TJPI - 0800549-10.2023.8.18.0061
2ª instância - Câmara / Desembargador(a) Gabinete Des. Francisco Gomes da Costa Neto
Processos Relacionados - Outras Instâncias
Polo Ativo
Partes
Advogados
Nenhum advogado registrado.
Polo Passivo
Advogados
Nenhum advogado registrado.
Movimentações
Todas as movimentações dos processos publicadas pelos tribunais
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09/07/2025 11:03
Arquivado Definitivamente
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09/07/2025 11:03
Baixa Definitiva
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09/07/2025 11:02
Remetidos os Autos (por julgamento definitivo do recurso) para a instância de origem
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09/07/2025 11:00
Transitado em Julgado em 03/07/2025
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09/07/2025 11:00
Expedição de Certidão.
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03/07/2025 03:05
Decorrido prazo de BANCO BRADESCO S.A. em 02/07/2025 23:59.
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03/07/2025 03:05
Decorrido prazo de JOSE DE SOUSA em 02/07/2025 23:59.
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09/06/2025 00:37
Publicado Intimação em 09/06/2025.
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09/06/2025 00:37
Publicado Intimação em 09/06/2025.
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07/06/2025 00:08
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 07/06/2025
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07/06/2025 00:08
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 07/06/2025
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06/06/2025 00:00
Intimação
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800549-10.2023.8.18.0061 APELANTE: JOSE DE SOUSA Advogado(s) do reclamante: LUIS ROBERTO MOURA DE CARVALHO BRANDAO, HENRY WALL GOMES FREITAS APELADO: BANCO BRADESCO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A Advogado(s) do reclamado: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO RELATOR(A): Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL.
APELAÇÃO.
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ.
ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS.
COMPROVAÇÃO DE CONTRATAÇÃO REGULAR DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO.
MANUTENÇÃO DA MULTA.
RECURSO DESPROVIDO. 1.
Apelação interposta contra sentença que condenou a parte apelante por litigância de má-fé, em razão de alegações infundadas de inexistência de contrato de empréstimo consignado, quando os documentos juntados demonstram a regularidade da contratação e disponibilização dos valores. 2.
Há duas questões em discussão: (i) verificar se houve dolo da parte apelante a caracterizar a litigância de má-fé; (ii) determinar se a sentença que impôs multa por litigância de má-fé deve ser mantida. 3.
A configuração da litigância de má-fé depende da comprovação do dolo da parte, conforme estabelecido pelos arts. 17 e 18 do CPC e jurisprudência do STJ. 4.
A parte apelante falseou a verdade dos fatos ao alegar que não celebrou o contrato de empréstimo consignado, sendo que os documentos juntados aos autos comprovam a regularidade da contratação e a disponibilização do numerário. 5.
A prática de alteração maliciosa dos fatos processuais atenta contra a ética e a dignidade da Justiça, devendo ser mantida a condenação por litigância de má-fé. 6.
O benefício da justiça gratuita não isenta a parte da multa por litigância de má-fé, devendo ser respeitada a suspensão de exigibilidade enquanto mantida a gratuidade. 7.
Recurso conhecido e desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de recurso de APELAÇÃO CÍVEL interposta por JOSÉ DE SOUSA contra sentença proferida nos autos da Ação Declaratória de Inexistência Negócio Jurídico c/c Repetição de indébito c/c Danos Morais e Pedido de Tutela de Urgência (Proc. nº 0800549-10.2023.8.18.0061), ajuizada contra o BANCO BRADESCO S/A, ora apelado.
Na sentença (id. 15879805), o magistrado de 1º grau julgou improcedente o pleito inicial, bem como condenou a parte autora nas custas processuais e nos honorários advocatícios, esses suspensos a exigibilidade, ante a concessão da gratuidade da justiça, além da litigância de má-fé no valor de 9% (nove por cento) sobre o valor corrigido da causa.
Nas suas razões (id. 15879808), a parte apelante insurge-se contra a multa por litigância de má-fé a ela aplicada.
Alega que não restou demonstrado que agiu de forma dolosa ou culposa a causar prejuízo à parte adversa.
Requer o provimento do recurso, com a reforma da sentença de origem.
Nas contrarrazões (id. 15879812), a parte apelada pugna pela manutenção da sentença de origem, eis que restou caracterizada a litigância de má-fé.
