TJES - 5007675-56.2025.8.08.0000
2ª instância - Câmara / Desembargador(a) Gab. Desemb. Fernando Zardini Antonio - Vitoria
Polo Passivo
Advogados
Nenhum advogado registrado.
Movimentações
Todas as movimentações dos processos publicadas pelos tribunais
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01/08/2025 14:01
Juntada de Petição de Petição (outras)
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01/08/2025 00:00
Intimação
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PODER JUDICIÁRIO PROCESSO Nº 5007675-56.2025.8.08.0000 REVISÃO CRIMINAL (12394) REQUERENTE: WALLAFF ALVES ALMADA COSTA REQUERIDO: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO RELATOR(A): ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ EMENTA ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PODER JUDICIÁRIO Reunidas - 1º Grupo Criminal GABINETE DO DESEMBARGADOR FERNANDO ZARDINI ANTONIO Rua Desembargador Homero Mafra, 60, Enseada do Suá, Vitória - ES - CEP: 29050-906 REVISÃO CRIMINAL (12394) Nº 5007675-56.2025.8.08.0000 - Reunidas - 1º Grupo Criminal REQUERENTE: WALLAFF ALVES ALMADA COSTA REQUERIDO: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO RELATOR: Des.
FERNANDO ZARDINI ANTONIO ACÓRDÃO Ementa: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL.
REVISÃO CRIMINAL.
TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33, CAPUT, DA LEI Nº 11.343/2006).
PLEITO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO PESSOAL (ART. 28 DA LEI Nº 11.343/2006).
SENTENÇA CONTRÁRIA À EVIDÊNCIA DOS AUTOS.
NÃO CONFIGURAÇÃO.
CIRCUNSTÂNCIAS DA PRISÃO QUE INDICAM A TRAFICÂNCIA.
REVISÃO CRIMINAL JULGADA IMPROCEDENTE.
I.
CASO EM EXAME Revisão Criminal ajuizada contra acórdão que manteve a condenação pelo crime de tráfico de entorpecentes (art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006), com pena de 01 ano e 08 meses de reclusão em regime aberto.
O requerente alega que a decisão foi contrária à evidência dos autos, pleiteando a desclassificação da conduta para posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da mesma lei), sob o argumento de que a substância apreendida não se destinava ao comércio.
II.
QUESTÕES EM DISCUSSÃO Definir se as provas produzidas nos autos são suficientes para sustentar a condenação por tráfico de drogas ou se, ao contrário, autorizam a desclassificação da conduta para uso pessoal, por suposta contrariedade à evidência dos autos.
III.
RAZÕES DE DECIDIR A aferição da destinação do entorpecente não se baseia exclusivamente na quantidade apreendida.
Conforme o art. 28, § 2º, da Lei nº 11.343/2006, o juiz deve analisar a natureza da substância, o local e as condições da ação, as circunstâncias sociais e pessoais do agente, sua conduta e seus antecedentes.
As circunstâncias da apreensão reforçam a finalidade comercial da droga.
A abordagem policial não foi aleatória, mas originada por denúncias anônimas sobre tráfico de drogas praticado por indivíduos armados na localidade.
A posse de dinheiro em notas trocadas (R$ 119,00) pelo requerente constitui indício da atividade de traficância, sendo compatível com a venda de entorpecentes.
O contexto fático, que inclui a apreensão de mais drogas (maconha, cocaína e crack) e uma arma de fogo com o corréu, indica uma atividade delitiva organizada que ultrapassa o mero consumo individual.
A condição de usuário não impede a simultânea caracterização como traficante.
Se as provas demonstram a prática de atos de comércio de entorpecentes, a desclassificação da conduta é inviável, ainda que o agente também seja consumidor.
IV.
DISPOSITIVO E TESE Resultado do julgamento: Revisão Criminal conhecida e julgada improcedente.
Tese de julgamento: Para determinar se a droga se destinava a consumo pessoal, o julgador deve atender não apenas à quantidade, mas a um conjunto de critérios objetivos e subjetivos previstos no art. 28, § 2º, da Lei de Drogas.
As circunstâncias da prisão em flagrante, como a existência de denúncia anônima sobre o tráfico, a apreensão de dinheiro trocado e a prisão de um corréu com mais drogas e arma, são elementos probatórios válidos para caracterizar o crime do art. 33 da Lei nº 11.343/2006.
A coexistência das condições de usuário e traficante no mesmo agente não autoriza a desclassificação para o tipo do art. 28 quando comprovada a prática de atos de traficância.
