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2000030-06.2025.9.13.0001

Acao Penal Militar Procedimento OrdinarioFalsidade ideológicaFalsidadeCrimes contra a Administração MilitarDIREITO PENAL MILITAR
TJMMG1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
27/05/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Orgao julgador
Juiz Substituto da 1ª Auditoria - Criminal
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Publicacao/Comunicacao Intimação Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Apela&ccedil;&atilde;o Criminal N&ordm; 2000030-06.2025.9.13.0001/JME</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador JAMES FERREIRA SANTOS</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: ANDRE LUIS DOS SANTOS (R&Eacute;U)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: GERALDO DIAS DA SILVA JUNIOR (OAB MG181001)</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: JEANE LUCIA DE ASSIS SOUZA (R&Eacute;U)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: PAULO HENRIQUE SOUZA RIBEIRO (OAB MG158375)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL. DIREITO PENAL MILITAR E DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR. CRIME DE VIOL&Ecirc;NCIA ARBITR&Aacute;RIA [ART. 322 DO C&Oacute;DIGO PENAL (CP) COMUM]. </strong><strong>PRELIMINAR DE INCOMPET&Ecirc;NCIA DO JU&Iacute;ZO SINGULAR. REJEI&Ccedil;&Atilde;O. </strong><strong>MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DA CONDENA&Ccedil;&Atilde;O DE PRIMEIRA INST&Acirc;NCIA EM RELA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; R&Eacute; JEANE L&Uacute;CIA DE ASSIS SOUZA &ndash; REFORMA DA SENTEN&Ccedil;A, COM ABSOLVI&Ccedil;&Atilde;O DO R&Eacute;U ANDR&Eacute; LUIS DOS SANTOS &ndash; FUNDAMENTO NO PRINC&Iacute;PIO DO <em>IN DUBIO PRO REO</em> (ART. 439, AL&Iacute;NEA &ldquo;E&rdquo;, DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO PENAL MILITAR). CRIME DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA (ART. 312 DO C&Oacute;DIGO PENAL MILITAR) &ndash; SENTEN&Ccedil;A ABSOLUT&Oacute;RIA DE PRIMEIRO GRAU MANTIDA &ndash;RECURSO DO MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO DESPROVIDO.</strong></p> <p>- Trata-se de recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pela defesa do Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos e da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza contra a senten&ccedil;a prolatada pelo ju&iacute;zo singular da 3&ordf; Auditoria de Justi&ccedil;a Militar Estadual que os condenou, pela pr&aacute;tica do crime de <strong>viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria</strong>, previsto no artigo 322 do CP comum, &agrave;s penas de 6 (seis) e 9 (nove) meses de deten&ccedil;&atilde;o, respectivamente, a serem cumpridas em regime aberto.</p> <p>- O fato ocorreu em abordagem policial (na cidade de Oliveira - MG, no dia 07 de outubro de 2023, durante a madrugada, em uma rua com ilumina&ccedil;&atilde;o deficiente) a dois indiv&iacute;duos que ocupavam uma motocicleta com os far&oacute;is apagados e descarga ruidosa, os quais, depois de desobedecerem a placa de parada obrigat&oacute;ria, ainda se opuseram &agrave; ordem legal de parada emitida pelos militares da guarni&ccedil;&atilde;o.</p> <p>- A senten&ccedil;a foi reformada, para absolver o Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos, em face de d&uacute;vida razo&aacute;vel relacionada &agrave; tentativa de evas&atilde;o do local pelo condutor da motocicleta.</p> <p>- A senten&ccedil;a condenat&oacute;ria foi mantida em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, em face da comprova&ccedil;&atilde;o, nos autos, dos tapas que ela desferiu no rosto dos dois abordados, quando j&aacute; se encontravam imobilizados e sem oferecer resist&ecirc;ncia, um deles algemado, inclusive.</p> <p>- A senten&ccedil;a absolut&oacute;ria prolatada pelo Conselho Permanente de Justi&ccedil;a foi mantida em rela&ccedil;&atilde;o ao crime de falsidade ideol&oacute;gica, quanto &agrave; 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, por n&atilde;o se ter demonstrado nos autos, inequivocamente, o dolo espec&iacute;fico, que &eacute; um elemento normativo indispens&aacute;vel &agrave; subsun&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica.</p> <p>- No caso concreto, a an&aacute;lise do conjunto probat&oacute;rio revela, no m&aacute;ximo, uma diverg&ecirc;ncia interpretativa acerca da din&acirc;mica dos fatos vivenciados pela acusada no momento da ocorr&ecirc;ncia, especialmente quanto &agrave; leitura que fez da conduta do envolvido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, enquanto piloto da motocicleta, na sua tentativa de evas&atilde;o do local.</p> <p>Recurso da defesa do Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos a que se d&aacute; provimento. Recurso da defesa da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico a que se nega provimento.</p> <p><strong>(Desembargador James Ferreira Santos, relator)</strong></p> <p> </p> <p><strong>APELA&Ccedil;&Otilde;ES CRIMINAIS &ndash; VIOL&Ecirc;NCIA ARBITR&Aacute;RIA [ART. 322 DO C&Oacute;DIGO PENAL (CP)] E FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA [ART. 312 DO C&Oacute;DIGO PENAL MILITAR (CPM)] &ndash; PRELIMINAR DE INCOMPET&Ecirc;NCIA DO JU&Iacute;ZO SINGULAR &ndash; REJEI&Ccedil;&Atilde;O &ndash; USO DESPROPORCIONAL DA FOR&Ccedil;A EM ABORDAGEM POLICIAL &ndash; V&Iacute;TIMA J&Aacute; DOMINADA &ndash; AUS&Ecirc;NCIA DE JUSTIFICATIVA PARA A INTENSIDADE DA INTERVEN&Ccedil;&Atilde;O ESTATAL &ndash; CRIME FORMAL &ndash; IRRELEV&Acirc;NCIA DA AUS&Ecirc;NCIA DE LES&Otilde;ES APARENTES &ndash; MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DA CONDENA&Ccedil;&Atilde;O DOS APELANTES &ndash; NECESSIDADE &ndash; RECURSOS DEFENSIVOS DESPROVIDOS &ndash; INSER&Ccedil;&Atilde;O DE NARRATIVA INVER&Iacute;DICA EM BOLETIM DE OCORR&Ecirc;NCIA &ndash; ATRIBUI&Ccedil;&Atilde;O DE RESIST&Ecirc;NCIA N&Atilde;O DEMONSTRADA &ndash; INCOMPATIBILIDADE ENTRE O REGISTRO OFICIAL E A PROVA PRODUZIDA &ndash; ALTERA&Ccedil;&Atilde;O DA VERDADE SOBRE FATO JURIDICAMENTE RELEVANTE &ndash; DOLO ESPEC&Iacute;FICO CONFIGURADO &ndash; APAR&Ecirc;NCIA DE LEGALIDADE &Agrave; ATUA&Ccedil;&Atilde;O POLICIAL &ndash; VIOLA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; ADMINISTRA&Ccedil;&Atilde;O MILITAR E &Agrave; F&Eacute; P&Uacute;BLICA &ndash; CONDENA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; VIABILIDADE &ndash; RECURSO MINISTERIAL PROVIDO.</strong></p> <p>&ndash; Mant&eacute;m-se a compet&ecirc;ncia do ju&iacute;zo singular para processamento e julgamento do delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, nos termos da orienta&ccedil;&atilde;o consolidada do Supremo Tribunal Federal.</p> <p>- Tendo sido comprovado, por meio de prova audiovisual corroborada por depoimentos firmes e coerentes, que os apelantes empregaram for&ccedil;a desproporcional em abordagem policial, inclusive contra v&iacute;tima j&aacute; dominada, sem justificativa plaus&iacute;vel, configurado est&aacute; o delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria.</p> <p>- A aus&ecirc;ncia de les&otilde;es aparentes n&atilde;o afasta a configura&ccedil;&atilde;o do crime previsto no art. 322 do CP, por se tratar de delito formal que se consuma com o emprego indevido da viol&ecirc;ncia, independentemente de resultado natural&iacute;stico.</p> <p>- A prova produzida afasta a alega&ccedil;&atilde;o de estrito cumprimento do dever legal, evidenciando que a conduta dos acusados extrapolou os limites da atua&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima e se inseriu no campo da arbitrariedade.</p> <p>- Configura falsidade ideol&oacute;gica a inser&ccedil;&atilde;o, em boletim de ocorr&ecirc;ncia, de narrativa incompat&iacute;vel com a realidade dos fatos, especialmente quando se atribui &agrave;s v&iacute;timas comportamento de resist&ecirc;ncia n&atilde;o demonstrado nos autos.</p> <p>- A incompatibilidade entre o registro oficial e a prova audiovisual e testemunhal evidencia a altera&ccedil;&atilde;o da verdade sobre fato juridicamente relevante, elemento essencial &agrave; configura&ccedil;&atilde;o do delito previsto no art. 312 do CPM.</p> <p>- O dolo espec&iacute;fico resta demonstrado pelas circunst&acirc;ncias do caso, notadamente pela inser&ccedil;&atilde;o de narrativa voltada a justificar o uso da for&ccedil;a, conferindo apar&ecirc;ncia de legalidade &agrave; atua&ccedil;&atilde;o estatal.</p> <p>- A conduta, ao distorcer a realidade f&aacute;tica em documento p&uacute;blico, atenta contra a administra&ccedil;&atilde;o militar e vulnera a f&eacute; p&uacute;blica que deve revestir os registros oficiais.</p> <p><strong>(Desembargador Fernando Armando Ribeiro, revisor)</strong></p></section> <section> <p align="center">AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> </section> <section> <p><strong>AC&Oacute;RD&Atilde;O</strong></p> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores da Segunda C&acirc;mara o que segue.</p> <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao <strong>recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pelo</strong> <strong>Minist&eacute;rio P&uacute;blico</strong>, por maioria, em negar provimento<strong> </strong>ao<strong> </strong>recurso ministerial, mantendo a senten&ccedil;a de primeiro grau que absolveu a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia Assis Souza do crime de falsidade ideol&oacute;gica previsto no art. 312 do C&oacute;digo Penal Militar (CPM), com fundamento na al&iacute;nea &ldquo;b&rdquo; do art. 439 do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM). Vencido o desembargador Fernando Armando Ribeiro, que deu provimento ao recurso, para condenar a 2&ordm; Sgt Jeane L&uacute;cia de Assis Souza como incursa nas san&ccedil;&otilde;es do art. 312 do CPM (falsidade ideol&oacute;gica), fixando-lhe a pena em 1 (um) ano de reclus&atilde;o, em regime inicial aberto, com concess&atilde;o do <em>sursis</em>, nos termos da fundamenta&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao <strong>recurso de apela&ccedil;&atilde;o manejado pelo Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos</strong>, por maioria, em dar provimento ao recurso,<strong> </strong>para reforma da senten&ccedil;a de primeiro grau, a fim de absolv&ecirc;-lo do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, previsto no art. 322 do C&oacute;digo Penal (CP) comum, tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao ofendido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, com fundamento no princ&iacute;pio do<em> in dubio pro reo</em>. Vencido o desembargador Fernando Armando Ribeiro, que negou provimento ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pela defesa, mantendo integralmente a sua condena&ccedil;&atilde;o pela pr&aacute;tica do referido delito, nos exatos termos da r. senten&ccedil;a.</p> <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao <strong>recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pela 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza</strong>, por unanimidade, em afastar a preliminar arguida pela defesa e, no m&eacute;rito, tamb&eacute;m por unanimidade, em negar provimento ao recurso, mantendo, integralmente, a senten&ccedil;a de primeiro grau que a condenou &agrave; pena total de 1 (um) ano de deten&ccedil;&atilde;o, pelo crime do art. 322 (viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria) do CP comum, por 2 (duas) vezes, praticado contra os civis Kau&atilde; de Oliveira Rezende e Artur Henrique Santos de Toledo.</p> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p> Trata-se de apela&ccedil;&otilde;es criminais, num total de 03 (tr&ecirc;s), interpostas:</p> <p>1. pelo Sd PM Andr&eacute; Luis dos Santos, em oposi&ccedil;&atilde;o a decis&atilde;o do ju&iacute;zo singular da 1&ordf; Auditoria Judici&aacute;ria Militar Estadual (AJME) que, julgando parcialmente procedente a den&uacute;ncia, o condenou, pelo crime descrito no art. 322 (viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria) do C&oacute;digo Penal (CP) comum, contra o civil Kau&atilde; Oliveira Rezende, nos termos da respeit&aacute;vel senten&ccedil;a acostada no evento 244 dos autos de primeira inst&acirc;ncia, &agrave; pena de 6 (seis) meses de deten&ccedil;&atilde;o, com direito &agrave; suspens&atilde;o condicional da pena;</p> <p>2. pela 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, em oposi&ccedil;&atilde;o a decis&atilde;o do ju&iacute;zo singular da 1&ordf; AJME que, julgando parcialmente procedente a den&uacute;ncia, a condenou, pelo crime descrito no art. 322 (viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria) do CP, contra os civis Kau&atilde; Oliveira Rezende e Arthur Henrique Santos de Toledo, nos termos da respeit&aacute;vel senten&ccedil;a acostada no evento 244 dos autos de primeira inst&acirc;ncia, &agrave; pena de 1 (um ano de deten&ccedil;&atilde;o), com direito &agrave; suspens&atilde;o condicional da pena;</p> <p>3. pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, contra a decis&atilde;o do Conselho Permanente de Justi&ccedil;a (CPJ) da 1&ordf; AJME que absolveu a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza do crime de falsidade ideol&oacute;gica capitulado no art. 312 do C&oacute;digo Penal Militar (CPM);</p> <p>A den&uacute;ncia foi narrada nos seguintes termos: </p> <p>O MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, pela Promotora de Justi&ccedil;a signat&aacute;ria, com fundamento no art. 129, inciso I, da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, e no art. 41 do C&oacute;digo de Processo Penal, vem, perante Vossa Excel&ecirc;ncia, oferecer DEN&Uacute;NCIA em face de:</p> <p><strong>ANDR&Eacute; LUIS DOS SANTOS</strong>, brasileiro, casado, policial militar, natural de Rit&aacute;polis/MG, nascido em 22/02/1991, filho de Trindade de Lourdes Santos, documento de identidade MG-17.420-958 e CPF 109.055.466-44, com domic&iacute;lio na Rua Francisco Barreto, n&ordm; 100, Bairro Centro, Oliveira/MG; </p> <p><strong><span>EVANDRO BATISTA DE FREITAS</span></strong>, brasileiro, solteiro, policial militar, natural de Tiradentes/MG, nascido aos 10/03/1989, filho de Marilza de Lourdes Paiva Freitas e Ant&ocirc;nio Batista de Freitas, documento de identidade MG 14-610.931 e CPF 098.439.606-37, domiciliado na Rua Francisco Barreto, n&ordm; 100, Bairro Centro, Oliveira/MG e</p> <p><strong><span>JEANE LUCIA DE ASSIS SOUZA</span></strong>, brasileira, casada, policial militar, natural de S&atilde;o Jo&atilde;o Del Rei/MG, nascido em 09/04/1987, filha de Ad&eacute;lia da Costa Assis e Jesus Ferreira de Assis, documento de identidade MG-15.454-705 e CPF 087.357.286-62, com domic&iacute;lio na Rua Francisco Barreto, n&ordm; 100, Bairro Centro, Oliveira/MG</p> <p>Segundo consta no incluso inqu&eacute;rito policial, no dia 07/10/2023, &agrave;s 01h11min, na Rua Jos&eacute; Pedro Silveira, n&ordm; 290, Bairro Dona Nen&eacute;m, Oliveira/MG, os tr&ecirc;s denunciados, todos policiais militares, durante uma abordagem por eles realizada, praticaram viol&ecirc;ncia, no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o, contra Arthur Henrique Santos Toledo e Kau&atilde; Oliveira Rezende.</p> <p>Tal como se infere dos autos, na data e local supramencionados, os militares, durante patrulhamento, visualizaram a v&iacute;tima Arthur na condu&ccedil;&atilde;o de uma motocicleta, acompanhado de um passageiro, Kau&atilde;.</p> <p>&Eacute; de conhecimento que ambos os integrantes da motocicleta haviam sido abordados horas antes pelos mesmos militares, nas imedia&ccedil;&otilde;es da Pra&ccedil;a XV de Novembro, e apesar de submetidos &agrave; busca pessoal, nada de il&iacute;cito foi encontrado nessa primeira abordagem.</p> <p>Os militares, ent&atilde;o, ao se depararem mais uma vez com a dupla, cercaram a motocicleta de imediato, com o intento de abord&aacute;-los novamente.</p> <p>Na segunda abordagem, o condutor da moto, Arthur, tentou se esquivar da viatura policial e direcionou a moto &agrave; cal&ccedil;ada, momento em que o denunciado Andr&eacute; Luis dos Santos, ocupante do banco traseiro da viatura, rapidamente saiu do autom&oacute;vel e se dirigiu &agrave; motocicleta. Ao alcan&ccedil;&aacute;-la, agrediu o condutor do ve&iacute;culo com tr&ecirc;s socos no capacete que protegia a cabe&ccedil;a da v&iacute;tima e atirou-o ao ch&atilde;o logo ap&oacute;s, como retratam as imagens da c&acirc;mera de seguran&ccedil;a instalada nas proximidades do local.</p> <p>Em seguida, os denunciados Andr&eacute; Luis e Evandro imobilizaram as v&iacute;timas e, nesse momento, com ambas as v&iacute;timas detidas por esses dois militares, a denunciada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza desferiu dois tapas no rosto de cada um dos abordados</p> <p>Posteriormente, ao levar a v&iacute;tima Arthur para o cambur&atilde;o da viatura, o denunciado Andr&eacute; Luis dos Santos bateu a cabe&ccedil;a da referida v&iacute;tima contra a viatura policial por duas vezes, cena que tamb&eacute;m foi captada pelas imagens de c&acirc;meras de seguran&ccedil;a.</p> <p>2&ordm; Fato</p> <p>Ademais, ainda na data de 07/10/2023, &agrave;s 02h45m, como se depreende dos autos, a denunciada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza inseriu, em documento p&uacute;blico, declara&ccedil;&atilde;o falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obriga&ccedil;&atilde;o ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.</p> <p>Infere-se do incluso inqu&eacute;rito policial que, ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da abordagem mencionada no primeiro fato, a denunciada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, respons&aacute;vel pela lavratura do boletim de ocorr&ecirc;ncia, inseriu declara&ccedil;&atilde;o falsa no teor do documento p&uacute;blico, alterando a verdade sobre fato juridicamente relevante, uma vez que, no corpo do hist&oacute;rico de ocorr&ecirc;ncia, afirmou que as v&iacute;timas abordadas apresentaram rea&ccedil;&otilde;es, com gestos bruscos e que, por isso, foi necess&aacute;ria a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de imobiliza&ccedil;&atilde;o e algemas.</p> <p>Todavia, as filmagens claramente retratam que as v&iacute;timas n&atilde;o apresentaram rea&ccedil;&otilde;es violentas &agrave; abordagem, o que leva &agrave; conclus&atilde;o de que s&atilde;o inver&iacute;dicos os apontamentos feitos no boletim de ocorr&ecirc;ncia.</p> <p>Em face do exposto e considerando as provas colhidas, o MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS denuncia:</p> <p>Andr&eacute; Luis dos Santos como incurso nas san&ccedil;&otilde;es do art. 322 do C&oacute;digo Penal;</p> <p><span>Evandro Batista de Freitas</span> como incurso nas san&ccedil;&otilde;es do art. 322 do C&oacute;digo Penal;</p> <p>Jeane L&uacute;cia de Assis Souza como incursa nas san&ccedil;&otilde;es dos crimes do art. 312 do C&oacute;digo Penal Militar e 322 do C&oacute;digo Penal.</p> <p> ROL DE TESTEMUNHAS:</p> <p>1. Arthur Santos Toledo, v&iacute;tima;</p> <p>2. Kau&atilde; Oliveira Rezende, v&iacute;tima;</p> <p>3. Ramine Gudo Silva de Oliveira Rezende, genitora de Kau&atilde; (v&iacute;tima);</p> <p>[...]</p> <p>A den&uacute;ncia foi recebida em 13/01/2025, evento 2.</p> <p>A acusada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza respondeu &agrave; acusa&ccedil;&atilde;o, conforme evento 33; o acusado Andr&eacute; Luis dos Santos, evento 35; e o acusado <span>Evandro Batista de Freitas</span>, evento 39.</p> <p>No evento 40, foram ouvidas as testemunhas do processo, o envolvido Kau&atilde; de Oliveira Rezende (v&iacute;deo 2), Ramine Gudo de Oliveira Rezende, na condi&ccedil;&atilde;o de informante, por tratar-se da genitora de Kau&atilde; (v&iacute;deo 3); ausente a testemunha e ofendido Artur Santos Toledo.</p> <p>No evento 50, os autos foram redistribu&iacute;dos ao merit&iacute;ssimo juiz substituto em colabora&ccedil;&atilde;o na 1&ordf; AJME.</p> <p>As Certid&otilde;es de Antecedentes Criminais (CACs) dos acusados expedidas por este Tribunal foram colacionadas aos autos no evento 48; e as expedidas pela comarca de S&atilde;o Jo&atilde;o Del Rey, no evento 71.