TJPI - 0802544-17.2021.8.18.0065
2ª instância - Câmara / Desembargador(a) Gabinete Des. Francisco Gomes da Costa Neto
Processos Relacionados - Outras Instâncias
Polo Ativo
Advogados
Nenhum advogado registrado.
Polo Passivo
Advogados
Nenhum advogado registrado.
Movimentações
Todas as movimentações dos processos publicadas pelos tribunais
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02/07/2025 11:07
Arquivado Definitivamente
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02/07/2025 11:07
Baixa Definitiva
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02/07/2025 11:07
Remetidos os Autos (outros motivos) para a instância de origem
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02/07/2025 11:06
Transitado em Julgado em 02/07/2025
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02/07/2025 11:06
Expedição de Certidão.
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02/07/2025 03:00
Decorrido prazo de BANCO DO BRASIL SA em 01/07/2025 23:59.
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06/06/2025 11:31
Juntada de manifestação
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06/06/2025 00:24
Publicado Intimação em 06/06/2025.
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06/06/2025 00:24
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 06/06/2025
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06/06/2025 00:24
Publicado Intimação em 06/06/2025.
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06/06/2025 00:24
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 06/06/2025
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05/06/2025 00:00
Intimação
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0802544-17.2021.8.18.0065 APELANTE: MARIA PEREIRA DE SOUSA SANTOS Advogado(s) do reclamante: LARISSA BRAGA SOARES DA SILVA APELADO: BANCO DO BRASIL SA Advogado(s) do reclamado: PAULO EDUARDO PRADO, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI RELATOR(A): Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL.
APELAÇÃO CÍVEL.
JUSTIÇA GRATUITA.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CUSTAS E HONORÁRIOS.
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ.
COMPROVAÇÃO DO DOLO.
MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO.
PROVIMENTO PARCIAL. 1.
Apelação cível interposta contra sentença que condenou a parte apelante ao pagamento de custas judiciais, honorários advocatícios e multa por litigância de má-fé.
A apelante sustenta que faz jus à gratuidade da justiça e que não praticou conduta dolosa que justificasse a condenação por má-fé processual. 2.
Há duas questões em discussão: (i) definir se a gratuidade da justiça concedida à apelante autoriza a suspensão da exigibilidade das custas e dos honorários advocatícios; e (ii) estabelecer se a condenação por litigância de má-fé se sustenta diante da necessidade de comprovação do dolo da parte. 3.
A gratuidade da justiça, uma vez deferida, suspende a exigibilidade do pagamento das custas e dos honorários advocatícios, conforme prevê o art. 98, § 3º, do CPC. 4.
A condenação por litigância de má-fé exige a demonstração do dolo da parte, nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça. 5.
No caso concreto, restou comprovado que a apelante alterou maliciosamente a verdade dos fatos ao afirmar que os descontos em seu benefício previdenciário estavam ocorrendo, quando, na realidade, o empréstimo consignado havia sido excluído antes do início dos supostos descontos. 6.
O benefício da justiça gratuita não exime a parte do pagamento da multa por litigância de má-fé, pois esta possui natureza sancionatória e não se confunde com as custas e despesas processuais. 7.
Recurso parcialmente provido, apenas para consignar que a cobrança das custas judiciais e dos honorários advocatícios fica com exigibilidade suspensa em virtude da gratuidade da justiça deferida, mantendo-se a condenação por litigância de má-fé.
RELATÓRIO Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por MARIA PEREIRA DE SOUSA SANTOS, contra sentença proferida pelo d. juízo a quo nos autos da Ação Declaratória de Nulidade Contratual c/c Repetição de Indébito e Indenização por Danos Morais (Proc. nº 0802544-17.2021.8.18.0065), ajuizada em face do BANCO DO BRASIL S/A., ora apelado.
Na sentença (ID. 18629086), o d. juízo de 1º grau julgou improcedente a demanda ao entender pela legalidade do contrato de empréstimo consignado firmado entre as partes, condenando “a Parte Autora no pagamento das custas processuais devidas, honorários advocatícios no valor de 10% sobre o valor da causa e mais 5% de multa por litigância de má-fé sobre o valor da causa”.
Nas suas razões recursais (id. 18629087), a apelante aduz ser beneficiária da justiça gratuita e, por esta razão, requer que os valores relativos as custas processuais sejam suspensas assim como se insurge contra a multa por litigância de má-fé a ela aplicada.
