;rea sens&iacute;vel (Bacia do Rio Formoso), com danos em 18,8379 ha de APP e d&eacute;ficit de 77,3557 ha de Reserva Legal. - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>desfavor&aacute;vel</u> ao agente;</strong></p> <p><strong>h. COMPORTAMENTO DA V&Iacute;TIMA:</strong> nada &agrave; valorar - <strong>circunst&acirc;ncia judicial <u>favor&aacute;vel</u> ao agente;</strong></p> <p>Diante da an&aacute;lise de todas as circunst&acirc;ncias judiciais previstas no artigo 59 do C&oacute;digo Penal, partindo da pena m&iacute;nima abstratamente cominada ao delito e, considerando as circunst&acirc;ncias desfavor&aacute;veis ao acusado, <strong>fixo a PENA-BASE acima do m&iacute;nimo legal, em 01 (um) ano, 8 (oito) meses de reclus&atilde;o e 15 (quinze) dias-multa</strong>, cada qual equivalente ao valor de 1 (um) sal&aacute;rio m&iacute;nimo vigente &agrave; &eacute;poca dos fatos ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>2. SEGUNDA FASE: circunst&acirc;ncias agravantes e atenuantes (arts. 61, 65 e 66, do C&oacute;digo Penal)</strong></p> <p><strong>N&atilde;o h&aacute; circunst&acirc;ncias agravantes</strong>.</p> <p><strong>No entanto milita em seu favor a atenuante da &ldquo;confiss&atilde;o espont&acirc;nea perante a autoridade</strong>&rdquo; (artigo 65, inciso III, al&iacute;nea &ldquo;d&rdquo;, CP), tendo em vista que confirmou a pr&aacute;tica do delito, sendo certo que essa prova se amoldou &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais trazidas ao processo em an&aacute;lise.</p> <p>Sendo assim, atenuo a pena, de modo que a <strong>PENA PROVIS&Oacute;RIA</strong> passa &agrave; <strong>01 (um) ano, 6 (seis) meses de reclus&atilde;o e 12 (doze) dias-multa, </strong>calculados pelo valor unit&aacute;rio m&iacute;nimo legal, que &eacute; de 1/30 (um trig&eacute;simo) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo mensal vigente ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>3. TERCEIRA FASE: das causas de aumento e de diminui&ccedil;&atilde;o de pena</strong></p> <p><strong>N&atilde;o h&aacute;</strong> causas de <strong>aumento</strong> ou <strong>diminui&ccedil;&atilde;o de pena</strong>.</p> <p>Chegando destarte &agrave; <strong>PENA DEFINITIVA</strong> de <strong>01 (um) ano, 6 (seis) meses de reclus&atilde;o e 12 (doze) dias-multa, </strong>calculados pelo valor unit&aacute;rio m&iacute;nimo legal, que &eacute; de 1/30 (um trig&eacute;simo) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo mensal vigente ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>DO CONCURSO MATERIAL</strong></p> <p>Resta evidente que o acusado praticou dois fatos t&iacute;picos, raz&atilde;o pela qual &eacute; de se observar a regra do concurso material.</p> <p>Assim, realizando-se a soma das delitos, fixo a <strong>PENA DEFINITIVA em</strong> <strong>01 (um) ano, 6 (seis) meses de reclus&atilde;o, 09 (nove) meses de deten&ccedil;&atilde;o, e 24 (vinte)</strong> dias-multa, cada qual equivalente ao valor de 1 (um) sal&aacute;rio m&iacute;nimo vigente &agrave; &eacute;poca dos fatos ao tempo do fato, nos termos do artigo 49, &sect;1&ordm;, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA</strong>:</p> <p>O regime inicial de cumprimento de pena &eacute; o <strong><u>aberto</u></strong>, tendo em vista o <em>quantum</em> da pena, o que fa&ccedil;o com fulcro no art. 33, &sect;2&ordm;, al&iacute;nea c, do C&oacute;digo Penal.