</p> <p>Na audi&ecirc;ncia do evento 78, foi ouvida a testemunha e ofendido Arthur Santos Toledo; e o ju&iacute;zo do feito, acatando parecer do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, indeferiu os requerimentos das defesas no sentido de se proceder a acarea&ccedil;&atilde;o entre os ofendidos Kau&atilde; e Arthur e de trancamento da a&ccedil;&atilde;o penal por falta de provas.</p> <p>O rol das testemunhas arroladas pelas defesas de Andr&eacute; Luis e Evandro Batista foi ratificado, enquanto foram dadas vistas dos autos &agrave; defesa da 2&ordm; Sgt PM Jeane &ndash; para os fins do art. 417, &sect; 2&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM) &ndash;, que arrolou, no evento 92 as testemunhas do seu interesse.</p> <p>Na audi&ecirc;ncia do evento 130, foi deliberado sobre a compet&ecirc;ncia do ju&iacute;zo singular para julgar o crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, em acatamento &agrave;s decis&otilde;es recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidadas, neste Tribunal de Justi&ccedil;a Militar, com o ac&oacute;rd&atilde;o dos Embargos Infringentes e de Nulidade n. 2000033-61.2025.9.13.0000, julgado em 04/06/2025, com a relatoria deste desembargador signat&aacute;rio. Na oportunidade, foi mantida a validade de todos os atos praticados anteriormente, em homenagem ao princ&iacute;pio do ju&iacute;zo aparente.</p> <p>Na audi&ecirc;ncia do evento 137, foram inquiridas as testemunhas arroladas pelas defesas dos acusados: 1&ordm; Ten PM Maycon Saturnino Neves, 2&deg; Sgt PM QPR Marcos Ant&ocirc;nio de Souza Cardoso, 3&ordm; Sgt PM Rodrigo Ferreira da Silva e Cb PM Alisson Aparecido Gouveia de F&aacute;tima. </p> <p>A defesa da 2&ordm; Sgt PM Jeane desistiu da oitiva da testemunha 3&ordm; Sgt PM Tiago Fonseca Carvalho, em que pese seu comparecimento ao ato processual. Em seguida, foram interrogados os acusados, oportunidade em que as partes foram intimadas para a fase do art. 427 do CPPM.</p> <p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico requereu, no evento 143, a juntada de CACs da Justi&ccedil;a comum, comarcas de Belo Horizonte e Oliveira &ndash; MG &ndash;, bem como dos Extratos de Registros Funcionais (ERFs), esses que igualmente foram requeridos pelas defesas dos acusados Andr&eacute; Luis e Jeane L&uacute;cia.</p> <p>As CACs da comarca de Belo Horizonte foram coladas aos autos no evento 156 e da comarca de Oliveira, no evento 157.</p> <p>Na fase do art. 428 do CPPM, a representante do Minist&eacute;rio P&uacute;blico juntou suas alega&ccedil;&otilde;es finais no evento 173, enquanto que as defesas t&eacute;cnicas de todos os militares optaram pela apresenta&ccedil;&atilde;o das alega&ccedil;&otilde;es orais na audi&ecirc;ncia de julgamento, essa que ocorreu nos termos do evento 225.</p> <p>Em seguida &agrave; leitura das principais pe&ccedil;as do processo, foi passada a palavra ao representante do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que, reiterando os termos das alega&ccedil;&otilde;es finais do evento 173, pugnou pela condena&ccedil;&atilde;o do Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos e da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, nos termos da den&uacute;ncia, e pela absolvi&ccedil;&atilde;o do Cb PM <span>Evandro Batista de Freitas</span>, nos termos do art. 439, al&iacute;nea "e", do CPPM. </p> <p>O advogad<u>o</u> doutor Geraldo Dias da Silva J&uacute;nior, patrocinando a defesa do acusado, Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos, requereu sua absolvi&ccedil;&atilde;o, nos termos do art. 439, al&iacute;neas "d" e "e", do CPPM, e, alternativamente, caso se entenda pela condena&ccedil;&atilde;o, requereu que se considere o m&iacute;nimo legal.</p> <p>A advogada doutora Nat&aacute;lia Aparecida Moreira Couto, patrocinando a defesa do acusado Cb PM <span>Evandro Batista de Freitas</span>, requereu sua absolvi&ccedil;&atilde;o, nos termos do art. 439, al&iacute;nea "e", do CPPM, e, alternativamente, requereu a aplica&ccedil;&atilde;o do <em>in dubio pro reo.</em></p> <p>O advogado doutor Paulo Henrique Souza Ribeiro, patrocinando a defesa da acusada 2&ordm; SGT PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, requereu sua absolvi&ccedil;&atilde;o do crime imputado no art. 322 do CP e do crime imputado no art. 312 do CPM, ambos nos termos do art. 439, al&iacute;nea "b", do CPPM. Subsidiariamente, requereu sua absolvi&ccedil;&atilde;o, nos termos do art. 439, al&iacute;nea "e", do CPPM, e, na hip&oacute;tese de prevalecer eventual condena&ccedil;&atilde;o, pleiteou a aplica&ccedil;&atilde;o da pena m&iacute;nima prevista para os tipos.</p> <p>O merit&iacute;ssimo juiz de direito substituto do Ju&iacute;zo Militar decidiu, monocraticamente:</p> <p>- condenar a r&eacute; Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, pela pr&aacute;tica do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, art. 322 do CP, contra os civis Kau&atilde; Oliveira Rezende e Arthur Henrique Santos de Toledo, em concurso material, &agrave; pena definitiva de 1 (um) ano de deten&ccedil;&atilde;o, em regime aberto, com direito &agrave; suspens&atilde;o condicional da pena; </p> <p>- condenar o r&eacute;u Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos, pela pr&aacute;tica do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, art. 322 do CP, contra o civil Kau&atilde; Oliveira Rezende, &agrave; pena definitiva de 6 (seis) meses de deten&ccedil;&atilde;o, em regime aberto, com direito &agrave; suspens&atilde;o condicional da pena;</p> <p>- absolver o r&eacute;u Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos pela pr&aacute;tica do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, art. 322 do CP, em face do civil Arthur Henrique Santos de Toledo, com fundamento no artigo 439, al&iacute;nea "c", do CPPM, por n&atilde;o existir prova de ter o acusado concorrido para a infra&ccedil;&atilde;o penal;</p> <p>- absolver o r&eacute;u <span>Evandro Batista de Freitas</span> da imputa&ccedil;&atilde;o do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, art. 322 do CP, com fundamento no artigo 439, al&iacute;nea "c", do CPPM, por n&atilde;o existir prova de ter o acusado concorrido para a infra&ccedil;&atilde;o penal.</p> <p>O CPJ, por maioria de 04 (quatro) votos a 1 (um), absolveu a r&eacute; Jeane L&uacute;cia de Assis Souza da imputa&ccedil;&atilde;o do crime de falsidade ideol&oacute;gica, art. 312 do CPM, e, por maioria de 03 (tr&ecirc;s) votos, com fundamento no art. 439, al&iacute;nea "b", do CPPM (atipicidade subjetiva da conduta - aus&ecirc;ncia de dolo espec&iacute;fico). Votou vencida, no ponto, a ju&iacute;za militar Cap PM Amanda Tancredi Vidal, que fundamentou a absolvi&ccedil;&atilde;o da r&eacute; no art. 439, al&iacute;nea "e", do CPPM (aus&ecirc;ncia de provas suficientes para a condena&ccedil;&atilde;o). Tamb&eacute;m votou vencido o juiz de direito substituto da 1&ordf; AJME, que condenou a r&eacute; &agrave; pena de 1 (um) ano de reclus&atilde;o, em regime aberto, com direito &agrave; suspens&atilde;o condicional da pena.</p> <p>A senten&ccedil;a foi publicada no dia 31/10/2025, evento 244, com sua leitura na mesma data, nos termos da ata do evento 246.</p> <p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico, no evento 250, apelou contra a senten&ccedil;a que absolveu a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza do crime do art. 312 do CPM.</p> <p>A defesa do acusado Andr&eacute; Luis dos Santos apelou contra a senten&ccedil;a que o condenou pelo crime do art. 322 do CP, praticado contra Kau&atilde; Oliveira Rezende, com fundamento no art. 439, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;.</p> <p>A defesa da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, no evento 257, apelou contra a senten&ccedil;a que a condenou pelo delito previsto no art. 322 do CP, com fundamento no art. 439, al&iacute;neas &ldquo;b&rdquo; e &ldquo;e&rdquo;, do CPPM. </p> <p> </p> <p><strong>Raz&otilde;es de apela&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico</strong></p> <p>A ilustre promotora de justi&ccedil;a atuante na Promotoria de Justi&ccedil;a de Defesa dos Direitos Humanos de Belo Horizonte insurgiu-se contra a absolvi&ccedil;&atilde;o da 3&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, argumentando, para tanto, que a fundamenta&ccedil;&atilde;o apresentada pelos membros do CPJ nos votos prolatados n&atilde;o possui respaldo jur&iacute;dico, tampouco nas provas dos autos, j&aacute; que a pr&oacute;pria acusada admitiu ter agido com viol&ecirc;ncia, motivo pelo qual a reda&ccedil;&atilde;o constante do Relat&oacute;rio de Eventos de Defesa Social (REDS) n&atilde;o revela sua percep&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima, mesmo porque a finalidade espec&iacute;fica n&atilde;o &eacute; exigida para a configura&ccedil;&atilde;o do crime, devendo ser analisada na primeira fase da dosimetria.</p> <p>Afirmou a ilustre promotora de justi&ccedil;a que, se a a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tivesse sido registrada por c&acirc;meras de vigil&acirc;ncia instaladas no local, a viol&ecirc;ncia noticiada pelos ofendidos seria arquivada por aus&ecirc;ncia de justa causa, porquanto o <em>falsum</em> constante do REDS impediria a efetividade na presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional, o que revela especial gravidade da conduta e abala a confian&ccedil;a que a sociedade deposita nos documentos oficiais produzidos pelos militares no exerc&iacute;cio de suas fun&ccedil;&otilde;es.</p> <p>Aduziu que o conjunto probat&oacute;rio conduz &agrave; efetiva ocorr&ecirc;ncia do crime, uma vez que ficou comprovado ter a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia, deliberadamente, inserido informa&ccedil;&otilde;es falsas no REDS n. 2023-046941985-001.</p> <p>Revelou que, da detida an&aacute;lise da senten&ccedil;a proferida pelo ju&iacute;zo a <em>quo</em> no evento 244, verificou-se a necessidade de sua reforma no tocante &agrave; absolvi&ccedil;&atilde;o quanto ao crime de falsidade ideol&oacute;gica, apresentando-se a condena&ccedil;&atilde;o como medida imperiosa e justa, pois &eacute; este o caminho apontado pelas provas produzidas durante a fase inquisit&oacute;ria e instrut&oacute;ria.</p> <p> </p> <p><strong>Raz&otilde;es de apela&ccedil;&atilde;o do acusado Andr&eacute; Luis dos Santos</strong></p> <p>A douta defesa do apelante Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s, nas raz&otilde;es do evento 256, insurgiu-se contra sua condena&ccedil;&atilde;o pelo crime descrito no artigo 322 do CP, argumentando, para tanto, que sua conduta se encontra amparada nas orienta&ccedil;&otilde;es contidas nos cadernos doutrin&aacute;rios da Pol&iacute;cia Militar de Minas Gerais (PMMG) e na legisla&ccedil;&atilde;o vigente, especialmente por ter agido no estrito cumprimento do dever legal, conforme a defini&ccedil;&atilde;o do art. 42, III, do CPM, uma vez que as v&iacute;timas incorreram em diversas infra&ccedil;&otilde;es de tr&acirc;nsito e estavam prestes a fugir do local da abordagem, como revelam as imagens carreadas aos autos.</p> <p>Disse que os dois tapas de m&atilde;o aberta desferidos pelo apelante Cb PM Andr&eacute; no capacete do condutor da motocicleta, bem como sua imobiliza&ccedil;&atilde;o em seguida, obedeceram, justamente, os padr&otilde;es doutrin&aacute;rios da PMMG.</p> <p>Afirmou que o uso da for&ccedil;a foi necess&aacute;rio, devido &agrave; tentativa de fuga e &agrave; desobedi&ecirc;ncia dos abordados quanto &agrave;s ordens de parada emanadas legalmente dos militares no regular exerc&iacute;cio de suas atividades, o que se harmoniza, integralmente, com as regras do artigo 234 do CPPM.</p> <p>Ponderou que n&atilde;o h&aacute;, nos autos, demonstra&ccedil;&atilde;o do dolo espec&iacute;fico de praticar viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, inclusive porque os tapas foram desferidos no &uacute;nico lugar em que o condutor estava protegido pelo capacete, tendo sido a a&ccedil;&atilde;o proporcional, n&atilde;o tendo gerado les&atilde;o corporal &ndash; sem registro de emprego de instrumento, arma, meio de agress&atilde;o ampliado ou desnecess&aacute;rio &ndash; e n&atilde;o tendo causado dor, humilha&ccedil;&atilde;o ou sofrimento comprovados aos abordados.</p> <p>Negou a exist&ecirc;ncia de provas de que o Cb Andr&eacute; tenha batido a cabe&ccedil;a do ofendido, por duas vezes, na viatura, uma vez que, al&eacute;m de as imagens n&atilde;o serem claras quanto a tanto, inexistiram les&otilde;es, m&aacute;cula, vermelhid&atilde;o ou qualquer outra marca no rosto da v&iacute;tima, naturais de um golpe contundente.</p> <p>Com esses argumentos, requereu, a reforma da senten&ccedil;a recorrida, com a absolvi&ccedil;&atilde;o do apelante, tamb&eacute;m quanto ao fato imputado em rela&ccedil;&atilde;o ao civil Kau&atilde; Oliveira Rezende, reconhecendo-se:</p> <p>[...]</p> <p>1. O estrito cumprimento do dever legal (art. 42, III, do CPM);</p> <p>2. A flagrante e inequ&iacute;voca aus&ecirc;ncia de dolo espec&iacute;fico de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria;</p> <p>3. A fragilidade e insufici&ecirc;ncia do conjunto probat&oacute;rio para a condena&ccedil;&atilde;o;</p> <p>4. Que seja aplicado o princ&iacute;pio do in dubio pro reo, em raz&atilde;o da d&uacute;vida jur&iacute;dica razo&aacute;vel extra&iacute;da dos autos.</p> <p>d) Requer, ainda, seja reconhecida a aus&ecirc;ncia de qualquer elemento nos autos que autorize efeitos secund&aacute;rios de natureza penal ou administrativa, determinando-se, caso necess&aacute;rio, a expedi&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es cab&iacute;veis para preserva&ccedil;&atilde;o integral do hist&oacute;rico militar do recorrente.</p> <p>[...]</p> <p><strong>Raz&otilde;es de apela&ccedil;&atilde;o da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza</strong></p> <p>A defesa da acusada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, preliminarmente, arguiu a incompet&ecirc;ncia do ju&iacute;zo singular para processar e julgar o crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria previsto no artigo 322 do CP, alegando, para tanto, que a ofensa prim&aacute;ria e imediata ocorre contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, motivo pelo qual deve ser anulada a parte da senten&ccedil;a atinente &agrave; decis&atilde;o do juiz de direito, diante da clara ofensa, a seu ver, ao princ&iacute;pio do juiz natural.</p> <p>No m&eacute;rito, insurgiu-se contra a condena&ccedil;&atilde;o da apelante pelo crime do artigo 322 do CP, aduzindo que a 2&ordm; Sgt PM Jeane atuou exclusivamente para garantir a efic&aacute;cia da ocorr&ecirc;ncia policial, em um contexto que indicava poss&iacute;vel oculta&ccedil;&atilde;o de drogas na boca dos ofendidos.</p> <p>Ponderou que a inexist&ecirc;ncia de resultado natural&iacute;stico afasta o enquadramento t&iacute;pico, sendo certo que n&atilde;o h&aacute; laudo m&eacute;dico ou qualquer registro de les&atilde;o que caracterize viol&ecirc;ncia com &ldquo;<em>resultado f&iacute;sico</em>&rdquo;, mesmo porque o Direito Penal n&atilde;o se pode ocupar com condutas irrelevantes, sem signific&acirc;ncia material.</p> <p>Adiantou que a v&iacute;tima Arthur Santos de Toledo confirmou, em ju&iacute;zo, que ele e Kau&atilde; n&atilde;o responderam aos questionamentos da militar no momento da abordagem, sil&ecirc;ncio esse que, em um contexto de flagrante, sugeriu o comportamento t&iacute;pico de quem tenta evitar que os policiais percebam a presen&ccedil;a de subst&acirc;ncia il&iacute;cita.</p> <p>Disse que as imagens do v&iacute;deo anexado ao processo refor&ccedil;am essa percep&ccedil;&atilde;o, sendo poss&iacute;vel visualizar o Sd PM Andr&eacute; Luis dos Santos erguendo a cabe&ccedil;a do abordado com o claro prop&oacute;sito de impedir a destrui&ccedil;&atilde;o do material que acreditava estar sendo ocultado na boca.</p> <p>Asseverou que toda a conduta da guarni&ccedil;&atilde;o se alinha a essa preocupa&ccedil;&atilde;o operacional. O contexto inclu&iacute;a den&uacute;ncia pr&eacute;via de uso de drogas na localidade, fuga da viatura momentos antes, nova tentativa de evas&atilde;o no instante da abordagem, completo sil&ecirc;ncio diante das ordens policiais e gestos corporais compat&iacute;veis com a tentativa de ingerir algo.</p> <p>Pontuou que n&atilde;o h&aacute;, nos autos, demonstra&ccedil;&atilde;o do dolo espec&iacute;fico de produzir o resultado il&iacute;cito, j&aacute; que a apelante agiu &ldquo;<em>no calor do momento</em>&rdquo;.</p> <p>Com esses argumentos, requereu, <em>in verbis</em>:</p> <p>Seja acolhida a preliminar arguida para declarar nulidade do processo, para reconhecer a incompet&ecirc;ncia absoluta do Ju&iacute;zo Singular e declarar a nulidade da senten&ccedil;a, com retorno dos autos ao Conselho Permanente de Justi&ccedil;a para julgamento do crime previsto no art. 322 do C&oacute;digo Penal.</p> <p>No m&eacute;rito, requer seja dado provimento ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o para reformar a senten&ccedil;a condenat&oacute;ria e absolver apelante do delito previsto no art. 322 do CP, com fundamento no art. 439, al&iacute;neas &ldquo;b&rdquo; e &ldquo;e&rdquo;, do CPPM, diante da aus&ecirc;ncia de dolo, de resultado natural&iacute;stico e de tipicidade material, bem como da absoluta insufici&ecirc;ncia de prova da pr&aacute;tica do delito em testilha.</p> <p>No parecer do evento 9 destes autos, o eminente procurador de justi&ccedil;a com atua&ccedil;&atilde;o neste Tribunal &agrave; &eacute;poca, doutor Carlos Augusto Gomes Braga, analisando conjuntamente as raz&otilde;es de apela&ccedil;&atilde;o manejadas pelos r&eacute;us Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos e 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, com fundamento no artigo 17, &sect; 3&ordm;, da Recomenda&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico n. 57, de 05/07/2017, ratificou a parte das contrarraz&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de primeiro grau, que protestou pela sua rejei&ccedil;&atilde;o.</p> <p> No m&eacute;rito, afirmou que, melhor sorte n&atilde;o logram os apelantes, em suas teses absolut&oacute;rias, quanto &agrave; parte da senten&ccedil;a que os condenou pelo delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, tendo em vista que ficou cabalmente evidenciado que, durante a abordagem de Arthur Henrique Santos Toledo e Kau&atilde; Oliveira Rezende, a Sgt Jeane desferiu, de inopino, dois tapas na face de cada um dos ofendidos, enquanto o Cb Andr&eacute; golpeou o capacete da v&iacute;tima Kau&atilde; e depois bateu a cabe&ccedil;a deste na viatura por duas vezes, muito embora eles oferecessem, no m&aacute;ximo, resist&ecirc;ncia passiva, motivo pelo qual os apelantes extrapolaram os meios necess&aacute;rios e moderados previstos nos Manuais da PMMG.</p> <p>Assim sendo, assinalou que as considera&ccedil;&otilde;es tecidas pelo sentenciante em rela&ccedil;&atilde;o ao crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, aliadas &agrave; detalhada an&aacute;lise do conjunto probat&oacute;rio com a descri&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica dos fatos nas contrarraz&otilde;es ministeriais, s&atilde;o mais do que suficientes para comprovar o que se encontra narrado na pe&ccedil;a exordial acusat&oacute;ria e formar com seguran&ccedil;a a convic&ccedil;&atilde;o no sentido condenat&oacute;rio, n&atilde;o havendo que se falar em estrito cumprimento do dever legal ou insufici&ecirc;ncia de provas para a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos r&eacute;us Andr&eacute; e Jeane pelo mencionado delito.</p> <p>Com tais argumentos, opinou pelo conhecimento de todos os recursos, pela rejei&ccedil;&atilde;o da preliminar arguida pela defesa da acusada Jeane, pelo total desprovimento dos recursos interpostos pelas defesas e pelo total provimento do recurso interposto pela acusa&ccedil;&atilde;o, a fim de que seja parcialmente reformada a decis&atilde;o de 1&ordf; inst&acirc;ncia, com a condena&ccedil;&atilde;o da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, tamb&eacute;m, nas san&ccedil;&otilde;es do artigo 312 do CPM.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.