Alega que não restou demonstrado que agiu de forma dolosa ou culposa a causar prejuízo na parte adversa.
Requer o provimento do recurso, com a reforma da sentença de origem.
Nas contrarrazões (id. 18629093), o apelado pugna pela manutenção da sentença de origem, eis que restou caracterizada a litigância de má-fé.
Instado, o Ministério Público do estado do Piauí devolveu os autos sem manifestação da questão de mérito. É o relatório.
Inclua-se em pauta.
Teresina-PI, data registrada em sistema.
VOTO I.
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, conheço da apelação.
Justiça gratuita deferida na origem.
II.
MÉRITO Inicialmente, a apelante se insurge contra o pagamento das custas judiciais e dos honorários advocatícios, sob o fundamento de que é possuidora dos benefícios da justiça gratuita, que requer, novamente, em grau recursal.
Ocorre que conforme se infere no despacho inicial localizado no id 18629074, a justiça gratuita foi deferida e novamente reforçada no id 18629083, motivo pelo qual a sua exigibilidade fica suspensa, nos termos do art. 98, §3º, do CPC.
No que diz respeito a condenação à multa por litigância de má-fé, a apelante alega que não cometeu conduta dolosa que caracterizasse tal condenação. É imperioso frisar que o entendimento jurisprudencial majoritário é no sentido de que a configuração da litigância de má-fé depende da configuração do dolo da parte, que deve ficar comprovado nos autos.
Nessa direção, são os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
BRASIL TELECOM S.A.
MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ (ART. 18, CAPUT e § 2º, CPC).
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO PREVISTO EM LEI.
AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO.
AFASTAMENTO DA PENA.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE. 1 – Deve ser afastada a aplicação de multa por litigância de má-fé (art. 18, caput e § 2º, do CPC) quando a parte interpõe recurso previsto em lei e não demostrado o dolo do recorrente.
Precedentes. 2.
Agravo regimental não provido. (STJ – AgRg no AREsp 315309 SC 2013/0076251-7, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento: 19/09/2013, T3 – TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/09/2013) PROCESSUAL CIVIL.
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
VIOLAÇÃO DO ART. 535/1973.
NÃO OCORRÊNCIA.
EMBARGOS À EXECUÇÃO.
VALORES PAGOS ADMINISTRATIVAMENTE.
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ.
ARTIGO 17 DO CPC/1973.
CARACTERIZAÇÃO.
ALTERAÇÃO DAS CONCLUSÕES FIRMADAS NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS.
IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ.
CÁLCULOS DA CONTADORIA.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
REEXAME DA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA.
IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1.
Não se vislumbra a ocorrência de nenhum dos vícios elencados no artigo 535 do CPC/1973 a reclamar a anulação do julgado, mormente quando o acórdão recorrido está devidamente fundamentado. 2.
Nos termos dos arts. 17 e 18 do CPC/1973, para que haja condenação por litigância de má-fé, é necessária a comprovação do dolo da parte.
Na espécie, consignou-se na sentença que tal requisito foi comprovado, de modo que, para alterar as conclusões firmadas, passaria pelo reexame do conjunto fático-probatório, encontrando óbice no teor da Súmula 7/STJ (c.f.: AgRg no AREsp 324.361/BA, Rel.
Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 3/4/2014).3.
A pretensão de revisão do entendimento proferido na origem acerca da não existência de diferenças e da ocorrência de cerceamento de defesa implica, na espécie, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é obstado pela Súmula 7/STJ.
Precedente: AgRg no AREsp 556.811/RJ, Rel.
Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/10/2014) 4.
Agravo interno não provido. (STJ – AgInt no AREsp: 238991 RS 2012/0209251-1, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 06/12/2016, T1 – PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 02/02/2017). (Grifou-se).
Em análise aos autos, verifica-se que a apelante falseou a verdade dos fatos, quando afirmou que seu benefício de renda mínima da Previdência Social estaria sendo minguado pelos descontos inerentes ao empréstimo consignado e os documentos juntados pela Parte Ré demonstram, de maneira irrefutável, que tais descontos não ocorreram, uma vez que o histórico de consignados anexado aos autos demonstrado que o empréstimo foi excluído antes mesmo de qualquer desconto.
Com efeito, o processo tem vocação ética e impõe deveres correlatos às partes, de modo que a prática maliciosa de alteração dos fatos é incompatível com a dignidade da Justiça, razão por que deve ser mantida incólume a decisão recorrida em todos os seus termos.