</p> <p> </p> <p> <strong>CONVERS&Atilde;O DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM RESTRITIVAS DE DIREITOS (Artigo 44, CP)</strong></p> <p>No caso concreto, vislumbra-se ser plenamente poss&iacute;vel a convers&atilde;o da pena privativa de liberdade aplicada ao r&eacute;u em penas restritivas de direitos.</p> <p>A prop&oacute;sito, como &eacute; cedi&ccedil;o, para substitui&ccedil;&atilde;o da pena privativa de liberdade por restritivas de direito, imp&otilde;e-se a an&aacute;lise dos requisitos previstos no artigo 44, <em>caput</em> e incisos I, II e III, do C&oacute;digo Penal, dispositivos esses que preceituam o seguinte:</p> <p><em>&ldquo;Art. 44. As penas restritivas de direitos s&atilde;o aut&ocirc;nomas e substituem as privativas de liberdade, quando:</em></p> <p><em>I- aplicada pena privativa de liberdade n&atilde;o superior a quatro anos e o crime n&atilde;o for cometido com viol&ecirc;ncia ou grave amea&ccedil;a &agrave; pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;</em></p> <p><em>II - o r&eacute;u n&atilde;o for reincidente em crime doloso;</em></p> <p><em>III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunst&acirc;ncias indicarem que essa substitui&ccedil;&atilde;o seja suficiente.&rdquo;</em></p> <p>No caso concreto, vislumbra-se claramente que o r&eacute;u preenche os requisitos previstos no artigo 44 do C&oacute;digo Penal, para substitui&ccedil;&atilde;o da pena, porquanto: 1) a pena privativa de liberdade que lhe foi aplicada &eacute; inferior a quatro anos (apenado com <strong>01 (um) ano e 3 (tr&ecirc;s) meses de reclus&atilde;o, 07 (sete) meses e 15 (quinze) dias de deten&ccedil;&atilde;o, e 24 (vinte)</strong>, e o crime pelo qual foi condenado n&atilde;o foi cometido mediante viol&ecirc;ncia ou grave amea&ccedil;a (art. 44, I); 2) o r&eacute;u n&atilde;o &eacute; reincidente em crime doloso (art. 44, II); 3) as circunst&acirc;ncias do artigo 59 do C&oacute;digo Penal lhe s&atilde;o favor&aacute;veis (art. 44, III).</p> <p>Dessa forma, considerando que a san&ccedil;&atilde;o aplicada na presente senten&ccedil;a penal condenat&oacute;ria &eacute; superior a 01 (um) ano, com suped&acirc;neo no artigo 44, &sect; 2&deg; (segunda parte), <strong>substituo a pena privativa de liberdade por 02 (duas) restritivas de direito</strong>, quais sejam:</p> <p><strong>i.</strong> <strong>Presta&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria (art. 43, I, CP): </strong>A presta&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria ser&aacute; no valor de R$<strong>100.000,00 (cem mil reais)</strong>, em favor de entidade p&uacute;blica ou privada com atua&ccedil;&atilde;o comprovada na &aacute;rea ambiental, preferencialmente no Munic&iacute;pio de Aragua&ccedil;u/TO.</p> <p><strong>ii. Presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &agrave; comunidade (artigos 43, IV, e 46 do C&oacute;digo Penal): </strong>o acusado dever&aacute; prestar servi&ccedil;os &agrave; comunidade, em local a ser designado pelo Ju&iacute;zo da execu&ccedil;&atilde;o penal, &agrave; raz&atilde;o de uma hora di&aacute;ria pelos dias da pena privativa de liberdade aplicada;</p> <p> </p> <p><strong>REPARA&Ccedil;&Atilde;O DO DANO AMBIENTAL</strong></p> <p>Nos termos do art. 225, &sect; 3&ordm;, da CF, as condutas lesivas ao meio ambiente sujeitar&atilde;o os infratores a san&ccedil;&otilde;es penais e administrativas, sem preju&iacute;zo da obriga&ccedil;&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o dos danos causados.