</p> <p> </p> <p>DESEMBARGADOR JAMES FERREIRA SANTOS, RELATOR</p> <p>Presentes os pressupostos objetivos e subjetivos que regem sua admissibilidade, recebo os recursos interpostos pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, pela defesa do Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos e pela defesa da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza.</p> <p>Quanto &agrave; absolvi&ccedil;&atilde;o do Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos da acusa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao envolvido Arthur Henrique Santos de Toledo, n&atilde;o havendo insurg&ecirc;ncia ministerial, a senten&ccedil;a deve ser mantida, nesse ponto, por seus pr&oacute;prios e adequados fundamentos.</p> <p> </p> <p><strong>Recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico </strong></p> <p>Inicialmente, analiso a irresigna&ccedil;&atilde;o ministerial contra a decis&atilde;o prolatada pelo colendo Conselho Permanente de Justi&ccedil;a (CPJ) que absolveu a 2&ordm; Sgt PM Jeane do crime de falsidade ideol&oacute;gica, com fundamento na al&iacute;nea &ldquo;b&rdquo; do art. 439 do C&oacute;digo Penal Militar (CPM).</p> <p>A ilustre promotora de justi&ccedil;a atuante na Promotoria de Justi&ccedil;a de Defesa dos Direitos Humanos de Belo Horizonte se insurgiu contra a decis&atilde;o absolut&oacute;ria, argumentando, para tanto, que a fundamenta&ccedil;&atilde;o apresentada pelos membros do CPJ nos votos prolatados n&atilde;o possui respaldo jur&iacute;dico, tampouco nas provas dos autos, j&aacute; que a pr&oacute;pria acusada admitiu ter agido com viol&ecirc;ncia, motivo pelo qual a reda&ccedil;&atilde;o constante do Relat&oacute;rio de Eventos de Defesa Social (REDS) n. 2023-046941985-001 n&atilde;o revela sua percep&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima, mesmo porque a finalidade espec&iacute;fica n&atilde;o &eacute; exigida para a configura&ccedil;&atilde;o do crime, devendo ser analisada na primeira fase da dosimetria.</p> <p>Afirmou a ilustre promotora de justi&ccedil;a que, se a a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tivesse sido registrada por c&acirc;meras de vigil&acirc;ncia instaladas no local, a viol&ecirc;ncia noticiada pelos ofendidos seria arquivada por aus&ecirc;ncia de justa causa, porquanto o <em>falsum</em> constante do REDS impediria a efetividade na presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional, o que revela especial gravidade da conduta e abala a confian&ccedil;a que a sociedade deposita nos documentos oficiais produzidos pelos militares no exerc&iacute;cio de suas fun&ccedil;&otilde;es.</p> <p>Aduziu que o conjunto probat&oacute;rio conduz &agrave; efetiva ocorr&ecirc;ncia do crime, uma vez que ficou comprovado ter a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia, deliberadamente, inserido informa&ccedil;&otilde;es falsas no REDS, raz&atilde;o que leva &agrave; necessidade de reforma da decis&atilde;o, para sua condena&ccedil;&atilde;o, sendo esse o caminho apontado pelas provas produzidas durante a fase inquisit&oacute;ria e instrut&oacute;ria.</p> <p>Com as mais devidas e respeitosas v&ecirc;nias ao entendimento ministerial, e inobstante o judicioso voto vencido da lavra do merit&iacute;ssimo juiz de direito presidente do CPJ, n&atilde;o vejo como me afastar da compreens&atilde;o sustentada na decis&atilde;o absolut&oacute;ria, essa que mantenho, integralmente, por consider&aacute;-la satisfatoriamente fundamentada, por todos os votos proferidos pelos merit&iacute;ssimos ju&iacute;zes militares, n&atilde;o s&oacute; quanto aos aspectos jur&iacute;dicos debatidos, mas, sobretudo, pela inser&ccedil;&atilde;o nos autos de uma vis&atilde;o t&eacute;cnica profissional robusta, consistente, h&iacute;gida e realista, que somente pode resultar de uma an&aacute;lise por um colegiado com as val&ecirc;ncias de um escabinato, formado por leg&iacute;timos conhecedores das nuances que envolvem uma abordagem policial como foi essa que deu ensejo &agrave; presente a&ccedil;&atilde;o criminal.</p> <p> Quanto ao aspecto jur&iacute;dico apontado pela ilustre promotora de justi&ccedil;a, cabe salientar que a controv&eacute;rsia recursal se cinge &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a, ou n&atilde;o, do elemento subjetivo especial do tipo no delito de falsidade ideol&oacute;gica, consistente na finalidade de prejudicar direito, criar obriga&ccedil;&atilde;o ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.</p> <p>Como bem delineado no voto majorit&aacute;rio que decidiu pela absolvi&ccedil;&atilde;o da acusada, com destaque e relevo especiais para a fundamenta&ccedil;&atilde;o desenvolvida pelo juiz militar Cap PM Cristiano Celestino de Souza, a configura&ccedil;&atilde;o do delito previsto no art. 312 do CPM n&atilde;o se satisfaz com a mera inser&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o eventualmente inver&iacute;dica em documento p&uacute;blico. Exige-se, para al&eacute;m disso, a inequ&iacute;voca demonstra&ccedil;&atilde;o do dolo espec&iacute;fico, elemento normativo indispens&aacute;vel &agrave; subsun&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica.</p> <p>No caso concreto, a an&aacute;lise do conjunto probat&oacute;rio revela, no m&aacute;ximo, uma diverg&ecirc;ncia interpretativa acerca da din&acirc;mica dos fatos vivenciados pela acusada no momento da ocorr&ecirc;ncia, especialmente quanto &agrave; leitura que fez da conduta do envolvido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, enquanto piloto da motocicleta.</p> <p>Conforme muito bem ressaltado nesse voto majorit&aacute;rio, a situa&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica envolvia uma abordagem policial noturna (madrugada), em contexto de elevada tens&atilde;o operacional, sendo que, em local ermo, com ilumina&ccedil;&atilde;o deficiente, conhecido pelos &iacute;ndices consider&aacute;veis de criminalidade e durante a madrugada, dois indiv&iacute;duos trafegavam em uma motocicleta com os far&oacute;is apagados, avan&ccedil;aram sinaliza&ccedil;&atilde;o de parada obrigat&oacute;ria e realizaram movimentos que, sob a &oacute;tica da acusada, foram considerados bruscos e compat&iacute;veis com a tentativa de evas&atilde;o.</p> <p>Ainda &eacute; bom ressaltar que essa abordagem se deu momentos depois que dois indiv&iacute;duos, podendo ser at&eacute; os mesmos, ocupando igualmente uma motocicleta, tinham-se furtado a uma outra abordagem por essa mesma equipe de policiais.</p> <p>A prop&oacute;sito, o exame das imagens juntadas aos autos evidencia que os movimentos empreendidos pelo condutor da motocicleta s&atilde;o, de fato, compat&iacute;veis com manobra evasiva, o que confere plausibilidade &agrave; percep&ccedil;&atilde;o da recorrida no momento da interven&ccedil;&atilde;o policial.</p> <p>Nesse cen&aacute;rio, a rea&ccedil;&atilde;o da guarni&ccedil;&atilde;o, de manobra mais incisiva com a viatura, n&atilde;o se mostra, por si s&oacute;, incompat&iacute;vel com o texto lan&ccedil;ado no REDS, podendo, sim, ser compreendida como resposta operacional necess&aacute;ria e pr&oacute;pria para impedir a fuga.</p> <p>Reputo acertada e not&aacute;vel, de igual modo, a contextualiza&ccedil;&atilde;o dada pelo mesmo juiz militar Cap PM Cristiano, no seu voto lan&ccedil;ado no v&iacute;deo 8 do evento 244 dos autos de primeira inst&acirc;ncia, &agrave; atua&ccedil;&atilde;o policial sob a &oacute;tica do chamado &ldquo;estado de prontid&atilde;o m&aacute;xima&rdquo; ou &ldquo;estado de alarme&rdquo;, categorias reconhecidas na doutrina institucional, as quais, embora necess&aacute;rias em determinadas interven&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de manuten&ccedil;&atilde;o prolongada, em raz&atilde;o do elevado desgaste f&iacute;sico e mental que acarretam.</p> <p>Tais estados, conforme reportou o juiz militar, podem influenciar, de maneira relevante, os processos cognitivos do agente, afetando a percep&ccedil;&atilde;o situacional e a tomada de decis&otilde;es em fra&ccedil;&otilde;es de segundo. Essa circunst&acirc;ncia, longe de justificar desvios, serve como elemento interpretativo relevante para a aferi&ccedil;&atilde;o do dolo, especialmente quando se discute a inten&ccedil;&atilde;o deliberada de falsear a verdade com finalidade juridicamente espec&iacute;fica.</p> <p>Dessa forma, mesmo se admitindo alguma imprecis&atilde;o ou inadequa&ccedil;&atilde;o na reda&ccedil;&atilde;o do REDS, como foi reconhecido pelo pr&oacute;prio encarregado do Inqu&eacute;rito Policial Militar (IPM) e pela autoridade delegante, n&atilde;o se extrai, de forma segura e inequ&iacute;voca, que a acusada tenha agido com o prop&oacute;sito espec&iacute;fico de prejudicar direito, criar obriga&ccedil;&atilde;o ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.</p> <p>O argumento ministerial de que a exist&ecirc;ncia de filmagem infirmaria a vers&atilde;o apresentada no boletim de ocorr&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; suficiente, por si s&oacute;, para demonstrar o dolo espec&iacute;fico exigido pelo tipo penal. Diverg&ecirc;ncia entre o texto da acusada e as imagens do v&iacute;deo 9 do evento 1 dos autos do IPM n&atilde;o implica, automaticamente, configura&ccedil;&atilde;o do crime de falsidade ideol&oacute;gica, sobretudo quando subsiste d&uacute;vida razo&aacute;vel acerca da inten&ccedil;&atilde;o subjetiva.</p> <p>No processo penal, n&atilde;o se admite condena&ccedil;&atilde;o fundada em presun&ccedil;&otilde;es, ila&ccedil;&otilde;es ou conjecturas. Prevalecendo d&uacute;vida razo&aacute;vel sobre a finalidade espec&iacute;fica da conduta delitiva, imp&otilde;e-se a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio <em>do in dubio pro reo.</em></p> <p>Assim, sob a minha &oacute;tica, a decis&atilde;o absolut&oacute;ria prolatada, majoritariamente, pelo CPJ encontra-se em conson&acirc;ncia com as provas dos autos e com a melhor interpreta&ccedil;&atilde;o do direito aplic&aacute;vel &agrave; esp&eacute;cie.</p> <p>Ante o exposto, nego provimento ao recurso ministerial e mantenho integralmente a senten&ccedil;a de primeiro grau que absolveu a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia Assis Souza do crime de falsidade ideol&oacute;gica, capitulado no art. 312 do CPM, que lhe foi imputado na acusa&ccedil;&atilde;o.</p> <p> </p> <p><strong>Recurso de apela&ccedil;&atilde;o manejado pelo Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos </strong></p> <p>A douta defesa do apelante Cb PM Andr&eacute; Lu&iacute;s, nas raz&otilde;es do evento 256, insurgiu-se contra sua condena&ccedil;&atilde;o pelo crime descrito no artigo 322 do C&oacute;digo Penal (CP) comum, argumentando, para tanto, que sua conduta se encontra amparada nas orienta&ccedil;&otilde;es contidas nos cadernos doutrin&aacute;rios da Pol&iacute;cia Militar de Minas Gerais (PMMG) e na legisla&ccedil;&atilde;o vigente, especialmente por ter agido no estrito cumprimento do dever legal, conforme a defini&ccedil;&atilde;o do art. 42, III do CPM, uma vez que as v&iacute;timas incorreram em diversas infra&ccedil;&otilde;es de tr&acirc;nsito e estavam prestes a fugir do local da abordagem, como revelam as imagens carreadas aos autos.</p> <p>Disse que os dois tapas de m&atilde;o aberta desferidos pelo apelante Cb PM Andr&eacute; no capacete do condutor da motocicleta, bem como sua imobiliza&ccedil;&atilde;o em seguida, obedeceram, justamente, os padr&otilde;es doutrin&aacute;rios da PMMG.</p> <p>Afirmou que o uso da for&ccedil;a foi necess&aacute;rio, devido &agrave; tentativa de fuga e &agrave; desobedi&ecirc;ncia dos abordados quanto &agrave;s ordens de parada emanadas legalmente pelos militares no regular exerc&iacute;cio de suas atividades, o que se harmoniza, integralmente, com as regras do artigo 234 do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM).</p> <p>Ponderou que n&atilde;o h&aacute;, nos autos, demonstra&ccedil;&atilde;o do dolo espec&iacute;fico de praticar viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, inclusive porque os tapas foram desferidos no &uacute;nico lugar em que o condutor estava protegido (pelo capacete). Diz que a a&ccedil;&atilde;o foi proporcional; sem les&atilde;o corporal; sem registro de emprego de instrumento, arma, meio de agress&atilde;o ampliado ou desnecess&aacute;rio; e sem acarretamento de dor, humilha&ccedil;&atilde;o ou sofrimento comprovados aos abordados.</p> <p>Negou a exist&ecirc;ncia de provas de que o Cb Andr&eacute; tenha batido a cabe&ccedil;a do ofendido, por duas vezes, na viatura, uma vez que, al&eacute;m de as imagens n&atilde;o serem claras quanto a tanto, inexistiram les&otilde;es, m&aacute;cula, vermelhid&atilde;o ou qualquer outra marca no rosto da v&iacute;tima, naturais de um golpe contundente como o denunciado.</p> <p>Com esses argumentos, requereu a reforma da senten&ccedil;a recorrida, com a absolvi&ccedil;&atilde;o do apelante, tamb&eacute;m quanto ao fato imputado em rela&ccedil;&atilde;o ao civil Kau&atilde; de Oliveira Rezende, reconhecendo-se: <strong>(I)</strong> a incid&ecirc;ncia do estrito cumprimento do dever legal; <strong>(II)</strong> a aus&ecirc;ncia de dolo espec&iacute;fico de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria; (III) a fragilidade e a insufici&ecirc;ncia do conjunto probat&oacute;rio para a condena&ccedil;&atilde;o; e <strong>(IV)</strong> a aus&ecirc;ncia de qualquer elemento nos autos que autorize efeitos secund&aacute;rios de natureza penal ou administrativa, determinando-se, caso necess&aacute;rio, a expedi&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es cab&iacute;veis para preserva&ccedil;&atilde;o integral do hist&oacute;rico militar do recorrente.</p> <p>No que se refere ao ofendido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, uma an&aacute;lise mais cuidadosa do conjunto probat&oacute;rio ser&aacute; necess&aacute;ria, &agrave; luz das peculiaridades do caso concreto.</p> <p>&Eacute; incontroverso, nos autos, que a guarni&ccedil;&atilde;o policial se deparou com uma situa&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica de abordagem plenamente justific&aacute;vel.</p> <p>Uma motocicleta com os far&oacute;is apagados, com descarga ruidosa, circulando durante a madrugada, em local ermo, com ilumina&ccedil;&atilde;o deficiente e com &iacute;ndices expressivos de criminalidade, ocupada por dois indiv&iacute;duos que desrespeitaram a sinaliza&ccedil;&atilde;o de parada obrigat&oacute;ria e, de acordo ainda com os militares, deixaram de obedecer, prontamente, &agrave; ordem de parada deles emitida.</p> <p>Conv&eacute;m esclarecer que o encontro fortuito com tais indiv&iacute;duos ocorreu minutos depois de tamb&eacute;m dois indiv&iacute;duos em uma motocicleta, podendo ser at&eacute; esses mesmos, terem logrado furtar-se a outra tentativa de abordagem, pela mesma guarni&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Militar.</p> <p>N&atilde;o se pode descuidar, de igual forma, do fato de o condutor Kau&atilde; de Oliveira Rezende ser inabilitado e de a motocicleta estar com sua documenta&ccedil;&atilde;o irregular, vencida.</p> <p>Tais elementos, de fato, autorizaram a interven&ccedil;&atilde;o policial e, em certa medida, o uso progressivo da for&ccedil;a, para conten&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o, conforme orienta&ccedil;&otilde;es operacionais e previs&atilde;o normativa.</p> <p>Tamb&eacute;m reputo plaus&iacute;vel a alega&ccedil;&atilde;o defensiva de que a abordagem ocorreu em cen&aacute;rio din&acirc;mico e potencialmente tenso, o que exige decis&otilde;es r&aacute;pidas por parte dos militares envolvidos.</p> <p>Todavia a an&aacute;lise dos autos revela, no m&iacute;nimo, inconsist&ecirc;ncias relevantes quanto &agrave; forma como se deu a interven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do apelante.</p> <p>H&aacute; d&uacute;vida concreta, por exemplo, se Kau&atilde; de Oliveira efetivamente tentava empreender fuga ou se a condu&ccedil;&atilde;o da motocicleta para o lote baldio foi influenciada pela pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o da viatura que, conforme indicam os elementos dos autos, foi projetada para uma intercepta&ccedil;&atilde;o abrupta, at&eacute; certo ponto.</p> <p>O envolvido Artur, por sua vez, que era transportado na garupa da motocicleta, se mostrou cooperativo, sem deixar margens quanto a sua predisposi&ccedil;&atilde;o de acatar a abordagem e a revista pessoal, tanto isso &eacute; verdade que foi revistado e imobilizado sem sofrer qualquer agress&atilde;o.</p> <p>O mesmo n&atilde;o se pode dizer do envolvido Kau&atilde;, que, estando na condu&ccedil;&atilde;o da motocicleta, dela n&atilde;o desceu de imediato, podendo ter demonstrado, na avalia&ccedil;&atilde;o dos militares, um comportamento t&iacute;pico de quem estava tentando evadir-se.</p> <p>Deve-se reconhecer, por outro lado, que o apelante Cb PM Andr&eacute; Luis, ao desembarcar da viatura e se dirigir imediatamente ao condutor da motocicleta, possivelmente n&atilde;o lhe tenha permitido o tempo necess&aacute;rio para decidir-se pela evas&atilde;o ou n&atilde;o, at&eacute; mesmo porque, em curto lapso de tempo, Kau&atilde; recebeu os tapas de m&atilde;o aberta efetuados pelo apelante contra o seu capacete, seguidos de um pux&atilde;o pelos bra&ccedil;os, o que acabou sendo suficiente para neutralizar eventual resist&ecirc;ncia.</p> <p>A partir da imobiliza&ccedil;&atilde;o e da algema&ccedil;&atilde;o do envolvido Kau&atilde;, afora os tapas que lhe foram desferidos pela 2&ordm; Sgt PM Jeane, os elementos probat&oacute;rios n&atilde;o s&atilde;o claros suficientemente para demonstrarem a din&acirc;mica das alegadas batidas da cabe&ccedil;a do ofendido contra a viatura, havendo lacunas e imprecis&otilde;es no conjunto probat&oacute;rio.</p> <p>Como poderia o envolvido Kau&atilde; ter tido sua cabe&ccedil;a batida, por duas vezes, contra a carroceria da viatura, se nenhuma les&atilde;o ou marca, por menor que fosse, tenha restado apurada no seu rosto?</p> <p>Some-se a isso o fato de existirem contradi&ccedil;&otilde;es nos depoimentos dos ofendidos, especialmente no que diz respeito &agrave; alega&ccedil;&atilde;o de agress&otilde;es por chutes, o que fragiliza a reconstru&ccedil;&atilde;o segura dos acontecimentos.</p> <p>De outro lado, &eacute; verdade que os golpes mencionados (tapas com a m&atilde;o aberta no capacete) foram desferidos em regi&atilde;o protegida e n&atilde;o resultaram em les&otilde;es aparentes, o que pode indicar aus&ecirc;ncia de inten&ccedil;&atilde;o de causar dano mais grave. Ainda assim, tal circunst&acirc;ncia, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; suficiente para afirmar, com seguran&ccedil;a, a plena licitude da conduta, tampouco para confirmar, sem margem de d&uacute;vida, a ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria.</p> <p>Diante desse cen&aacute;rio, o que mais sobressai dos autos &eacute; a exist&ecirc;ncia de d&uacute;vida razo&aacute;vel sobre elemento essencial para a configura&ccedil;&atilde;o do delito: se houve, de fato, emprego de for&ccedil;a ilegal e arbitr&aacute;ria, ou se a atua&ccedil;&atilde;o do apelante, embora en&eacute;rgica, se manteve dentro dos limites do aceit&aacute;vel diante da situa&ccedil;&atilde;o concreta.</p> <p>Nesse sentido, julgo de valia trazer &agrave; mesa os par&aacute;grafos a seguir, extra&iacute;dos do voto lapidar prolatado pelo juiz militar Cap PM Cristiano Celestino de Souza, no julgamento da 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia, pelo crime de falsidade ideol&oacute;gica.</p> <p>Embora se referindo a outra acusada e a outro tipo penal em outro julgamento ocorrido na seara do ju&iacute;zo singular, &eacute; fato que tais par&aacute;grafos, sob minha &oacute;tica, cal&ccedil;am como luva, em pelo menos duas das teses defensivas: <strong>(I)</strong> uma relacionada &agrave; incid&ecirc;ncia do estrito cumprimento do dever legal e <strong>(II)</strong> outra relacionada &agrave; fragilidade e &agrave; insufici&ecirc;ncia do conjunto probat&oacute;rio para a condena&ccedil;&atilde;o. Confiram-se:</p> <p>[...]