Advirto ainda, que o benefício da justiça gratuita não exime a apelante do pagamento da multa por litigância de má-fé.
III.
DISPOSITIVO Com estes fundamentos, CONHEÇO DA APELAÇÃO e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para fazer constar na sentença que a cobrança das custas judiciais e dos honorários sucumbenciais ficam em condição de suspensão de exigibilidade em virtude da gratuidade da justiça deferida, mantendo-se a sentença nos demais pontos questionados.
Preclusas as vias impugnatórias, dê-se baixa na distribuição, remetendo-se os autos ao juízo de origem. É como voto.
Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO Relator -
04/06/2025 10:41
Expedição de Outros documentos.
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04/06/2025 10:41
Expedição de Outros documentos.
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03/06/2025 20:24
Conhecido o recurso de MARIA PEREIRA DE SOUSA SANTOS - CPF: *01.***.*04-45 (APELANTE) e provido em parte
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16/05/2025 12:39
Deliberado em Sessão - Julgado - Mérito
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16/05/2025 12:38
Juntada de Petição de certidão de julgamento colegiado
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30/04/2025 11:56
Juntada de Petição de manifestação
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29/04/2025 00:17
Publicado Certidão de Inclusão em Pauta em 29/04/2025.
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29/04/2025 00:17
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 29/04/2025
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28/04/2025 16:03
Expedição de Outros documentos.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Outros documentos.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Intimação de processo pautado.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Certidão de Publicação de Pauta.
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28/04/2025 11:59
Juntada de Petição de manifestação
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28/04/2025 00:00
Intimação
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 4ª Câmara Especializada Cível PROCESSO: 0802544-17.2021.8.18.0065 CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198) APELANTE: MARIA PEREIRA DE SOUSA SANTOS Advogado do(a) APELANTE: LARISSA BRAGA SOARES DA SILVA - PI9079-A APELADO: BANCO DO BRASIL SA Advogados do(a) APELADO: PAULO EDUARDO PRADO - SP182951-A, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI - PI7197-A RELATOR(A): Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO DATA E HORÁRIO DE INÍCIO: 09/05/2025 - 14:00 CERTIDÃO DE INCLUSÃO EM PAUTA DE JULGAMENTO De ordem do Presidente do Órgão Colegiado, a Secretaria Judiciária do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí torna público a todos os interessados, que o processo em epígrafe foi incluído em pauta de julgamento para apreciação na Sessão do Plenário Virtual da 4ª Câmara Especializada Cível de 09/05/2025 a 16/05/2025 - Relator: Des.
Costa Neto.
Para mais informações, entre em contato pelos telefones disponíveis na página da unidade no site do Tribunal: https://transparencia.tjpi.jus.br/units/110001959/public.
SECRETARIA JUDICIÁRIA, em Teresina, 25 de abril de 2025. -
25/04/2025 10:11
Expedição de Outros documentos.
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25/04/2025 10:08
Inclusão do processo para julgamento eletrônico de mérito
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24/04/2025 21:42
Pedido de inclusão em pauta virtual
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31/10/2024 11:20
Conclusos para o Relator
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26/10/2024 00:05
Decorrido prazo de BANCO DO BRASIL SA em 25/10/2024 23:59.
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08/10/2024 14:29
Juntada de manifestação
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08/10/2024 14:03
Juntada de Petição de manifestação
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03/10/2024 12:52
Expedição de Outros documentos.
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03/10/2024 12:52
Expedição de Outros documentos.
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03/10/2024 12:52
Expedição de Outros documentos.
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23/09/2024 16:20
Recebido o recurso Com efeito suspensivo
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17/07/2024 23:13
Juntada de Certidão de distribuição anterior
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17/07/2024 13:27
Recebidos os autos
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17/07/2024 13:27
Conclusos para Conferência Inicial
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17/07/2024 13:27
Distribuído por sorteio
Detalhes
Situação
Ativo
Ajuizamento
17/07/2024
Ultima Atualização
05/06/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Detalhes
Documentos
ACÓRDÃO SEGUNDO GRAU • Arquivo
DECISÃO • Arquivo
ATO ORDINATÓRIO • Arquivo
SENTENÇA • Arquivo
DESPACHO • Arquivo
DESPACHO • Arquivo
DESPACHO • Arquivo
ATO ORDINATÓRIO • Arquivo
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