Dispositivos relevantes citados: Art. 621, I, do Código de Processo Penal; Arts. 28, § 2º, e 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.
Jurisprudência relevante citada: TJES, Apelação Criminal 014190064635, 2ª Câmara Criminal, Rel.
Des.
Adalto Dias Tristão, j. 6/10/2022. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ ACÓRDÃO Decisão: À unanimidade, julgar improcedente a ação, nos termos do voto do Relator. Órgão julgador vencedor: Gabinete Des.
FERNANDO ZARDINI ANTONIO Composição de julgamento: Gabinete Des.
FERNANDO ZARDINI ANTONIO - FERNANDO ZARDINI ANTONIO - Relator / Gabinete Desª.
RACHEL DURÃO CORREIA LIMA - RACHEL DURAO CORREIA LIMA - Revisor / Gabinete Des.
HELIMAR PINTO - HELIMAR PINTO - Vogal / Gabinete Des.
EDER PONTES DA SILVA - EDER PONTES DA SILVA - Vogal / Gabinete Des.
UBIRATAN ALMEIDA AZEVEDO - UBIRATAN ALMEIDA AZEVEDO - Vogal / Gabinete Des.
PEDRO VALLS FEU ROSA - PEDRO VALLS FEU ROSA - Vogal / Gabinete Des.
WALACE PANDOLPHO KIFFER - WALACE PANDOLPHO KIFFER - Vogal VOTO REVISOR Gabinete Desª.
RACHEL DURÃO CORREIA LIMA - RACHEL DURAO CORREIA LIMA (Revisor) Acompanhar VOTOS VOGAIS Gabinete Des.
HELIMAR PINTO - HELIMAR PINTO (Vogal) Acompanhar Gabinete Des.
EDER PONTES DA SILVA - EDER PONTES DA SILVA (Vogal) Acompanhar Gabinete Des.
UBIRATAN ALMEIDA AZEVEDO - UBIRATAN ALMEIDA AZEVEDO (Vogal) Acompanhar Gabinete Des.
PEDRO VALLS FEU ROSA - PEDRO VALLS FEU ROSA (Vogal) Acompanhar Gabinete Des.
WALACE PANDOLPHO KIFFER - WALACE PANDOLPHO KIFFER (Vogal) Acompanhar DESEMBARGADOR(RES) IMPEDIDO(S) Gabinete Des.
MARCOS VALLS FEU ROSA - MARCOS VALLS FEU ROSA (Vogal) Impedido ou Suspeito ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ RELATÓRIO _______________________________________________________________________________________________________________________________________________ NOTAS TAQUIGRÁFICAS ________________________________________________________________________________________________________________________________________________ VOTO VENCEDOR ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PODER JUDICIÁRIO Reunidas - 1º Grupo Criminal GABINETE DO DESEMBARGADOR FERNANDO ZARDINI ANTONIO Rua Desembargador Homero Mafra, 60, Enseada do Suá, Vitória - ES - CEP: 29050-906 REVISÃO CRIMINAL (12394) Nº 5007675-56.2025.8.08.0000 - Reunidas - 1º Grupo Criminal REQUERENTE: WALLAFF ALVES ALMADA COSTA REQUERIDO: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO RELATOR: Des.
FERNANDO ZARDINI ANTONIO VOTO Trata-se de Revisão Criminal ajuizada por WALLAFF ALVES ALMADA COSTA, objetivando a rescisão de condenação transitada em julgado nos autos da ação penal nº 0002747-13.2022.8.08.0014, da 1ª Vara Criminal de Colatina, pela prática do crime definido no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, com pena fixada em 01 (um) ano e 08 (oito) meses de reclusão, em regime aberto.
O requerente postula a rescisão da condenação, com fundamento no artigo 621, inciso I, do Código de Processo Penal, alegando que a sentença condenatória foi contrária à evidência dos autos.
Sustenta a ausência de provas para a condenação por tráfico, requerendo a desclassificação da conduta para a figura do artigo 28 da Lei nº 11.343/06, ao argumento de que o entorpecente apreendido se destinava a uso pessoal.
A douta Subprocuradora-Geral de Justiça Judicial, Dra.
ANDREA MARIA DA SILVA ROCHA, em seu parecer (ID 14051004), pugna pelo conhecimento da revisão criminal e, no mérito, pela sua improcedência.
Esta a síntese do feito.