</p> <p>No caso, a abordagem se deu durante a madrugada, em local ermo, envolvendo motocicleta com farol apagado e dois ocupantes, circunst&acirc;ncias t&iacute;picas de situa&ccedil;&otilde;es suspeitas que demandou do policial militar um estado de prontid&atilde;o elevado. O estado de alarme, segundo o caderno doutrin&aacute;rio &eacute; o estado de prontid&atilde;o mais elevado. Assim, nesse estado de prontid&atilde;o &eacute;, o estado de prontid&atilde;o que chamamos de blackout n&eacute;, e que o, nesse caso, o policial estaria fora de opera&ccedil;&atilde;o n&eacute;. O estado de p&acirc;nico, n&eacute;. </p> <p>[...]</p> <p>Cumpre destacar que, conforme manual t&eacute;cnico profissional 01 da Pol&iacute;cia Militar, o estado de prontid&atilde;o m&aacute;ximo, o estado de alarme n&atilde;o pode ser sustentado por longos per&iacute;odos, pois, exige alto disp&ecirc;ndio f&iacute;sico e mental, podendo gerar rea&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas e cognitivas alteradas, com o stress cr&ocirc;nico que afeta o discernimento e a precis&atilde;o das decis&otilde;es.</p> <p> [...]</p> <p>De igual modo, pelas imagens do v&iacute;deo e pela nossa experi&ecirc;ncia profissional, observa-se que o condutor da motocicleta iniciou sim, um movimento t&iacute;pico de evas&atilde;o, o que pode talvez, at&eacute; por ter se assustado, mas &eacute; um movimento t&iacute;pico de evas&atilde;o sim. O que pode ser interpretado como movimento brusco, porque n&atilde;o? Justificando a manobra com a viatura, rea&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima diante daquelas circunst&acirc;ncias, para evitar a fuga, que s&oacute; n&atilde;o ocorreu em raz&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o policial e das condi&ccedil;&otilde;es do terreno que dificultaram a inten&ccedil;&atilde;o evasiva, diga-se de passagem, j&aacute; passei por situa&ccedil;&atilde;o semelhante.</p> <p>[...]</p> <p>No processo penal, a condena&ccedil;&atilde;o exige certeza, n&atilde;o bastando ju&iacute;zos de probabilidade.</p> <p>Persistindo, portanto, d&uacute;vida razo&aacute;vel acerca da din&acirc;mica dos fatos, bem como da necessidade e da proporcionalidade da for&ccedil;a empregada, alternativa n&atilde;o resta, segundo a minha percep&ccedil;&atilde;o, que aplicar-se, no caso concreto, o consagrado princ&iacute;pio do direito brasileiro do <em>in dubio pro reo</em>.</p> <p>Com essas considera&ccedil;&otilde;es, e por tudo que consta dos autos, dou provimento ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o manejado pela defesa do Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos, e reformo parcialmente a senten&ccedil;a de primeiro grau, para absolv&ecirc;-lo do crime de falsidade ideol&oacute;gica previsto no art. 312 do CPM, tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao ofendido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, com fundamento no princ&iacute;pio do <em>in dubio pro reo.</em></p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p><strong>Recurso de apela&ccedil;&atilde;o manejado pela 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza </strong></p> <p>A defesa da acusada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, preliminarmente, arguiu a incompet&ecirc;ncia do ju&iacute;zo singular para processar e julgar o crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria previsto no artigo 322 do CP, alegando, para tanto, que a ofensa prim&aacute;ria e imediata ocorre contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, motivo pelo qual deve ser anulada a parte da senten&ccedil;a atinente &agrave; decis&atilde;o do juiz de direito diante da clara ofensa ao princ&iacute;pio do juiz natural.</p> <p>Prefacialmente, cumpre salientar que esse era exatamente o entendimento sustentado por este signat&aacute;rio at&eacute; recentemente, mas que precisou ser modificado, visando a um necess&aacute;rio alinhamento com o entendimento, at&eacute; certo ponto consolidado, no Supremo Tribunal Federal (STF), em diversos precedentes reformadores das decis&otilde;es que vinham sendo adotadas nesta Corte, alinhadas com o entendimento da douta defesa.</p> <p>A mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o desde signat&aacute;rio e de outros desembargadores integrantes deste Tribunal, antes de representar convic&ccedil;&atilde;o sobre a mat&eacute;ria, teve por finalidade evitar a indesej&aacute;vel preclus&atilde;o da pretens&atilde;o punitiva do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, porquanto in&uacute;meras decis&otilde;es nesse sentido, levadas, repetidamente, ao STF, foram reformadas, com a recomenda&ccedil;&atilde;o de se realizar novo julgamento pelo do ju&iacute;zo singular.</p> <p>Nesse sentido, trago, a t&iacute;tulo exemplificativo, um dos in&uacute;meros precedentes desta Segunda C&acirc;mara, no julgamento do Recurso em Sentido Estrito (RESE) n. <a>2000835-56.2025.9.13.0001</a>, publicado com a ementa a seguir:</p> <p>DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. CRIME DE VIOL&Ecirc;NCIA ARBITR&Aacute;RIA. ART. 125, &sect;5&ordm;, DA CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FEDERAL. PROTE&Ccedil;&Atilde;O AO BEM JUR&Iacute;DICO DA ADMINISTRA&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA. ENTENDIMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. FIXA&Ccedil;&Atilde;O DA COMPET&Ecirc;NCIA DO JUIZ SINGULAR. PROVIMENTO NEGADO.</p> <p><strong>I. </strong>CASO EM EXAME</p> <p>1. Recurso em Sentido Estrito interposto com o objetivo de declarar a incompet&ecirc;ncia do juiz singular para processar e julgar o crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, previsto no art. 322 do C&oacute;digo Penal, e, consequentemente, fixar a compet&ecirc;ncia do Conselho de Justi&ccedil;a.</p> <p>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O</p> <p>2. A discuss&atilde;o consiste em saber se o crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria &eacute; da compet&ecirc;ncia do Conselho Permanente de Justi&ccedil;a &ndash; CPJ/PM ou do ju&iacute;zo singular militar.</p> <p>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR</p> <p>3. O crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria encontra-se prescrito no cap&iacute;tulo destinado aos crimes praticados por funcion&aacute;rio p&uacute;blico contra a Administra&ccedil;&atilde;o em geral (Cap&iacute;tulo I), tendo como pref&aacute;cio principal os Crimes contra a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica (T&iacute;tulo XI). </p> <p>4. Pela leitura do &sect; 5&ordm; do art. 125 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, a compet&ecirc;ncia do Conselho de Justi&ccedil;a &eacute; fixada de forma residual, por n&atilde;o se enquadrar nos crimes diretamente cometidos contra civis.</p> <p>5. A Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica &eacute;, na hip&oacute;tese, o sujeito passivo imediato, ao passo que a pessoa f&iacute;sica ofendida &eacute; o sujeito passivo mediato ou secund&aacute;rio.</p> <p>6. Adotando o entendimento recente do STF, restou fixada a compet&ecirc;ncia do juiz singular para processar e julgar o delito previsto no art. 322 do CP.</p> <p>IV. DISPOSITIVO</p> <p>7. Recurso desprovido.</p> <p>___________ </p> <p>Dispositivos relevantes citados: CP, art. 322; CR/88, art. 125, &sect; 5&ordm;.</p> <p>Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STF, RE n. 1.537.896/MG, Relator Min. Fl&aacute;vio Dino, julgado em 1&ordm;/4/2025 e RE n. 1.544.209/MG, Relatora Min. Carmen L&uacute;cia, julgado em 2/4/2025.</p> <p>AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores da Segunda C&acirc;mara, por unanimidade, em negar provimento ao presente recurso, a fim de manter a decis&atilde;o primeva que fixou a compet&ecirc;ncia do juiz singular para processar e julgar o delito previsto no art. 322 do CP.</p> <p>Fez sustenta&ccedil;&atilde;o oral o advogado Alexandre Marques de Miranda.</p> <p><strong>Com estas anota&ccedil;&otilde;es, afasto a preliminar erguida.</strong></p> <p> </p> <p><strong>No m&eacute;rito</strong>, a defesa se insurgiu contra a condena&ccedil;&atilde;o da apelante pelo crime do artigo 322 do CP, aduzindo que a 2&ordm; Sgt PM Jeane atuou exclusivamente para garantir a efic&aacute;cia da ocorr&ecirc;ncia policial, em um contexto que indicava poss&iacute;vel oculta&ccedil;&atilde;o de drogas na boca dos ofendidos.</p> <p>Ponderou que a inexist&ecirc;ncia de resultado natural&iacute;stico afasta o enquadramento t&iacute;pico, sendo certo que n&atilde;o h&aacute; laudo m&eacute;dico ou qualquer registro de les&atilde;o que caracterize viol&ecirc;ncia com &ldquo;<em>resultado f&iacute;sico</em>&rdquo;, mesmo porque o Direito Penal n&atilde;o pode se ocupar com condutas irrelevantes, sem signific&acirc;ncia material.</p> <p>Adiantou que a v&iacute;tima Arthur Henrique Santos de Toledo confirmou, em ju&iacute;zo, que ele e Kau&atilde; n&atilde;o responderam aos questionamentos da militar no momento da abordagem, sil&ecirc;ncio esse que, em um contexto de flagrante, sugeriu o comportamento t&iacute;pico de quem tenta evitar que os policiais percebam a presen&ccedil;a de subst&acirc;ncia il&iacute;cita.</p> <p>Disse que as imagens do v&iacute;deo anexado ao processo refor&ccedil;am essa percep&ccedil;&atilde;o, sendo poss&iacute;vel visualizar o Sd PM Andr&eacute; Luis dos Santos erguendo a cabe&ccedil;a do abordado com o claro prop&oacute;sito de impedir a destrui&ccedil;&atilde;o do material que acreditava estar sendo ocultado na boca.</p> <p>Asseverou que toda a conduta da guarni&ccedil;&atilde;o se alinha a essa preocupa&ccedil;&atilde;o operacional. O contexto inclu&iacute;a den&uacute;ncia pr&eacute;via de uso de drogas na localidade, fuga da viatura momentos antes, nova tentativa de evas&atilde;o no instante da abordagem, completo sil&ecirc;ncio diante das ordens policiais e gestos corporais compat&iacute;veis com a tentativa de ingerir algo.</p> <p>Pontuou que n&atilde;o h&aacute; nos autos, demonstra&ccedil;&atilde;o do dolo espec&iacute;fico de produzir o resultado il&iacute;cito, j&aacute; que a apelante agiu &ldquo;<em>no calor do momento</em>&rdquo;.</p> <p>Na decis&atilde;o de primeiro grau, o juiz sentenciante sustentou sua decis&atilde;o condenat&oacute;ria nos argumentos que considero trazer &agrave; mesa, para integrarem em todos os termos esta decis&atilde;o, dada sua precis&atilde;o e por n&atilde;o me ocorrer a necessidade de qualquer modifica&ccedil;&atilde;o no seu texto:</p> <p>[...]</p> <p>Em desenvolvimento, a autoria e a materialidade dos crimes de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria praticados pela r&eacute; Jeane L&uacute;cia de Assis Souza contra os ofendidos Arthur Henrique Santos de Toledo e Kau&atilde; Oliveira Rezende foram robustamente comprovadas. O v&iacute;deo <strong>(IPM</strong> <a><strong>evento 1, V&Iacute;DEO9</strong></a><strong>)</strong> flagra o momento em que, com ambas as v&iacute;timas j&aacute; imobilizadas pelos denunciados Andr&eacute; Luis dos Santos e <span>Evandro Batista de Freitas</span>, a militar feminina Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, de forma gratuita e arbitr&aacute;ria, desferiu dois tapas no rosto de cada um dos ofendidos.</p> <p>As declara&ccedil;&otilde;es das v&iacute;timas s&atilde;o coesas e corroboram o conte&uacute;do das imagens. Kau&atilde; Oliveira Rezende reconheceu a r&eacute; Jeane L&uacute;cia de Assis Souza como uma das autoras das agress&otilde;es, afirmando que, ap&oacute;s ser levantado do solo e ter seu capacete retirado, recebeu tapas no rosto da policial feminina <strong>(</strong><a><strong>evento 40, V&Iacute;DEO2</strong></a><strong>).</strong> O ofendido Arthur Santos Toledo tamb&eacute;m confirmou que ele e Kau&atilde; Oliveira Rezende foram agredidos pela r&eacute; com tapas na face no momento em que estavam sendo revistados <strong>(</strong><a><strong>evento 88, V&Iacute;DEO3</strong></a><strong>).</strong> Em seu pr&oacute;prio interrogat&oacute;rio, a r&eacute; admitiu ter desferido os tapas e expressou que a conduta foi inadequada, ressaltando que, em outra ocasi&atilde;o similar, n&atilde;o mais agiria da mesma maneira <strong>(</strong><a><strong>evento 137, V&Iacute;DEO9</strong></a><strong>).</strong></p> <p>Observa-se que a v&iacute;tima Arthur Henrique Santos de Toledo j&aacute; havia desembarcado da moto com as m&atilde;os na cabe&ccedil;a, em atitude cooperativa, e se encontrava sob a guarda do acusado <span>Evandro Batista de Freitas</span>, bem como Kau&atilde; Oliveira Rezende j&aacute; estava sendo abordado pelo acusado Andr&eacute; Luis dos Santos, quando ambos sofreram as agress&otilde;es da r&eacute; Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, o que afasta qualquer justificativa de que a for&ccedil;a era necess&aacute;ria para fazer cessar um ato de resist&ecirc;ncia. Outrossim, a alega&ccedil;&atilde;o de que os tapas foram desferidos para que as v&iacute;timas n&atilde;o engolissem eventual droga se mostra desarrazoada no contexto f&aacute;tico de uma infra&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito e n&atilde;o encontra amparo nas t&eacute;cnicas previstas nos manuais t&eacute;cnico-profissionais da PMMG.</p> <p>A justificativa de estrito cumprimento do dever legal tamb&eacute;m deve ser afastada. Os tapas desferidos na face das v&iacute;timas, no momento em que j&aacute; estavam <u>imobilizadas e n&atilde;o apresentavam qualquer resist&ecirc;ncia (ativa ou passiva)</u>, configuram atos evidentes de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria. Isso porque a conduta da r&eacute; desrespeitou os princ&iacute;pios &eacute;ticos e legais que regem a interven&ccedil;&atilde;o policial, notadamente a doutrina do uso diferenciado da for&ccedil;a, <u>aproveitando-se da impossibilidade de autodefesa das v&iacute;timas para agir de modo vil e truculento</u>.</p> <p>Outrossim, n&atilde;o se desconhece que os denunciados Jeane L&uacute;cia de Assis Souza e Andr&eacute; Luis dos Santos, em seus interrogat&oacute;rios judiciais, alegaram a necessidade do emprego de for&ccedil;a contra os ofendidos, pois estes estariam com subst&acirc;ncias il&iacute;citas localizadas no interior da cavidade bucal. Entrementes, trata-se de narrativa carecedora de verossimilhan&ccedil;a e dissociada dos elementos probat&oacute;rios. Nesse diapas&atilde;o, os ofendidos j&aacute; haviam sido abordados anteriormente pela mesma guarni&ccedil;&atilde;o, e nenhuma subst&acirc;ncia il&iacute;cita havia sido encontrada pelos militares. Al&eacute;m disso, a raz&atilde;o apresentada pelos militares para realizar a abordagem policial seria o farol apagado da motocicleta conduzida por Kau&atilde; Oliveira Rezende, e n&atilde;o por eventual odor de subst&acirc;ncia entorpecente exalado dos civis, tampouco em raz&atilde;o de delatio criminis inominada informando a pr&aacute;tica do com&eacute;rcio de entorpecentes pelas v&iacute;timas. E mais: <u>essa vers&atilde;o n&atilde;o foi descrita, nem sequer aventada, no hist&oacute;rico do boletim de ocorr&ecirc;ncia</u>, sendo veiculada pelos r&eacute;us t&atilde;o somente ap&oacute;s o in&iacute;cio da persecu&ccedil;&atilde;o penal como forma de trazer apar&ecirc;ncia de legitimidade a uma a&ccedil;&atilde;o visivelmente abusiva. </p> <p>Ressalte-se ainda que nenhuma subst&acirc;ncia entorpecente foi apreendida, de modo que as raz&otilde;es invocadas pelos militares para justificar a conduta adotada contra os ofendidos carecem de m&iacute;nima justa causa, uma vez que n&atilde;o havia qualquer ind&iacute;cio razo&aacute;vel de que Arthur Santos Toledo e Kau&atilde; Oliveira Rezende estivessem portando ou traficando drogas naquele contexto.</p> <p>[...]</p> <p>Neste caso vertente, como a materialidade e a autoria delitivas restaram devidamente comprovadas, n&atilde;o s&oacute; pelas imagens de toda a abordagem, registradas por uma c&acirc;mera de vigil&acirc;ncia local e devidamente acostadas aos autos no evento 1, V&Igrave;DEO 9, dos autos de primeira inst&acirc;ncia, mas, tamb&eacute;m, pela pr&oacute;pria apelante, que admitiu, em ju&iacute;zo, no curso de seu interrogat&oacute;rio, ter desferido os tapas contra o rosto dos ofendidos durante a abordagem policial, a veracidade da acusa&ccedil;&atilde;o deixou de ser objeto de controv&eacute;rsia.</p> <p>A controv&eacute;rsia recursal, nesta hip&oacute;tese, cinge-se &agrave; alegada atipicidade da conduta, ao argumento de que os atos praticados visaram assegurar a efic&aacute;cia da ocorr&ecirc;ncia, diante de suspeita de oculta&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncia entorpecente na cavidade bucal dos abordados.</p> <p>Essa tese defensiva, contudo, n&atilde;o merece acolhimento.</p> <p>O tipo penal previsto no art. 322 do CP incrimina a conduta do agente p&uacute;blico que pratica viol&ecirc;ncia, no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o ou a pretexto de exerc&ecirc;-la, fora das hip&oacute;teses legais autorizadoras. Trata-se de delito formal, que se consuma com a pr&aacute;tica da viol&ecirc;ncia indevida, sendo prescind&iacute;vel a ocorr&ecirc;ncia de resultado natural&iacute;stico lesivo mais gravoso.</p> <p>Nesse sentido, n&atilde;o procede a alega&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de resultado natural&iacute;stico como causa de atipicidade. A norma penal visa tutelar a legalidade e a modera&ccedil;&atilde;o no uso da for&ccedil;a estatal, sendo suficiente, para a configura&ccedil;&atilde;o do delito, o emprego de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, ainda que n&atilde;o resulte em les&otilde;es corporais relevantes.</p> <p>No caso vertente, embora a atua&ccedil;&atilde;o policial se desse em contexto de suspeita de uso ou posse de entorpecentes, tal circunst&acirc;ncia n&atilde;o autoriza o emprego de meios f&iacute;sicos agressivos como os descritos nos autos, notadamente tapas desferidos contra o rosto dos abordados, que j&aacute; estavam imobilizados, sem qualquer resist&ecirc;ncia e, portanto, n&atilde;o representavam amea&ccedil;a aos militares de servi&ccedil;o.</p> <p>A atividade policial, ainda que revestida de discricionariedade operacional, encontra limites claros nos direitos e nas garantias fundamentais, especialmente na dignidade da pessoa humana e na integridade f&iacute;sica dos cidad&atilde;os. O uso da for&ccedil;a precisa, necessariamente, observar os princ&iacute;pios da legalidade, da necessidade, da proporcionalidade e da modera&ccedil;&atilde;o.</p> <p>N&atilde;o se verifica, na hip&oacute;tese, qualquer situa&ccedil;&atilde;o concreta de resist&ecirc;ncia ativa, agress&atilde;o iminente ou risco &agrave; integridade dos agentes que pudessem justificar a utiliza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a nos moldes empregados. O sil&ecirc;ncio dos abordados, por si s&oacute;, n&atilde;o autoriza a ado&ccedil;&atilde;o de medidas coercitivas de natureza f&iacute;sica violenta, pois, at&eacute; mesmo durante seu interrogat&oacute;rio em ju&iacute;zo, todo acusado goza do seu direito constitucional ao sil&ecirc;ncio. Causa esp&eacute;cie a perspectiva alegada de que os tapas desferidos pela apelante tiveram como finalidade impedir uma poss&iacute;vel ingest&atilde;o de subst&acirc;ncia entorpecente. N&atilde;o me ocorre que esse seja um m&eacute;todo eficaz para o mister, sendo certa a exist&ecirc;ncia de outros meios t&eacute;cnicos e legalmente adequados para lidar com tais situa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o sendo admiss&iacute;vel a substitui&ccedil;&atilde;o desses procedimentos por atos de agress&atilde;o f&iacute;sica.</p> <p>Portanto, restando evidenciado que a apelante, a pretexto de exercer fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, empregou viol&ecirc;ncia desnecess&aacute;ria e desproporcional contra os abordados Kau&atilde; e Artur, a condena&ccedil;&atilde;o imposta no ju&iacute;zo <em>primevo</em> se revela imperativa.</p> <p>A senten&ccedil;a recorrida analisou de forma adequada o conjunto probat&oacute;rio, aplicando corretamente o direito ao caso concreto, n&atilde;o havendo qualquer reparo a ser feito.