Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
DECISÃO
PODER JUDICIÁRIO Tribunal de Justiça do Estado de Goiás Comarca de Goiânia 8ª Vara da Fazenda Pública Estadual Autos n. 5567468-82.2022.8.09.0051 Polo ativo: Handus Máximo Roriz Polo passivo: ESTADO DE GOIÁS DECISÃO
Trata-se de cumprimento de sentença ajuizado por Handus Máximo Roriz em face do Estado de Goiás, com o objetivo de executar título executivo judicial, oriundo da ação n. 5079855-02.2016.8.09.0051. Na decisão proferida no evento n. 39, foram homologados os cálculos apresentados e determinada a expedição de Requisição de Pequeno Valor (RPV). Posteriormente, foi anexada certidão ao evento n. 48, suscitando dúvida acerca do procedimento a ser adotado, em virtude da Lei n. 21.923/2023, que alterou a Lei n. 17.034/2010. Determinou-se o retorno dos autos à Contadoria Judicial, observando-se o limite de 20 (vinte) salários (evento n. 51). Foram apresentados os cálculos, com indicação de encaminhamento para precatório, abrangendo o crédito principal e a restituição das custas processuais (evento n. 57). A parte exequente manifestou-se no sentido de expedições individualizadas de RPV’s, portanto, não caberia encaminhamento para precatório (eventos n. 62 e 63). Vieram-me os autos conclusos. É o relatório. Decido. A Lei n. 21.923/2023, que majorou o limite das Requisições de Pequeno Valor do Estado de Goiás de 20 para 40 salários-mínimos, aplica-se aos processos que já transitaram em julgado antes de sua entrada em vigor. Isso porque, conforme entendimento consolidado no Tema n. 792 da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal, a irretroatividade de leis que modificam o teto para pagamento de RPVs somente ocorre quando há redução do valor máximo. Na hipótese, a nova lei elevou o teto, sendo mais favorável ao exequente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida em 10/12/2024, nos autos do ARE n. 1498059, decidiu que a aplicação do teto de 20 salários-mínimos ensejaria distinção injustificável entre credores, em prejuízo dos antigos credores. Confira-se: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E OMISSÃO. LEI DISTRITAL 6.618/2020, QUE AUMENTOU O LIMITE PARA A EXPEDIÇÃO DE REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR- RPV DE 10 PARA 20 SALÁRIOS MÍNIMOS. TEMA 792 DA REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE AO CASO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES. […] 2.
Trata-se de demanda em que se discute a constitucionalidade da Lei Distrital 6.618/2020, de origem parlamentar, que aumentou o limite para a expedição de Requisição de Pequeno Valor – RPV de 10 para 20 salários-mínimos. 3. No julgamento do RE 729.107-RG, de relatoria do Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 20/3/2015, Tema 792 da repercussão geral, discutiu-se a aplicabilidade imediata da Lei Distrital 3.624/2005, que reduziu o teto para expedição de RPV de 40 (quarenta) para 10 (dez) salários-mínimos, aos processos que transitaram em julgado durante a vigência da Lei Distrital 3.178/2002, que previa o limite de 40 salários-mínimos para fins de expedição de RPV, mas cujo cumprimento de sentença ocorreu já na vigência da lei nova. 4. Assim, a tese fixada no Tema 792 não se aplica à presente hipótese, na qual se discute as consequências da Lei Distrital 6.618/2020, que aumentou o teto para a expedição de Requisição de Pequeno Valor para 20 (vinte) salários-mínimos. 5. A filtragem constitucional das normas que restringem direitos (caso da norma distrital relacionada ao Tema 792-RG) se realiza com fundamento em conjunto principiológico distinto dos casos envolvendo normas que, ao oposto, expande direitos (caso da Lei Distrital aplicada nessa demanda). 6. É incompatível com os valores constitucionais a alegação de direito fundamental por parte da Administração Pública (direito adquirido), cujo intuito histórico é essencialmente proteger o administrado de interferências estatais indevidas, para criar distinções injustificáveis entre os particulares. 7. Tal distinção se caracteriza, no presente caso, pela não observância à cronologia no pagamento das dívidas públicas, permitindo que novos credores, beneficiados pela novel legislação, recebam antes dos antigos credores, mesmo que idênticos os montantes devidos. 8. Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao Recurso Extraordinário, a fim de deferir o pedido de expedição do requisitório nos termos da Lei Distrital 6.618/2020, que previu o teto de 20 (vinte) salários-mínimos para fins de RPV. (RE 1.361.600 AgR-ED/DF, da relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, DJe 4/11/2022). Com efeito, a aplicação da lei antiga, com o teto de 20 salários-mínimos, permitiria que novos credores, beneficiados pela legislação superveniente, recebessem antes de credores mais antigos, mesmo que os valores devidos fossem idênticos. Tal situação configuraria distinção injustificável entre credores, a qual não se coaduna com os princípios constitucionais da isonomia e da impessoalidade.
Diante do exposto, determino que o procedimento siga a determinação contida no evento n. 39, quanto à expedição da RPV, observando-se o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos. Goiânia, datado e assinado digitalmente. SUELENITA SOARES CORREIA JUÍZA DE DIREITO 1
07/04/2025, 00:00