</p> <p>O art. 387, inciso IV, do C&oacute;digo de Processo Penal, com a reda&ccedil;&atilde;o conferida pela Lei n&ordm; 11.719/2008, determina que o juiz, ao proferir senten&ccedil;a condenat&oacute;ria, <strong>fixar&aacute; valor m&iacute;nimo para repara&ccedil;&atilde;o dos danos causados pela infra&ccedil;&atilde;o</strong>, considerando os preju&iacute;zos sofridos.</p> <p>No caso concreto, os danos ambientais est&atilde;o quantitativamente estabelecidos com precis&atilde;o nos autos:</p> <ul><li><p><strong>426,9982 hectares</strong> de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa suprimida (dano de supress&atilde;o);</p></li><li><p><strong>77,3557 hectares</strong> de d&eacute;ficit de Reserva Legal (dano de passivo florestal);</p></li><li><p><strong>18,8379 hectares</strong> de &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente degradada (dano em APP).</p></li></ul> <p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico, embora n&atilde;o tenha obtido laudo de valora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica espec&iacute;fico para este im&oacute;vel, demonstrou em ju&iacute;zo que, em caso an&aacute;logo analisado pelo CAOMA, o dano ambiental em im&oacute;vel semelhante foi estimado em R$ 4.500.000,00 (quatro milh&otilde;es e quinhentos mil reais) para &aacute;rea de extens&atilde;o compar&aacute;vel.</p> <p>Assim, nos termos do artigo 387, inciso IV, do C&oacute;digo de Processo Penal, <strong>fixo como valor m&iacute;nimo a t&iacute;tulo de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos ambientais</strong> o montante de <strong>R$ 4.500.000,00 (quatro milh&otilde;es e quinhentos mil reais)</strong>, nos termos do pleito ministerial, considerando a extens&atilde;o da &aacute;rea degradada (426,9982 ha), o dano a &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente -APP (18,8379 ha), e o d&eacute;ficit da reserva legal (77,3557 ha), a perda de biodiversidade e os custos estim&aacute;veis de recomposi&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o (Projeto de Recupera&ccedil;&atilde;o de &Aacute;rea Degradada - PRAD).</p> <p>Determino:</p> <p>1. O valor de R$ 4.500.000,00 (quatro milh&otilde;es e quinhentos mil reais) seja executado judicialmente em caso de n&atilde;o pagamento volunt&aacute;rio, sem preju&iacute;zo da imposi&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es de fazer (Projeto de Recupera&ccedil;&atilde;o de &Aacute;rea Degradada) que seguem. (CPP, art. 387, IV)</p> <p>2. O r&eacute;u dever&aacute;, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, apresentar Plano de Recupera&ccedil;&atilde;o de &Aacute;rea Degradada (PRAD) elaborado por t&eacute;cnico habilitado, com cronograma e or&ccedil;amento detalhado, a ser submetido &agrave; an&aacute;lise e aprova&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o ambiental competente e ao ju&iacute;zo. Enquanto n&atilde;o comprovada a efetiva recomposi&ccedil;&atilde;o por laudo t&eacute;cnico habilitado, permanecer&aacute; a obriga&ccedil;&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria.</p> <p>A paralela execu&ccedil;&atilde;o do PRAD dever&aacute; ser fiscalizada pela autoridade ambiental competente e pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico; a extin&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o de indenizar depender&aacute; do laudo t&eacute;cnico que ateste a recupera&ccedil;&atilde;o.