</p> <p>Ante o exposto, nego provimento ao recurso interposto pela defesa e mantendo integralmente a senten&ccedil;a de primeiro grau que condenou a 2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza &agrave; pena total de 1 (um) ano de deten&ccedil;&atilde;o, pela conduta delitiva do art. 312 (viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria) do CPM, por 2 (duas) vezes, contra os civis Kau&atilde; de Oliveira Rezende e Artur Henrique Santos de Toledo.</p> <p> </p> <p><strong>Conclus&atilde;o</strong></p> <p>Ante o acima exposto:</p> <p>- nego provimento ao recurso ministerial e mantenho, integralmente, a senten&ccedil;a de primeiro grau que absolveu a <strong>2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia Assis Souza</strong> do crime de falsidade ideol&oacute;gica que lhe foi imputando na acusa&ccedil;&atilde;o, capitulado no art. 312 do CPM, com fundamento na al&iacute;nea &ldquo;b&rdquo; do art. 439, do CPPM;</p> <p>- dou provimento ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o manejado pelo <strong>Cb PM Andr&eacute; Luis dos Santos</strong> e reformo a senten&ccedil;a de primeiro grau, para absolv&ecirc;-lo do crime de falsidade ideol&oacute;gica previsto no art. 312 do CPM, tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao ofendido Kau&atilde; de Oliveira Rezende, com fundamento no princ&iacute;pio do <em>in dubio pro reo</em>;</p> <p>- nego provimento ao recurso interposto pela defesa e mantenho, integralmente, a senten&ccedil;a de primeiro grau que condenou a <strong>2&ordm; Sgt PM Jeane L&uacute;cia de Assis Souza</strong> &agrave; pena total de 1 (um) ano de deten&ccedil;&atilde;o, pelo crime do art. 312 (viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria) do CPM, por 2 (duas) vezes, praticado contra os civil Kau&atilde; de Oliveira Rezende e Artur Henrique Santos de Toledo.</p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p>DESEMBARGADOR FERNANDO ARMANDO RIBEIRO</p> <p>Exmos. senhores desembargadores,</p> <p>Pe&ccedil;o v&ecirc;nia ao eminente relator para dele divergir em parte.</p> <p><strong>Acompanho o judicioso voto lan&ccedil;ado apenas no ponto em que o relator rejeita</strong> <strong>a preliminar suscitada pela defesa da apelante, Sgt Jeane L&uacute;cia de Assis Souza, e, no m&eacute;rito, nega provimento ao recurso defensivo por ela interposto</strong>, mantendo-se a sua condena&ccedil;&atilde;o pelo crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, previsto no art. 322 do C&oacute;digo Penal (CP), por duas vezes, praticado contra Kau&atilde; Oliveira Rezende e Arthur Henrique Santos de Toledo, solu&ccedil;&atilde;o que, a meu sentir, harmoniza-se com o robusto acervo probat&oacute;rio coligido aos autos.</p> <p><strong>Todavia, divirjo quanto ao provimento do recurso defensivo interposto por Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos e quanto ao desprovimento do recurso ministerial</strong>.</p> <p><strong>No que se refere ao acusado Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos</strong>, a defesa sustenta, em s&iacute;ntese, que sua conduta estaria amparada pelo estrito cumprimento do dever legal, com emprego regular e progressivo da for&ccedil;a, diante de suposta tentativa de evas&atilde;o e desobedi&ecirc;ncia por parte dos abordados, pleiteando, ao final, sua absolvi&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Todavia n&atilde;o lhe assiste raz&atilde;o.</p> <p>A materialidade e a autoria delitivas restaram amplamente demonstradas, notadamente pela prova t&eacute;cnica consistente nas imagens de videomonitoramento (Evento 1 &ndash; V&Iacute;DEO9 &ndash; Autos n. 2000482-50.2024.9.13.0001) e pela prova oral colhida sob o crivo do contradit&oacute;rio.</p> <p>A palavra do ofendido e condutor da motocicleta, Kau&atilde; Oliveira Rezende, corroborada pelo depoimento de Arthur Henrique Santos de Toledo, que estava na garupa da moto, revela-se firme, coerente e harm&ocirc;nica, encontrando respaldo direto nas imagens constantes do v&iacute;deo juntado aos autos, as quais evidenciam, de forma inequ&iacute;voca, a desproporcionalidade da conduta do apelante.</p> <p>Com efeito, as imagens demonstram que o r&eacute;u desfere <strong>tr&ecirc;s socos contra o capacete da v&iacute;tima Kau&atilde;</strong>, que conduzia a motocicleta. Em seguida, <strong>ap&oacute;s derrub&aacute;-lo, e j&aacute; com a v&iacute;tima dominada, o apelante, de forma absolutamente injustific&aacute;vel, bate a cabe&ccedil;a de Kau&atilde; por duas vezes contra a lataria da viatura policial.</strong></p> <p>A v&iacute;tima Kau&atilde;, em seu depoimento judicial, foi categ&oacute;rica ao descrever a viol&ecirc;ncia sofrida, afirmando que <strong>os militares &ldquo;j&aacute; chegaram o agredindo&rdquo; e que, mesmo ap&oacute;s estar algemado, teve sua cabe&ccedil;a batida contra o ve&iacute;culo </strong>(Evento 40 &ndash; V&Iacute;DEO2 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Percebe-se que <strong>sua narrativa se mostra perfeitamente condizente com as imagens registradas</strong>, que falam por si <strong>e infirmam a vers&atilde;o do acusado no sentido de que teria aplicado apenas &ldquo;dois tapas de m&atilde;o aberta no capacete do condutor&rdquo; para cessar eventual resist&ecirc;ncia</strong> (Evento 137 &ndash; V&Iacute;DEO7 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Ressalto, por oportuno, que <strong>n&atilde;o desconsidero o contexto f&aacute;tico em que se inseriu a atua&ccedil;&atilde;o policia</strong>l. Trata-se de abordagem realizada na madrugada, em local ermo, com ilumina&ccedil;&atilde;o deficiente, em regi&atilde;o conhecida por &iacute;ndices relevantes de criminalidade, circunst&acirc;ncias que, por si, elevam o grau de tens&atilde;o operacional e exigem dos agentes atua&ccedil;&atilde;o em estado de alerta m&aacute;ximo.</p> <p>Soma-se a isso o fato de que os indiv&iacute;duos trafegavam em motocicleta com farol apagado e teriam avan&ccedil;ado sinal de parada obrigat&oacute;ria, o que pode, em um primeiro momento, justificar uma rea&ccedil;&atilde;o mais incisiva da guarni&ccedil;&atilde;o, inclusive com manobra mais contundente da viatura.</p> <p><strong>Todavia, a partir do desembarque dos militares &ndash; que se deu de forma r&aacute;pida &ndash;, n&atilde;o se verifica, nas imagens, qualquer rea&ccedil;&atilde;o concreta do condutor da motocicleta, Kau&atilde;, que justificasse a intensidade da for&ccedil;a empregada pelo recorrente Andr&eacute;</strong>.</p> <p><strong>Ainda que, em tese, se admitisse a exist&ecirc;ncia de algum comportamento inicial de esquiva, eventualmente motivado pelo fato de o ofendido n&atilde;o possuir habilita&ccedil;&atilde;o, tal conduta poderia, quando muito, ser interpretada como resist&ecirc;ncia passiva. Nesse cen&aacute;rio, poder-se-ia at&eacute; cogitar, sob a perspectiva do agente em estado de prontid&atilde;o, que o emprego inicial de for&ccedil;a visasse &agrave; conten&ccedil;&atilde;o do condutor, ainda que de forma mais en&eacute;rgica</strong>.</p> <p><strong>Contudo, mesmo sob esse racioc&iacute;nio mais favor&aacute;vel &agrave; defesa, a resposta estatal revelou-se manifestamente desproporcional.</strong></p> <p><strong>Isso porque, se porventura se pudesse admitir &ndash; ainda que com reservas &ndash; o emprego de golpes no capacete como tentativa de cessar eventual resist&ecirc;ncia, n&atilde;o h&aacute; qualquer justificativa plaus&iacute;vel para o ato subsequente de bater, por duas vezes, a cabe&ccedil;a da v&iacute;tima, j&aacute; dominada e algemada, contra a lataria da viatura.</strong></p> <p>Tal conduta representa clara viola&ccedil;&atilde;o aos protocolos de uso da for&ccedil;a preconizados pela pr&oacute;pria Pol&iacute;cia Militar de Minas Gerais.</p> <p>O Manual T&eacute;cnico-Profissional n. 3.04.01/2020-CG (MTP 01), que regula a "Interven&ccedil;&atilde;o Policial, Processo de Comunica&ccedil;&atilde;o e Uso da For&ccedil;a", estabelece uma matriz de uso diferenciado da for&ccedil;a que deve corresponder ao n&iacute;vel de coopera&ccedil;&atilde;o ou resist&ecirc;ncia do abordado (Evento 37 &ndash; DOC3 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Para um indiv&iacute;duo cooperativo ou mesmo em resist&ecirc;ncia passiva, como era o caso das v&iacute;timas j&aacute; imobilizadas, o manual orienta o emprego da presen&ccedil;a policial, da verbaliza&ccedil;&atilde;o e, no m&aacute;ximo, de t&eacute;cnicas de controle de contato ou controle f&iacute;sico para imobiliza&ccedil;&atilde;o (Evento 37 &ndash; DOC3, fl. 63 &ndash; Processo Origin&aacute;rio). O ato de bater a cabe&ccedil;a do ofendido na lataria da viatura n&atilde;o se enquadra em nenhuma t&eacute;cnica de controle ou conten&ccedil;&atilde;o ensinada pela Corpora&ccedil;&atilde;o, tratando-se de ato de viol&ecirc;ncia, aviltante e desnecess&aacute;rio, n&atilde;o deixando d&uacute;vida quanto ao dolo do apelante.</p> <p>Ressalto que <strong>a aus&ecirc;ncia de les&otilde;es aparentes n&atilde;o afasta a ocorr&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia narrada, notadamente porque o pr&oacute;prio tipo penal do art. 322 do CP evidencia sua autonomia em rela&ccedil;&atilde;o aos delitos de resultado, ao prever expressamente a aplica&ccedil;&atilde;o da pena correspondente &agrave; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica eventualmente praticada</strong>. Vale dizer, caso houvesse comprova&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es corporais, tais consequ&ecirc;ncias seriam objeto de reprimenda pr&oacute;pria, cumulativamente &agrave; viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, o que refor&ccedil;a que o delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria &eacute; formal e se consuma independentemente de resultado natural&iacute;stico.</p> <p>Exigir, para o reconhecimento da conduta, a presen&ccedil;a de sinais f&iacute;sicos ostensivos implicaria restringir indevidamente o alcance do tipo penal, desconsiderando que a tutela jur&iacute;dica recai sobre a legalidade da atua&ccedil;&atilde;o estatal e n&atilde;o apenas sobre a integridade f&iacute;sica da v&iacute;tima, raz&atilde;o pela qual se mostra plenamente configurada a viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria no caso concreto.</p> <p>Registro que a vers&atilde;o apresentada pelo acusado, no sentido de que teria apenas elevado o n&iacute;vel de for&ccedil;a para conter o abordado enquanto, sozinho, abria o compartimento traseiro da viatura, n&atilde;o se sustenta diante das imagens.</p> <p>Ora, ao exame acurado do v&iacute;deo, <strong>verifica-se que houve, de fato, impacto da cabe&ccedil;a da v&iacute;tima contra o ve&iacute;culo, afastando a alega&ccedil;&atilde;o de mero apoio ou conten&ccedil;&atilde;o sem viol&ecirc;ncia</strong>.</p> <p>Al&eacute;m disso, <strong>a din&acirc;mica da ocorr&ecirc;ncia demonstra que havia tr&ecirc;s militares na guarni&ccedil;&atilde;o e dois abordados j&aacute; submetidos &agrave; busca pessoal, sem qualquer armamento que pudesse colocar em risco a integridade f&iacute;sica dos policiais militares</strong>.</p> <p>Registro, inclusive, que um dos policiais se encontrava na conten&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo que estava na garupa da motocicleta, enquanto <strong>outro transitava nas imedia&ccedil;&otilde;es da viatura, circunst&acirc;ncia que evidencia a possibilidade concreta de atua&ccedil;&atilde;o coordenada, sem necessidade de emprego de for&ccedil;a</strong>.</p> <p><strong>Nada impedia, portanto, que o acusado solicitasse aux&iacute;lio para a abertura do compartimento traseiro da viatura, evitando, assim, a pr&aacute;tica de ato violento contra pessoa j&aacute; completamente dominada</strong>.</p> <p>Como se sabe, para a configura&ccedil;&atilde;o do delito previsto no art. 322 do CP, &eacute; indispens&aacute;vel que a viol&ecirc;ncia seja empregada de forma arbitr&aacute;ria, ou seja, desprovida de qualquer legitimidade, al&eacute;m de ser perpetrada no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o ou a pretexto de exerc&ecirc;-la. Em outras palavras, emprega-se a viol&ecirc;ncia como se essa fosse imprescind&iacute;vel ao exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p> <p>Sobre o delito, o autor Cleber Masson explica:</p> <p><strong>O funcion&aacute;rio p&uacute;blico deve empregar a viol&ecirc;ncia "no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o" (efetivo desempenho da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica) ou "a pretexto de exerc&ecirc;-la" (o agente alega estar no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, quando na verdade n&atilde;o est&aacute;).</strong> <strong>Utiliza-se a viol&ecirc;ncia como se esta fosse imprescind&iacute;vel para o normal desempenho do mister p&uacute;blico, ou seja, o meio de execu&ccedil;&atilde;o funciona como desculpa para a ileg&iacute;tima atua&ccedil;&atilde;o do agente.</strong></p> <p>Entretanto, nem toda viol&ecirc;ncia usada pelo funcion&aacute;rio p&uacute;blico leva &agrave; configura&ccedil;&atilde;o do delito. <strong>A viol&ecirc;ncia deve ser arbitr&aacute;ria, isto &eacute;, injustificada, desproporcional, absolutamente dispens&aacute;vel para o exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</strong> [...] (Direito Penal Especializado, vol. 3: parte especial. arts. 213 a 359-H / Cleber Masson. &ndash; 4. ed. rev. e atual. &ndash; Rio de Janeiro: Forense; S&atilde;o Paulo: M&Eacute;TODO, 2014, p. 698) (Destaca-se).</p> <p>Logo, a tentativa de fuga de Kau&atilde;, ainda que admitida, poderia, no m&aacute;ximo, caracterizar resist&ecirc;ncia passiva. A resposta a essa resist&ecirc;ncia, contudo, foi manifestamente desproporcional. Socos no capacete e, sobretudo, o ato de bater a cabe&ccedil;a de um indiv&iacute;duo j&aacute; rendido contra a lataria de uma viatura n&atilde;o constituem meios moderados de conten&ccedil;&atilde;o, mas, sim, atos de viol&ecirc;ncia indevida.</p> <p><strong>Trata-se de conduta que ultrapassa os limites da atua&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima e ingressa no campo da arbitrariedade</strong>, <strong>porquanto absolutamente dispens&aacute;vel e desprovida de necessidade concreta</strong>, em afronta ao disposto no art. 234 do C&oacute;digo de Processo Penal Militar e aos princ&iacute;pios que regem o uso progressivo da for&ccedil;a.</p> <p><strong>N&atilde;o ignoro que a atua&ccedil;&atilde;o policial, muitas vezes, se desenvolve em cen&aacute;rios de elevada complexidade e press&atilde;o psicol&oacute;gica. Todavia, tais circunst&acirc;ncias n&atilde;o autorizam a naturaliza&ccedil;&atilde;o de excessos</strong>.</p> <p><strong>O uso da for&ccedil;a, quando necess&aacute;rio, deve ser t&eacute;cnico, proporcional e estritamente vinculado &agrave; legalidade</strong>. A viol&ecirc;ncia gratuita, ainda que praticada no calor de uma abordagem dificultosa, n&atilde;o pode ser chancelada por este Tribunal, sob pena de se legitimarem condutas que violam direitos fundamentais e comprometem a pr&oacute;pria credibilidade da institui&ccedil;&atilde;o policial.</p> <p>Nesse contexto, a conduta do acusado configura, de forma inequ&iacute;voca, o delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, impondo-se a manuten&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o.</p> <p>A prop&oacute;sito, cito os seguintes precedentes:</p> <p>Apela&ccedil;&atilde;o Criminal. Artigo 322 do CP. Viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria. Negativa de autoria. Autoria comprovada. Injusto culp&aacute;vel. Negado provimento. 1. Conjunto probat&oacute;rio harm&ocirc;nico formado por imagens de v&iacute;deo, auto de descri&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica e escala de servi&ccedil;o. 2. Prova suficiente de autoria. 3. Os apelantes golpearam o civil com a tonfa in&uacute;meras vezes e depois o jogaram no solo. <strong>4. Atitude injustificada. Civil n&atilde;o demonstrava perigo ou risco &agrave;s guarni&ccedil;&otilde;es. 5. N&atilde;o reconhecido uso de for&ccedil;a moderada. Excesso.</strong> Correta a condena&ccedil;&atilde;o dos apelantes pelo crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria. 6. Dosimetria das penas privativas de liberdade mantidas. (<strong>TJMSP</strong> - Apela&ccedil;&atilde;o Criminal n&ordm; 0003614-41.2020.9.26.0030 &ndash; Relator: Juiz Enio Luiz Rosseto &ndash; D.J.: 29/09/2022) (Destaca-se).</p> <p>EMENTA: APELA&Ccedil;&Atilde;O - ABUSO DE AUTORIDADE (ART. 3&ordm;, "A" E "I", DA LEI N&ordm; 4.898/65), SUBMISS&Atilde;O DE CRIAN&Ccedil;A OU ADOLESCENTE SOB SUA AUTORIDADE, GUARDA OU VIGIL&Acirc;NCIA A VEXAME OU A CONSTRANGIMENTO (ART. 232, DO ECA) E VIAS DE FATO (ART. 21, DA LCP) - PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O PELAS PENAS M&Aacute;XIMAS EM ABSTRATO - CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O - EXTIN&Ccedil;&Atilde;O DA PUNIBILIDADE - NECESSIDADE - VIOL&Ecirc;NCIA ARBITR&Aacute;RIA (ART. 322, DO CP) - MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS - CONDENA&Ccedil;&Atilde;O IMPOSTA - RECURSO MINISTERIAL PROVIDO - PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O - OCORR&Ecirc;NCIA - EXTIN&Ccedil;&Atilde;O DA PUNIBILIDADE - NECESSIDADE. - A prescri&ccedil;&atilde;o antes da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria transitada em julgado regula-se pela pena m&aacute;xima abstratamente prevista. - <strong>Se o material incriminat&oacute;rio &eacute; robusto e n&atilde;o deixa d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; materialidade e &agrave; autoria do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, a condena&ccedil;&atilde;o do apelado &eacute; medida que se imp&otilde;e.</strong> - Decorrido o prazo prescricional entre a data do recebimento da den&uacute;ncia at&eacute; a presente data, imp&otilde;e-se declarar a extin&ccedil;&atilde;o da punibilidade do apelado, pela prescri&ccedil;&atilde;o da pretens&atilde;o punitiva estatal. - Recurso ministerial provido. Em consequ&ecirc;ncia, de of&iacute;cio, declarada extinta a punibilidade do apelado, pela prescri&ccedil;&atilde;o.) (<strong>TJMG</strong> - Apela&ccedil;&atilde;o Criminal 1.0525.11.019975-5/001, Relator(a): Des.(a) Agostinho Gomes de Azevedo, 7&ordf; C&Acirc;MARA CRIMINAL, julgamento em 29/05/2019, publica&ccedil;&atilde;o da s&uacute;mula em 07/06/2019) (Destaca-se).</p> <p><strong>Quanto ao recurso interposto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, </strong>entendo que raz&atilde;o lhe assiste ao pugnar pela condena&ccedil;&atilde;o de Jeane L&uacute;cia de Assis Souza pelo crime de falsidade ideol&oacute;gica, previsto no art. 312 do CPM.</p> <p>Consta dos autos que a referida acusada foi respons&aacute;vel pela lavratura do boletim de ocorr&ecirc;ncia, no qual <strong>inseriu que as v&iacute;timas apresentaram &ldquo;gestos bruscos&rdquo; e comportamento que teria exigido a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de imobiliza&ccedil;&atilde;o e algema&ccedil;&atilde;o, sugerindo resist&ecirc;ncia &agrave; abordagem, al&eacute;m de tombamento acidental da motocicleta com a queda do ofendido</strong> (Evento 1 &ndash; PE&Ccedil;AS IPM2, fl. 4 &ndash; Autos n. 2000482-50.2024.9.13.0001).</p> <p>Ocorre que tal vers&atilde;o n&atilde;o encontra respaldo no conjunto probat&oacute;rio produzido, sendo claramente infirmada pelas imagens de videomonitoramento e pela prova oral colhida sob o crivo do contradit&oacute;rio.</p> <p>Com efeito, <strong>as imagens captadas demonstram que a abordagem policial se deu de forma abrupta e que a for&ccedil;a foi empregada de maneira desproporcional, sem que as v&iacute;timas tenham oferecido resist&ecirc;ncia apta a justificar a intensidade da interven&ccedil;&atilde;o estatal, circunst&acirc;ncia igualmente confirmada pelos relatos firmes e convergentes dos ofendidos Kau&atilde; Oliveira Rezende e Arthur Henrique Santos de Toledo</strong>.</p> <p>Nesse cen&aacute;rio, <strong>a inser&ccedil;&atilde;o, no documento oficial, de narrativa no sentido de que teria havido &ldquo;gestos bruscos&rdquo;, risco de fuga e necessidade de imobiliza&ccedil;&atilde;o revela-se incompat&iacute;vel com a realidade dos fatos, incidindo exatamente sobre elemento essencial da ocorr&ecirc;ncia, qual seja, a justificativa para o uso da for&ccedil;a policial</strong>.