O Ministério Público Superior deixou de emitir parecer, por ser desnecessária sua intervenção. É o relatório.
Inclua-se em pauta.
Teresina-PI, data registrada em sistema.
VOTO I.
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, conheço da apelação.
II.
MÉRITO A parte apelante alega que não cometeu conduta caracterizada como litigância de má-fé, haja vista que não houve intenção dolosa.
A princípio, este Relator entendia que, nos casos como o dos autos, não se vislumbrava qualquer ato que demonstrasse má-fé no comportamento processual da recorrente.
Todavia, diante do crescente número de ações em tramitação no âmbito do Poder Judiciário piauiense, sempre questionando de forma massiva a existência e/ou validade de contratos firmados com Instituições Financeiras, com pedidos genéricos manifestados em petições padronizadas, sem especificação diferenciada de cada caso concreto e simples alterações dos nomes das partes, números de contrato e respectivos valores discutidos, surgindo a possibilidade de caracterização de demandas predatórias, resolvi rever o meu posicionamento acerca do tema. É imperioso frisar que o entendimento jurisprudencial majoritário é no sentido de que a configuração da litigância de má-fé depende da configuração do dolo da parte, que deve ficar comprovado nos autos.
Nessa direção, são os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
BRASIL TELECOM S.A.
MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ (ART. 18, CAPUT e § 2º, CPC).
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO PREVISTO EM LEI.
AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO.
AFASTAMENTO DA PENA.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE. 1 – Deve ser afastada a aplicação de multa por litigância de má-fé (art. 18, caput e § 2º, do CPC) quando a parte interpõe recurso previsto em lei e não demonstrado o dolo do recorrente.
Precedentes. 2.
Agravo regimental não provido. (STJ – AgRg no AREsp 315309 SC 2013/0076251-7, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento: 19/09/2013, T3 – TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/09/2013) PROCESSUAL CIVIL.
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
VIOLAÇÃO DO ART. 535/1973.
NÃO OCORRÊNCIA.
EMBARGOS À EXECUÇÃO.
VALORES PAGOS ADMINISTRATIVAMENTE.
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ.
ARTIGO 17 DO CPC/1973.
CARACTERIZAÇÃO.
ALTERAÇÃO DAS CONCLUSÕES FIRMADAS NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS.
IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ.
CÁLCULOS DA CONTADORIA.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
REEXAME DA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA.
IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1.
Não se vislumbra a ocorrência de nenhum dos vícios elencados no artigo 535 do CPC/1973 a reclamar a anulação do julgado, mormente quando o acórdão recorrido está devidamente fundamentado. 2.
Nos termos dos arts. 17 e 18 do CPC/1973, para que haja condenação por litigância de má-fé, é necessária a comprovação do dolo da parte.
Na espécie, consignou-se na sentença que tal requisito foi comprovado, de modo que, para alterar as conclusões firmadas, passaria pelo reexame do conjunto fático-probatório, encontrando óbice no teor da Súmula 7/STJ (c.f.: AgRg no AREsp 324.361/BA, Rel.
Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 3/4/2014).3.
A pretensão de revisão do entendimento proferido na origem acerca da não existência de diferenças e da ocorrência de cerceamento de defesa implica, na espécie, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é obstado pela Súmula 7/STJ.
Precedente: AgRg no AREsp 556.811/RJ, Rel.
Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/10/2014) 4.
Agravo interno não provido. (STJ – AgInt no AREsp: 238991 RS 2012/0209251-1, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 06/12/2016, T1 – PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 02/02/2017). (Grifou-se).
Da análise aos autos, verifica-se que a parte apelante falseou a verdade dos fatos, quando afirmou que não celebrou ou não anuiu à contratação de empréstimo consignado, já que os documentos juntados pela Parte Ré demonstram, de maneira irrefutável, que tal se deu dentro da regularidade e que o numerário foi devidamente disponibilizado (id nº. 15879800 e nº. 15879801).
Com efeito, o processo tem vocação ética e impõe deveres correlatos às partes, de modo que a prática maliciosa de alteração dos fatos é incompatível com a dignidade da Justiça, razão por que deve ser mantida incólume a decisão recorrida em todos os seus termos.
Advirto ainda, que o benefício da justiça gratuita não exime o apelante do pagamento da multa por litigância de má-fé.