</p> <p>3. Interdi&ccedil;&atilde;o de atividade: determino a proibi&ccedil;&atilde;o, enquanto n&atilde;o comprovada a regulariza&ccedil;&atilde;o ambiental e implementa&ccedil;&atilde;o do PRAD, de novas supress&otilde;es de vegeta&ccedil;&atilde;o na Fazenda S&atilde;o Jo&atilde;o II, bem como a suspens&atilde;o de autoriza&ccedil;&otilde;es ou cadastros que possam permitir a continuidade da pr&aacute;tica delet&eacute;ria &mdash; medidas a serem operacionalizadas pelo &oacute;rg&atilde;o ambiental competente.</p> <p> </p> <p><strong>DO DIREITO DE APELAR EM LIBERDADE</strong></p> <p>Considerando a pena aplicada e que o r&eacute;u j&aacute; responde ao processo solto, <strong><u>concedo o direito de apelar em liberdade.</u></strong></p> <p> </p> <p><strong>DAS CUSTAS PROCESSUAIS</strong></p> <p>Condeno o sentenciado ao pagamento das custas processuais, nos termos do artigo 804 do C&oacute;digo de Processo Penal.</p> <p> </p> <p><strong>DISPOSI&Ccedil;&Otilde;ES GERAIS FINAIS</strong></p> <p>Oficie-se ao Instituto Nacional de Informa&ccedil;&atilde;o (DPF-INI) e &agrave; Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Estado do Tocantins (SSP/TO), informando-lhes sobre a condena&ccedil;&atilde;o do acusado, para fins de lan&ccedil;amento de dados na Rede INFOSEG e estat&iacute;stica criminal, nos termos do artigo 809, inciso VI, do C&oacute;digo de Processo Penal.</p> <p>Intime-se o &oacute;rg&atilde;o ambiental para adotar medidas administrativas pertinentes e fiscalizar o PRAD.</p> <p>Comunique-se a Procuradoria do Estado acerca da obriga&ccedil;&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o e da possibilidade de ressarcimento ao er&aacute;rio, se couber.</p> <p> </p> <p><strong>TRANSITADA EM JULGADO A SENTEN&Ccedil;A</strong></p> <p>1. Deixo de ordenar a inser&ccedil;&atilde;o do nome do acusado no rol dos culpados, em raz&atilde;o da revoga&ccedil;&atilde;o do artigo 393, inciso II, do C&oacute;digo de Processo Penal;</p> <p>2. Certifique-se do tr&acirc;nsito em julgado da decis&atilde;o;</p> <p>3. Oficie-se ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Tocantins (TRE/TO), para os fins do disposto no artigo 71, &sect;2<sup>o</sup>, do C&oacute;digo Eleitoral, c/c artigo 15, inciso III, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal;</p> <p>4. Encaminhem-se os autos &agrave; Contadoria para o c&aacute;lculo das custas processuais. Ap&oacute;s, intime-se o acusado para o devido recolhimento.</p> <p>5. Promova-se a extra&ccedil;&atilde;o das cartas de guia de execu&ccedil;&atilde;o, nos termos dos artigos 105 e 106 da Lei n&deg; 7.210/1984 (Lei de Execu&ccedil;&otilde;es Penais).</p> <p>Intime-se.</p> <p>Cumpra-se.</p> <p>Data certificada no sistema.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

13/04/2026, 00:00

MAND DISTRIBUIDO AO OFICIAL JUSTICA - Refer. ao Evento: 73

10/04/2026, 16:23

Expedido Mandado - TOPARCEMAN

10/04/2026, 16:23

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Sentença

10/04/2026, 15:04

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Sentença

10/04/2026, 15:04

Julgamento - Com Resolução do Mérito - Procedência em Parte

08/04/2026, 17:23

Conclusão para julgamento

26/02/2026, 10:11
Documentos
DECISÃO/DESPACHO
23/04/2026, 14:28
SENTENÇA
08/04/2026, 17:23
DECISÃO/DESPACHO
03/02/2026, 17:36
DECISÃO/DESPACHO
22/05/2025, 16:13
DECISÃO/DESPACHO
13/05/2025, 16:01
DECISÃO/DESPACHO
07/05/2025, 18:11
DECISÃO/DESPACHO
23/04/2025, 10:43
DECISÃO/DESPACHO
11/02/2025, 10:23
DECISÃO/DESPACHO
17/07/2024, 21:36
ATA DE AUDIÊNCIA
17/06/2024, 17:22
DECISÃO/DESPACHO
14/05/2024, 23:50
DECISÃO/DESPACHO
28/09/2023, 09:48