</p> <p>Saliento, ainda, que tamb&eacute;m se verifica inconsist&ecirc;ncia na narrativa constante do hist&oacute;rico da ocorr&ecirc;ncia no tocante ao registro de que &ldquo;o ve&iacute;culo tombou e o condutor caiu ao solo&rdquo;, uma vez que as imagens demonstram que a queda n&atilde;o se deu de forma acidental, mas decorreu da atua&ccedil;&atilde;o do corr&eacute;u Andr&eacute;, conforme j&aacute; analisado.</p> <p>N&atilde;o obstante a constata&ccedil;&atilde;o de tal diverg&ecirc;ncia, deixo de consider&aacute;-la, de forma aut&ocirc;noma, para fins de condena&ccedil;&atilde;o, em respeito ao princ&iacute;pio da correla&ccedil;&atilde;o, por n&atilde;o integrar, especificamente, a imputa&ccedil;&atilde;o descrita na den&uacute;ncia.</p> <p>Todavia, entendo que a incongru&ecirc;ncia mencionada n&atilde;o pode ser ignorada como elemento de contexto, porquanto refor&ccedil;a o padr&atilde;o narrativo adotado pela acusada, no boletim de ocorr&ecirc;ncia, no sentido de atribuir aos fatos vers&atilde;o incompat&iacute;vel com a realidade apurada.</p> <p>Nesse contexto, a constru&ccedil;&atilde;o da narrativa no documento oficial &ndash; especialmente ao atribuir &agrave;s v&iacute;timas comportamento de resist&ecirc;ncia e ao descrever a din&acirc;mica dos fatos de forma a afastar a responsabilidade dos agentes &ndash; revela-se apta a conferir apar&ecirc;ncia de legalidade &agrave; abordagem, a qual, conforme demonstrado pelo conjunto probat&oacute;rio, foi marcada pelo emprego de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria.</p> <p>Tal circunst&acirc;ncia, embora n&atilde;o constitua elemento aut&ocirc;nomo da imputa&ccedil;&atilde;o, mostra-se relevante para a compreens&atilde;o do elemento subjetivo da conduta, na medida em que evidencia que a altera&ccedil;&atilde;o da narrativa incidiu justamente sobre aspectos juridicamente sens&iacute;veis da ocorr&ecirc;ncia, permitindo inferir, de forma segura, o dolo espec&iacute;fico consistente na vontade de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.</p> <p><strong>N&atilde;o se trata, portanto, de mera imprecis&atilde;o descritiva ou erro de percep&ccedil;&atilde;o, mas de altera&ccedil;&atilde;o da verdade sobre fato juridicamente relevante, apta a conferir apar&ecirc;ncia de legalidade a uma atua&ccedil;&atilde;o que, conforme reconhecido, em seu voto vencido, pelo pr&oacute;prio juiz de direito, deu-se de forma desproporciona</strong>l.</p> <p>Neste ponto, inclusive, ressalto que a apelada era a policial mais graduada na ocorr&ecirc;ncia, comandante da equipe, com mais de 13 anos de servi&ccedil;o &agrave; &eacute;poca dos fatos e hist&oacute;rico funcional exemplar (Evento 155 &ndash; ANEXO2 &ndash; Processo Origin&aacute;rio), ou seja, n&atilde;o se trata de militar inexperiente, o que evidencia que ela tinha plena ci&ecirc;ncia e dom&iacute;nio de toda a situa&ccedil;&atilde;o que se desenrolou sob seu comando e do seu dever funcional de relatar os fatos com exatid&atilde;o.</p> <p>Saliento que a recorrida, como policial militar no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o, gozando da presun&ccedil;&atilde;o de veracidade inerente ao documento p&uacute;blico que lavrara, tinha o dever de narrar os fatos como, de fato, aconteceram, inserindo a vers&atilde;o correspondente &agrave; verdade, o que, conforme visto, n&atilde;o ocorreu.</p> <p><strong>Vale destacar, conforme bem pontuado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que, se n&atilde;o fosse a exist&ecirc;ncia das imagens de videomonitoramento registrando a abordagem, muito provavelmente n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos acusados pelos fatos praticados em desfavor dos civis</strong>.</p> <p>Isso porque o boletim de ocorr&ecirc;ncia, enquanto documento p&uacute;blico dotado de presun&ccedil;&atilde;o de veracidade, possui elevada for&ccedil;a probat&oacute;ria, de modo que a mera narrativa das v&iacute;timas, desacompanhada de outros elementos objetivos, dificilmente seria suficiente para infirmar o conte&uacute;do ali consignado.</p> <p>Portanto, <strong>a vers&atilde;o inserida no documento oficial, caso n&atilde;o houvesse prova t&eacute;cnica em sentido contr&aacute;rio, tenderia a prevalecer, o que poderia, inclusive, inviabilizar a pr&oacute;pria instaura&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito policial militar que deu origem &agrave; presente a&ccedil;&atilde;o penal</strong>.</p> <p><strong>Tal circunst&acirc;ncia evidencia, de forma ainda mais clara, a relev&acirc;ncia jur&iacute;dica da informa&ccedil;&atilde;o falseada e refor&ccedil;a a conclus&atilde;o de que a altera&ccedil;&atilde;o da narrativa n&atilde;o se deu de forma inocente ou irrelevante</strong>, mas incidiu sobre elemento essencial da ocorr&ecirc;ncia, com potencial concreto de influenciar a persecu&ccedil;&atilde;o penal.</p> <p>Logo, compreendo que o <strong>dolo espec&iacute;fico</strong>, consistente no especial fim de agir voltado a alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, ficou plenamente comprovado, pois a acusada inseriu declara&ccedil;&atilde;o falsa em documento p&uacute;blico, alterando a verdade sobre fato juridicamente relevante e conferindo, por meio da narrativa lan&ccedil;ada, apar&ecirc;ncia de legalidade &agrave; atua&ccedil;&atilde;o da guarni&ccedil;&atilde;o, em manifesta afronta &agrave; Administra&ccedil;&atilde;o Militar e &agrave; f&eacute; p&uacute;blica que reveste os atos praticados no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Sobre o delito de falsidade ideol&oacute;gica, trago a li&ccedil;&atilde;o de C&iacute;cero Robson Coimbra Neves e Marcello Streifinger:</p> <p>[...]</p> <p><strong>Elementos objetivos</strong>: o crime de falsidade ideol&oacute;gica (de falso ideal, de falso intelectual ou de falso moral) tem por n&uacute;cleos da conduta &ldquo;omitir&rdquo; declara&ccedil;&atilde;o que deveria constar ou &ldquo;inserir&rdquo; ou &ldquo;fazer inserir&rdquo; uma falsa declara&ccedil;&atilde;o em documento p&uacute;blico ou particular.</p> <p>[...] a falsidade ideol&oacute;gica se demonstra por meio de fatos ou de outros documentos que comprovem que a informa&ccedil;&atilde;o existente no documento sob estudo n&atilde;o &eacute; verdadeira ou est&aacute; incompleta, apesar de, materialmente, o objeto estar impec&aacute;vel.</p> <p>[...]</p> <p><strong>Elemento subjetivo</strong>: o crime de falsidade ideol&oacute;gica somente pode ser praticado a t&iacute;tulo de dolo, ou seja, deve haver a vontade livre e consciente de praticar a falsidade ideol&oacute;gica no documento, mas com a inten&ccedil;&atilde;o de prejudicar direito, criar obriga&ccedil;&atilde;o ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante [...] (Manual de Direito Penal Militar - Volume &Uacute;nico &ndash; 5. ed. rev., ampl. e atual. &ndash; S&atilde;o Paulo: Ed. JusPodium, 2021, p. 1.733/1.737).</p> <p>Por fim, <strong>registro que a an&aacute;lise conjunta dos fatos revela inequ&iacute;voca unidade l&oacute;gica entre os delitos examinados</strong>.</p> <p>Isso porque <strong>o mesmo conjunto probat&oacute;rio que evidencia o emprego de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria por parte dos militares Jeane e Andr&eacute; tamb&eacute;m demonstra que a narrativa posteriormente lan&ccedil;ada no boletim de ocorr&ecirc;ncia n&atilde;o corresponde &agrave; realidade f&aacute;tica apurada</strong>.</p> <p>Com efeito, <strong>n&atilde;o se mostra juridicamente coerente reconhecer, de um lado, que a atua&ccedil;&atilde;o policial foi marcada pelo uso desproporcional da for&ccedil;a &ndash; afastando, portanto, a exist&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncia apta a justific&aacute;-la &ndash; e, de outro, admitir como ver&iacute;dica a vers&atilde;o consignada no documento oficial, que atribui &agrave;s v&iacute;timas comportamento reativo inexistente</strong>.</p> <p><strong>Tal dissocia&ccedil;&atilde;o implicaria</strong> <strong>indevida fragmenta&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise probat&oacute;ria</strong>, <strong>com aproveitamento seletivo dos mesmos elementos de prova, o que comprometeria a unidade l&oacute;gica da decis&atilde;o judicial</strong>.</p> <p>Ao contr&aacute;rio, a coer&ecirc;ncia do sistema decis&oacute;rio imp&otilde;e o reconhecimento de que a narrativa inserida no boletim de ocorr&ecirc;ncia, ao atribuir resist&ecirc;ncia n&atilde;o verificada, alterou a verdade sobre fato juridicamente relevante, justamente no ponto destinado a conferir apar&ecirc;ncia de legalidade &agrave; atua&ccedil;&atilde;o estatal.</p> <p>Nesse contexto, a configura&ccedil;&atilde;o do delito de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria n&atilde;o apenas se mostra compat&iacute;vel, mas refor&ccedil;a a conclus&atilde;o quanto &agrave; ocorr&ecirc;ncia da falsidade ideol&oacute;gica, na medida em que evidencia o descompasso entre a realidade dos fatos e a vers&atilde;o oficialmente registrada.</p> <p>Diante desse quadro, resta configurada a materialidade e a autoria do crime previsto no art. 312 do CPM, impondo-se a reforma da senten&ccedil;a absolut&oacute;ria para condenar a acusada Jeane L&uacute;cia de Assis Souza pela pr&aacute;tica de falsidade ideol&oacute;gica.</p> <p>Nesse sentido, trago &agrave; baila diversos precedentes deste eg. Tribunal de Justi&ccedil;a Militar de Minas Gerais, veja-se:</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL &ndash; CRIMES DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; <strong>ARTIGO 312 DO C&Oacute;DIGO PENAL MILITAR &ndash; TESE ABSOLUT&Oacute;RIA DESPROVIDA DE FUNDAMENTOS &ndash; HIST&Oacute;RICO DO REDS N&Atilde;O CORRESPONDE COM AS IMAGENS DO V&Iacute;DEO DIVULGADO</strong> &ndash; <strong>REFORMA DA SENTEN&Ccedil;A ABSOLUT&Oacute;RIA PROFERIDA PELO CONSELHO PERMANENTE DE JUSTI&Ccedil;A</strong> &ndash; RECURSO A QUE SE D&Aacute; PROVIMENTO. APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo n. 2000270-63.2023.9.13.0001; Relator: Desembargador R&uacute;bio Paulino Coelho; Revisor: Desembargador Osmar Duarte Marcelino; Julgamento (un&acirc;nime): 23/06/2025. Eproc: 03/07/2025 (Destaque-se).</p> <p> </p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL &ndash; CRIME DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; M&Eacute;RITO <strong>&ndash; MATERIALIDADE E AUTORIA DEVIDAMENTE COMPROVADAS &ndash; SUBSUN&Ccedil;&Atilde;O DO FATO AO TIPO PENAL INCRIMINADOR &ndash; CONDENA&Ccedil;&Atilde;O QUE SE IMP&Otilde;E</strong> &ndash; REFORMA DA SENTEN&Ccedil;A DE PRIMEIRO GRAU &ndash; RECURSO MINISTERIAL A QUE SE PROVIMENTO. APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo eproc n. 2000151-73.2021.9.13.0001; Refer&ecirc;ncia: Processo eproc n. 2000067-12.2020.9.13.0000; Relator: Desembargador Osmar Duarte Marcelino; Revisor: Desembargador Fernando Galv&atilde;o da Rocha; Julgamento (un&acirc;nime): 21/11/2022. EPROC: 28/11/2022. (Destaque-se).</p> <p> </p> <p>APELA&Ccedil;&Otilde;ES CRIMINAIS &ndash; DELITOS DE LES&Atilde;O CORPORAL GRAVE [ART. 209, &sect;1&ordm;, DO C&Oacute;DIGO PENAL MILITAR (CPM)], E FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA (ART. 312 DO CPM) &ndash; SENTEN&Ccedil;A PENAL NO SENTIDO DE CONDENA&Ccedil;&Atilde;O DE UM DOS MILITARES PELA PR&Aacute;TICA DE LES&Atilde;O CORPORAL E ABSOLVI&Ccedil;&Atilde;O DE OUTRO PELA PR&Aacute;TICA DO DELITO DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; INSURG&Ecirc;NCIA DO MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO COM O PEDIDO DE CONDENA&Ccedil;&Atilde;O DE UM SEGUNDO ACUSADO PELA PR&Aacute;TICA DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA (ART. 312 DO CPM) E DE MAJORA&Ccedil;&Atilde;O DA PENA APLICADA AO PRIMEIRO ACUSADO <strong>&ndash; FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA CONSISTENTE NA MODIFICA&Ccedil;&Atilde;O DOS FATOS NO HIST&Oacute;RICO DO BOLETIM DE OCORR&Ecirc;NCIA SIMPLIFICADO (BOS) &ndash; OMISS&Atilde;O DE IRREGULARIDADES DA ABORDAGEM POLICIAL, OCULTANDO O USO IMODERADO DE FOR&Ccedil;A CONTRA CIVIS E AUS&Ecirc;NCIA DA CONSULTA AOS DADOS DOS ABORDADOS &ndash; REFORMA DA SENTEN&Ccedil;A PARA A CONDENA&Ccedil;&Atilde;O DO MILITAR PELA PR&Aacute;TICA DO DELITO DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA</strong> [...] RECURSO MINISTERIAL PARCIALMENTE PROVIDO. APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo eproc n. 0002484-34.2018.9.13.0002; Relator: Desembargador Jadir Silva; Revisor: Desembargador S&oacute;crates Edgard dos Anjos; Julgamento (un&acirc;nime): 20/04/2023. EPROC: 02/05/2023 (Destaque-se).</p> <p> </p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL MINISTERIAL <strong>&ndash; IMPUTA&Ccedil;&Atilde;O DE PR&Aacute;TICA DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA (ART. 312 DO CPM)</strong> <strong>&ndash; ATUA&Ccedil;&Atilde;O IRREGULAR DE MILITAR EM ATENDIMENTO DE OCORR&Ecirc;NCIA &ndash; ELABORA&Ccedil;&Atilde;O DE REGISTRO DE EVENTOS DE DEFESA SOCIAL (REDS) SEM INDICA&Ccedil;&Atilde;O DAS PARTES ENVOLVIDAS E COM HIST&Oacute;RICO DIVERSO DOS FATOS </strong>&ndash; PRESEN&Ccedil;A DO SUPOSTO AGRESSOR E DAS TESTEMUNHAS NO LOCAL QUE N&Atilde;O FORAM INDICADAS NO DOCUMENTO P&Uacute;BLICO &ndash; CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O DO FALSO &ndash; RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo eproc n. 0000885-23.2019.9.13.0003; Relator: Desembargador Jadir Silva; Julgamento (un&acirc;nime): 01/06/2023. EPROC: 07/06/2023 (Destaque-se).</p> <p> </p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL &ndash; FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; AUTORIA E MATERIALIDADE DELITIVA COMPROVADAS &ndash; REFORMA DA SENTEN&Ccedil;A PRIMEVA &ndash; CONDENA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO<strong>. - Comete o delito tipificado no art. 312 do CPM o policial militar que insere em boletim de ocorr&ecirc;ncia declara&ccedil;&atilde;o falsa e diversa da que deveria constar, com a finalidade de encobrir irregularidades procedidas em atua&ccedil;&atilde;o policial.</strong> APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo n. 0000090-72.2009-13.0001; Relator: Juiz S&oacute;crates Edgard dos Anjos; Julgamento (preliminar: majorit&aacute;ria. M&eacute;rito (un&acirc;nime); 18/12/2018. DJME: 21/02/2019 (Destaque-se).</p> <p> </p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL &ndash; CRIMES DE LES&Atilde;O CORPORAL E FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; PRELIMINARES DE ILICITUDE DE PROVA E IN&Eacute;PCIA DA DEN&Uacute;NCIA &ndash; REJEI&Ccedil;&Atilde;O &ndash; M&Eacute;RITO &ndash; ABORDAGEM COM USO EXCESSIVO E INJUSTIFICADO DA FOR&Ccedil;A &ndash; AGRESS&Otilde;ES F&Iacute;SICAS COMPROVADAS POR PROVA TESTEMUNHAL, M&Iacute;DIA AUDIOVISUAL E LAUDO M&Eacute;DICO &ndash; CONDUTA DESPROPORCIONAL AO CONTEXTO DA ABORDAGEM &ndash; CONDENA&Ccedil;&Atilde;O PELO CRIME DE LES&Atilde;O CORPORAL MANTIDA &ndash; INSER&Ccedil;&Atilde;O DE DADOS FALSOS EM BOLETIM DE OCORR&Ecirc;NCIA &ndash; CONDUTA DOLOSA &ndash; CONDENA&Ccedil;&Atilde;O PELO CRIME DE FALSIDADE IDEOL&Oacute;GICA &ndash; RECURSO DEFENSIVO DESPROVIDO &ndash; RECURSO MINISTERIAL PROVIDO. - Rejeita-se a preliminar de ilicitude da prova audiovisual quando n&atilde;o demonstrados v&iacute;cios concretos de adultera&ccedil;&atilde;o ou quebra da cadeia de cust&oacute;dia das imagens, sobretudo quando aceita pelas partes durante a instru&ccedil;&atilde;o e corroborada por outros elementos de prova. - A den&uacute;ncia que preenche os requisitos legais e viabiliza o pleno exerc&iacute;cio do contradit&oacute;rio e da ampla defesa n&atilde;o &eacute; inepta. - Comprovado o uso desnecess&aacute;rio e desproporcional da for&ccedil;a por policiais militares durante abordagem, evidenciado por v&iacute;deos e depoimentos consistentes, correta &eacute; a condena&ccedil;&atilde;o por les&atilde;o corporal leve<strong>. - Configura falsidade ideol&oacute;gica a inser&ccedil;&atilde;o, de forma consciente e volunt&aacute;ria, de informa&ccedil;&otilde;es sabidamente inver&iacute;dicas no boletim de ocorr&ecirc;ncia, com o objetivo de acobertar conduta il&iacute;cita e afastar eventuais responsabiliza&ccedil;&otilde;es.</strong> - Mantida a condena&ccedil;&atilde;o por les&atilde;o corporal e reformada a absolvi&ccedil;&atilde;o pelo crime de falsidade ideol&oacute;gica. - Recurso da defesa desprovido. Recurso do Minist&eacute;rio P&uacute;blico provido. APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; Processo n. 2000206-13.2024.9.13.0003; Relator: Desembargador Fernando Armando Ribeiro; Revisor: Desembargador S&oacute;crates Edgard dos Anjos; Julgamento (un&acirc;nime): 22/05/2025. Eproc: 06/06/2025 (Destaque-se).</p> <p>sofistica&ccedil;&atilde;o ou maior reprovabilidade; os motivos determinantes n&atilde;o evidenciam especial reprovabilidade al&eacute;m daquela j&aacute; inerente ao tipo penal; as circunst&acirc;ncias de tempo e lugar n&atilde;o demonstram maior gravidade; os antecedentes s&atilde;o favor&aacute;veis; e n&atilde;o h&aacute; elementos que indiquem atitude de insensibilidade, indiferen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de arrependimento ap&oacute;s o crime. Dessa forma, fixo a pena-base em 1 (um) ano de reclus&atilde;o.</p> <p><strong>Na segunda e na terceira fases</strong>, ausentes agravantes e atenuantes, bem como causas de aumento e de diminui&ccedil;&atilde;o, concretizo a pena da acusada em 1 (um) ano de reclus&atilde;o, a ser cumprida em regime aberto.</p> <p><strong> Nos termos do art. 79, par&aacute;grafo &uacute;nico, do CPM</strong>, concretizo a reprimenda da acusada Jeane em <strong>1 (um) ano de reclus&atilde;o</strong> referente ao delito de falsidade ideol&oacute;gica e <strong>1 (ano) de deten&ccedil;&atilde;o</strong> relativo ao crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, <strong>executando-se primeiro aquela</strong>.</p> <p>Nos termos do art. 33, &sect;1&ordm;, al&iacute;nea &ldquo;c&rdquo;, estabele&ccedil;o o regime prisional aberto para o in&iacute;cio do cumprimento de pena.</p> <p>Presentes os requisitos legais, concedo &agrave; acusada a suspens&atilde;o condicional da pena (<em>sursis</em>), pelo prazo de 2 (dois) anos, mediante condi&ccedil;&otilde;es a serem fixadas pelo ju&iacute;zo da execu&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Pelo exposto, com renovada v&ecirc;nia ao eminente relator, <strong>voto</strong> no sentido de:</p> <p><strong>(i)</strong> <strong>negar provimento</strong> ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pela defesa de <strong>Andr&eacute; Lu&iacute;s dos Santos</strong>, mantendo integralmente a sua condena&ccedil;&atilde;o pela pr&aacute;tica do crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria, previsto no art. 322 do CP, nos exatos termos da r. senten&ccedil;a;</p> <p><strong>(ii)</strong> <strong>dar provimento</strong> ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, para <strong>condenar Jeane L&uacute;cia de Assis Souza</strong> como incursa nas san&ccedil;&otilde;es do art. 312 do CPM (falsidade ideol&oacute;gica), fixando-lhe a pena em <strong>1 (um) ano de reclus&atilde;o</strong>, em regime inicial aberto, com concess&atilde;o do <em>sursis</em>, nos termos da fundamenta&ccedil;&atilde;o;</p> <p><strong>(iii)</strong> <strong>acompanhar o relator</strong> para <strong>rejeitar</strong> <strong>a preliminar</strong> defensiva e, no m&eacute;rito, <strong>negar provimento</strong> ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto por <strong>Jeane L&uacute;cia de Assis Souza</strong> quanto ao crime de viol&ecirc;ncia arbitr&aacute;ria (art. 322 do CP), mantendo sua condena&ccedil;&atilde;o &agrave; pena de <strong>1 (um) ano de deten&ccedil;&atilde;o</strong>, em regime inicial aberto.</p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p><strong>DESEMBARGADOR S&Oacute;CRATES EDGARD DOS ANJOS</strong></p> <p>Acompanho, pelos mesmos fundamentos, o voto do eminente desembargador relator.</p> <p><strong>Belo Horizonte, sess&atilde;o ordin&aacute;ria presencial de julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais, aos 16 de abril de 2026.</strong></p> <p>Desembargador <strong>James Ferreira Santos</strong></p> <p><strong>Relator</strong></p></section> <section> <p>Belo Horizonte, 16 de abril de 2026.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