Passo a me manifestar sobre o pedido de desclassificação da conduta para a figura típica aludida no artigo 28 da Lei nº 11.343/2006.
Aqui, rememoro que o § 2º do artigo 28 da Lei nº 11.343/2006 dá os direcionamentos a serem seguidos pela autoridade judicial na apreciação da prova da destinação do entorpecente apreendido, senão vejamos: § 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
Assim, servirão de parâmetros para a aferição a natureza e a quantidade do entorpecente, o local e as condições em que foi feita a apreensão e caracteres pessoais do réu, como sua conduta social e sua vida pregressa.
Logo, o volume da apreensão, aliado aos demais fatores legais, como as circunstâncias da apreensão e caracteres pessoais do acusado, devem nortear a aferição judicial.
No particular, observo que, embora a quantidade de entorpecentes apreendidos com o revisionando (05 pedras de crack) não seja expressiva, as circunstâncias da apreensão reforçam a natureza comercial do entorpecente.
Conforme se extrai dos depoimentos policiais e da própria sentença condenatória, a abordagem não foi aleatória, mas decorreu de denúncias anônimas de que havia indivíduos armados praticando tráfico de drogas no bairro Bela Vista.
Além de cinco pedras de crack, o revisionando também portava numerário (R$ 119,00) em notas trocadas, possivelmente levantado na venda de entorpecentes.
Vale também pontuar que com o corréu foram apreendidos uma bucha de maconha, um pino de cocaína, vinte e uma pedras de crack e uma arma de fogo calibre .32 carregada, elementos que, no contexto geral da ocorrência, indicam uma atividade delitiva organizada e que ultrapassa o mero consumo pessoal.
Além do mais, nada impede que possam coexistir, no mesmo agente, as duas figuras - usuário e traficante – caso em que, ainda que o agente efetivamente faça uso de drogas, se praticava conduta dirigida para o tráfico ilícito de substância entorpecente, fica inviabilizado o reconhecimento da desclassificação (TJES, Apelação Criminal 014190064635, 2ª Câmara Criminal, Rel.
Des.
Adalto Dias Tristão, 6/10/2022).
Das provas coligidas aos autos, resta claro que a operação em apreço conduziu à prisão do revisionando, em flagrante delito, pela prática do crime previsto no artigo 33, da Lei nº 11.343/2006.
Logo, não se torna possível acolher o pleito desclassificatório.
Ante o exposto, em consonância com o parecer ministerial, CONHEÇO da revisão criminal para, no mérito, julgá-la IMPROCEDENTE. É como voto. _________________________________________________________________________________________________________________________________ VOTOS ESCRITOS (EXCETO VOTO VENCEDOR) Acompanho o e.
Relator. É como voto.
Acompanho o eminente Relator, para julgar improcedente o pedido. É como voto. -
31/07/2025 17:55
Expedição de Intimação eletrônica.
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31/07/2025 17:55
Expedida/certificada a intimação eletrônica
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29/07/2025 17:17
Julgado improcedente o pedido de WALLAFF ALVES ALMADA COSTA - CPF: *71.***.*48-08 (REQUERENTE)
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29/07/2025 13:23
Juntada de Certidão - julgamento
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28/07/2025 18:56
Deliberado em Sessão - Julgado - Mérito
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10/07/2025 16:49
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 10/07/2025
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09/07/2025 15:12
Inclusão em pauta para julgamento de mérito
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30/06/2025 18:58
Processo devolvido à Secretaria
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30/06/2025 18:58
Pedido de inclusão em pauta
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30/06/2025 16:14
Pedido de inclusão em pauta
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09/06/2025 11:11
Conclusos para decisão a FERNANDO ZARDINI ANTONIO
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09/06/2025 10:57
Juntada de Petição de Petição (outras)
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30/05/2025 17:13
Expedida/certificada a intimação eletrônica
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28/05/2025 15:49
Processo devolvido à Secretaria
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28/05/2025 15:49
Proferido despacho de mero expediente
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21/05/2025 20:58
Conclusos para despacho a FERNANDO ZARDINI ANTONIO
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21/05/2025 20:58
Distribuído por sorteio
Detalhes
Situação
Ativo
Ajuizamento
21/05/2025
Ultima Atualização
01/08/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Detalhes
Documentos
Acórdão • Arquivo
Despacho - revisor • Arquivo
Relatório • Arquivo
Despacho • Arquivo
Despacho • Arquivo
Documento de comprovação • Arquivo
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