III.
DISPOSITIVO Com estes fundamentos, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo-se a sentença incólume.
Majoro os honorários advocatícios para o patamar de 15% (quinze por cento) do valor da causa, permanecendo a cobrança em condição de suspensão de exigibilidade em virtude da gratuidade da justiça.
Preclusas as vias impugnatórias, dê-se baixa na distribuição, com remessa dos autos ao juízo de origem. É como voto.
Teresina/PI, data registrada no sistema.
Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO Relator -
05/06/2025 14:05
Expedição de Outros documentos.
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05/06/2025 14:05
Expedição de Outros documentos.
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03/06/2025 20:34
Conhecido o recurso de JOSE DE SOUSA - CPF: *35.***.*29-49 (APELANTE) e não-provido
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16/05/2025 12:39
Deliberado em Sessão - Julgado - Mérito
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16/05/2025 12:38
Juntada de Petição de certidão de julgamento colegiado
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29/04/2025 00:17
Publicado Certidão de Inclusão em Pauta em 29/04/2025.
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29/04/2025 00:17
Disponibilizado no DJ Eletrônico em 29/04/2025
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28/04/2025 16:03
Expedição de Outros documentos.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Outros documentos.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Intimação de processo pautado.
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28/04/2025 16:03
Expedição de Certidão de Publicação de Pauta.
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28/04/2025 00:00
Intimação
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 4ª Câmara Especializada Cível PROCESSO: 0800549-10.2023.8.18.0061 CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198) APELANTE: JOSE DE SOUSA Advogados do(a) APELANTE: LUIS ROBERTO MOURA DE CARVALHO BRANDAO - PI15522-A, HENRY WALL GOMES FREITAS - PI4344-A APELADO: BANCO BRADESCO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A Advogado do(a) APELADO: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO - PE23255-A RELATOR(A): Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO DATA E HORÁRIO DE INÍCIO: 09/05/2025 - 14:00 CERTIDÃO DE INCLUSÃO EM PAUTA DE JULGAMENTO De ordem do Presidente do Órgão Colegiado, a Secretaria Judiciária do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí torna público a todos os interessados, que o processo em epígrafe foi incluído em pauta de julgamento para apreciação na Sessão do Plenário Virtual da 4ª Câmara Especializada Cível de 09/05/2025 a 16/05/2025 - Relator: Des.
Costa Neto.
Para mais informações, entre em contato pelos telefones disponíveis na página da unidade no site do Tribunal: https://transparencia.tjpi.jus.br/units/110001959/public.
SECRETARIA JUDICIÁRIA, em Teresina, 25 de abril de 2025. -
25/04/2025 10:11
Expedição de Outros documentos.
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25/04/2025 10:08
Inclusão do processo para julgamento eletrônico de mérito
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24/04/2025 22:32
Pedido de inclusão em pauta virtual
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04/01/2025 05:58
Juntada de petição
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13/08/2024 09:56
Conclusos para o Relator
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28/05/2024 03:28
Decorrido prazo de JOSE DE SOUSA em 27/05/2024 23:59.
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22/05/2024 03:01
Decorrido prazo de BANCO BRADESCO S.A. em 21/05/2024 23:59.
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06/05/2024 08:41
Juntada de Petição de manifestação
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26/04/2024 09:40
Expedição de Outros documentos.
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26/04/2024 09:40
Expedição de Outros documentos.
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26/04/2024 09:40
Expedição de Outros documentos.
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30/03/2024 07:16
Recebidos os autos
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19/03/2024 13:53
Recebido o recurso Com efeito suspensivo
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14/03/2024 09:52
Recebidos os autos
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14/03/2024 09:52
Conclusos para Conferência Inicial
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14/03/2024 09:52
Distribuído por sorteio
Detalhes
Situação
Ativo
Ajuizamento
14/03/2024
Ultima Atualização
03/06/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Detalhes
Documentos
ACÓRDÃO SEGUNDO GRAU • Arquivo
ACÓRDÃO SEGUNDO GRAU • Arquivo
TipoProcessoDocumento#252 • Arquivo
TipoProcessoDocumento#252 • Arquivo
SENTENÇA • Arquivo
SENTENÇA • Arquivo
DESPACHO • Arquivo
DESPACHO • Arquivo
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