30/04/2026, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação Outros - <?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?> <html lang="pt-br"> <head> <style></style> </head> <body> <article data-id_sessao_julgamento="711773749983340510091170373242" data-seq_aditamento=""><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Título" data-nome="titulo" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="titulo" align="center"><p>Segunda Câmara </p><p>Pauta de Julgamentos</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Cabecalho da Pauta" data-nome="cabecalho_pauta" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="cabecalhoPauta"><p>Determino a inclusão dos processos abaixo relacionados na Pauta de Julgamentos ORDINÁRIA do dia 09 de abril de 2026, quinta-feira, às 14h00min, podendo, entretanto, nessa mesma Sessão ou Sessões subseqüentes, ser julgados os processos adiados ou constantes de Pautas já publicadas.</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Identificação do Processo" data-nome="identificacao_processo" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="identificacao_processo"><p><span data-classe_processo="417"> Apelação Criminal </span><span data-numero_processo="20000300620259130001" data-sin_numero_processo="true">Nº 2000030-06.2025.9.13.0001/</span><span data-origem_processo="JME">JME</span><span data-tipo_pauta="Pauta"> (Pauta: 5)</span></p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Relator" data-nome="relator" data-sin_conteudo_obrigatorio="true"><p data-cod_magistrado="3727" data-sin_relator="true"><span>RELATOR</span>: <span>Desembargador JAMES FERREIRA SANTOS</span></p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Partes" data-nome="partes" data-sin_conteudo_obrigatorio="true"><div data-polo="autores"><div data-sin_parte_principal="S" data-parte_polo="autor" data-sin_parte_entidade="false"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711767806957323133948070045623"><span>APELANTE</span>: <span>ANDRE LUIS DOS SANTOS (RÉU)</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711737031349036693910968957570"><span>ADVOGADO(A)</span>: <span>GERALDO DIAS DA SILVA JUNIOR (OAB MG181001)</span></p></div><div data-sin_parte_principal="S" data-parte_polo="autor" data-sin_parte_entidade="false"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711767806957323133948070045626"><span>APELANTE</span>: <span>JEANE LUCIA DE ASSIS SOUZA (RÉU)</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711527258334591280204643565104"><span>ADVOGADO(A)</span>: <span>PAULO HENRIQUE SOUZA RIBEIRO (OAB MG158375)</span></p></div><div data-sin_parte_principal="N" data-parte_polo="autor" data-sin_parte_entidade="true"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711767808576962880098326430694"><span>APELANTE</span>: <span>MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711597672680883753818134423355"><span>PROCURADOR(A)</span>: <span>ELBA RONDINO</span></p></div></div><div data-polo="reus"><div data-sin_parte_principal="S" data-parte_polo="reu" data-sin_parte_entidade="true"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711767808576962880098321558384"><span>APELADO</span>: <span>MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711597672680883753818134423355"><span>PROCURADOR(A)</span>: <span>ELBA RONDINO</span></p></div><div data-sin_parte_principal="N" data-parte_polo="reu" data-sin_parte_entidade="false"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711767808576962880098352771431"><span>APELADO</span>: <span>JEANE LUCIA DE ASSIS SOUZA</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711527258334591280204643565104"><span>ADVOGADO(A)</span>: <span>PAULO HENRIQUE SOUZA RIBEIRO (OAB MG158375)</span></p></div></div></section> <section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Data" data-nome="data_pauta" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="DataPauta"><p>Publique-se e Registre-se.</p><p>Belo Horizonte, 17 de março de 2026.</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Assinatura" data-nome="assinatura" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="AssinaturaPauta"><p>Desembargador SOCRATES EDGARD DOS ANJOS </p><p>Presidente</p></section></article></body></html>

18/03/2026, 00:00

Remessa Externa - 1AJME -> TJM

07/01/2026, 14:41

11010 - Proferido despacho de mero expediente

07/01/2026, 10:58

51 - Conclusos/5 - Para despacho

19/12/2025, 15:28

PETIÇÃO PROTOCOLADA JUNTADA - Refer. ao Evento: 261

18/12/2025, 18:55

12266 - Confirmada a intimação eletrônica - Refer. ao Evento: 260

09/12/2025, 17:30

PETIÇÃO PROTOCOLADA JUNTADA - Refer. ao Evento: 260

09/12/2025, 17:30

Publicado no DJEN - no dia 03/12/2025 - Refer. ao Evento: 261

03/12/2025, 02:40

Disponibilizado no DJEN - no dia 02/12/2025 - Refer. ao Evento: 261

02/12/2025, 02:10

Publicacao/Comunicacao Intimação - Despacho DESPACHO <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> </header> <section><b>A&ccedil;&atilde;o Penal Militar - Procedimento Ordin&aacute;rio N&ordm; 2000030-06.2025.9.13.0001/MG</b></section> <section><b><table><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: JEANE LUCIA DE ASSIS SOUZA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: PAULO HENRIQUE SOUZA RIBEIRO (OAB MG158375)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">DESPACHO</p> </section> <section> <p><em>Vistos etc.</em></p> <p>Intime-se o Minist&eacute;rio P&uacute;blico para oferecer, no prazo legal de 10 (dez) dias, contrarraz&otilde;es ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o interposto pelas defesas (<em>Eventos 256 e 257</em>) dos acusados <span>Jeane Lucia de Assis Souza</span> e <span>Andre Luis dos Santos</span>, nos termos do art. 531 do CPPM.</p> <p>De igual modo, intime-se a defesa da denunciada <span>Jeane Lucia de Assis Souza</span> para oferecer, no prazo legal de 10 (dez) dias, contrarraz&otilde;es ao recurso interposto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico (<em>Evento 250</em>).</p> <p> </p> <p>Cumpra-se.</p> <p> </p> <p>Belo Horizonte - MG, data da assinatura eletr&ocirc;nica. </p> <p> </p> <p><strong>BRUNO CORTEZ TORRES CASTELO BRANCO</strong></p> <p>Juiz de Direito Substituto da 1<sup>a</sup> Auditoria da Justi&ccedil;a Militar</p> <p> </p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

02/12/2025, 00:00

12265 - Expedida/certificada a intimação eletrônica

01/12/2025, 17:04

12265 - Expedida/certificada a intimação eletrônica

01/12/2025, 17:02

11010 - Proferido despacho de mero expediente

27/11/2025, 18:46

51 - Conclusos/5 - Para despacho

25/11/2025, 11:19
Documentos
DESPACHO
07/01/2026, 10:58
DESPACHO
27/11/2025, 18:46
ATO ORDINATÓRIO
11/11/2025, 17:50
VÍDEO
31/10/2025, 14:22
ATA DE AUDIÊNCIA
31/10/2025, 11:29
SENTENÇA
31/10/2025, 09:31
PAINEL ADMINISTRATIVO
20/10/2025, 16:47
ATO ORDINATÓRIO
20/10/2025, 16:25
ATA DE AUDIÊNCIA
17/10/2025, 19:26
ATO ORDINATÓRIO
30/09/2025, 16:25
DESPACHO
30/09/2025, 15:29
ATO ORDINATÓRIO
25/09/2025, 13:50
DESPACHO
18/09/2025, 18:23
ATO ORDINATÓRIO
17/09/2025, 16:25
DESPACHO
08/09/2025, 18:18