TJBA - 0500300-29.2014.8.05.0088
1ª instância - 2Vara dos Feitos Relativos As Relacoes de Consumo, Civeis, Comerciais, Fazenda Publica e Acidentes de Trabalho - Guanambi
Movimentações
Todas as movimentações dos processos publicadas pelos tribunais
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20/03/2023 00:00
Intimação
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA 2ª V DOS FEITOS RELATIVOS AS RELAÇÕES DE CONSUMO, CÍVEIS , COMERCIAIS, CONSUMIDOR E FAZENDA PÚBLICA DE GUANAMBI INTIMAÇÃO 0500300-29.2014.8.05.0088 Procedimento Comum Cível Jurisdição: Guanambi Interessado: Eva Rosa Da Silva Santana Advogado: Marcos Vinicius Castro Guimaraes (OAB:BA33820) Interessado: Municipio De Pindai Advogado: Jose Carlos Nogueira (OAB:BA7531) Advogado: Joao Henrique Santos Ribeiro Da Silva (OAB:BA52229) Intimação: PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA 2ª V DOS FEITOS RELATIVOS AS RELAÇÕES DE CONSUMO, CÍVEIS , COMERCIAIS, CONSUMIDOR E FAZENDA PÚBLICA DE GUANAMBI Processo: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL n. 0500300-29.2014.8.05.0088 Órgão Julgador: 2ª V DOS FEITOS RELATIVOS AS RELAÇÕES DE CONSUMO, CÍVEIS , COMERCIAIS, CONSUMIDOR E FAZENDA PÚBLICA DE GUANAMBI INTERESSADO: EVA ROSA DA SILVA SANTANA Advogado(s): MARCOS VINICIUS CASTRO GUIMARAES (OAB:BA33820) INTERESSADO: MUNICIPIO DE PINDAI Advogado(s): SENTENÇA Vistos etc.
EVA ROSA DA SILVA SANTANA, qualificada na inicial, através de advogado constituído, ingressou com RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face do MUNICÍPIO DE PINDAÍ, também qualificado, alegando que exerce a função de auxiliar de serviços gerais no município demandado.
Aduziu que nos anos de 2009 e 2010 teve seus direitos inferiorizados de forma arbitrária, posto que não recebeu o pagamento integral em relação a gratificação natalina e o acréscimo de 1/3 de férias.
Ao final, requer o julgamento procedente da ação, com a consequente condenação do Município de Pindaí ao pagamento dos valores devidos.
Inicial instruída com documentação.
Citado regularmente, o Município apresentou contestação (ID 120352438), alegando, em resumo, que não são devidos quaisquer valores à parte autora, posto que o 13º e as férias acrescidas de 1/3 foram devidamente pagos a esta.
Por fim, pugna pela improcedência dos pedidos iniciais.
Impugnação à contestação aos ID nº 120352442. É o relatório.
Decido.
As questões de direito estão suficientemente elucidadas pelos documentos juntados pelas partes, estando o processo em condição de receber julgamento.
Ademais, as partes não demonstraram interesse na produção de outras provas.
Portanto, passo, de imediato, ao julgamento antecipado do mérito, com fulcro no art. 355, I, do CPC.
No tocante ao mérito, insta inicialmente registar que o décimo terceiro salário e as férias são direitos sociais assegurados a todos os trabalhadores, inclusive aos servidores públicos ocupantes de cargos efetivos, conforme preceitua o art. 7º, incisos VIII e XVII e o art. 39, §3º da Constituição Federal, in verbis: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) VIII–décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; (...) XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; (…).” “Art. 39.
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. (...) § 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir. (…).” Vê-se, assim, que o direito ao décimo terceiro salário e às férias, inclusive proporcionais, é uma garantia constitucional estendida a todos os servidores públicos.
Assim, conforme consta no art. 7º, VIII e XVII, da CF/88, o décimo terceiro e as férias devem ser calculadas sobre o total da remuneração, nesta compreendidas todas as verbas de natureza salarial.
Há, nesse sentido, precedentes da jurisprudência pátria, vejamos: “APELAÇÃO CÍVEL.
DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL.
AÇÃO DE COBRANÇA.
MUNICÍPIO DE DUAS BARRAS.
BASE DE CÁLCULO DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO E ADICIONAL DE FÉRIAS.
REMUNERAÇÃO INTEGRAL.
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA. 1.
Trata-se de recurso contra sentença que julgou procedente o pedido autoral para condenar o Município réu a pagar as diferenças salariais do 13º salário e o adicional de férias com base na remuneração integral da Autora, respeitada a prescrição das parcelas, anteriores aos cinco anos, contados da distribuição. (...) 4.
A Constituição da República, por sua vez, determina no art. 7º que o décimo terceiro salário será pago com base na remuneração integral do trabalhador.
Assim, em consonância com o mandamento constitucional, é certo que as horas extras e os demais abonos salariais devem integralizar a base de cálculo do 13º salário (gratificação natalina) e do adicional de 1/3 de férias.
Precedentes desta Tribunal. (...).”. (TJRJ – 0000049-20.2016.8.19.0020 – APELAÇÃO - Des(a).
TERESA DE ANDRADE CASTRO NEVES - Julgamento: 20/06/2018 - SEXTA CÂMARA CÍVEL). “APELAÇÃO.
ADMINISTRATIVO.
SERVIDOR PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE DUAS BARRAS.
BASE DE CÁLCULO DE DÉCIMO TERCEIRO E UM TERÇO DE FÉRIAS.
REMUNERAÇÃO INTEGRAL.
PREVISÃO CONSTITUCIONAL.
O artigo 7º, incisos VIII e XVII e o artigo 39 da Constituição Federal asseguram aos servidores públicos civis a percepção do décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria e o gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário nominal.
Neste sentido, inegável que as horas extras e o abono salarial devem compor a base de cálculo do décimo terceiro e das férias, dado o caráter remuneratório dessas verbas e a aludida imposição constitucional.
Desprovimento do recurso.”. (TJRJ – 0000436-35.2016.8.19.0020 - APELAÇÃO Des(a).
RENATA MACHADO COTTA - Julgamento: 28/03/2018 - TERCEIRA CÂMARA CÍVEL). "APELAÇÃO CÍVEL.
DIREITO ADMINISTRATIVO.
SERVIDORA MUNICIPAL.
TERÇO DE FÉRIAS E DÉCIMO TERCEIRO.
BASE DE CÁLCULO: REMUNERAÇÃO INTEGRAL DO SERVIDOR NA DATA DO PAGAMENTO DO TERÇO E DO DÉCIMO TERCEIRO, OU SEJA, COM BASE NO SOMATÓRIO DE TODAS AS PARCELAS PECUNIÁRIAS RECEBIDAS NAQUELE MÊS, JÁ QUE ESSE SOMATÓRIO INTEGRA O CONCEITO LEGAL DE REMUNERAÇÃO.
INTELIGÊNCIA DO ART.7º, INCISOS VIII E XVII E ART. 39, §3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1.
AÇÃO DE COBRANÇA AJUIZADA POR SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL, INVESTIDA EM 18/01/1999 NO CARGO DE AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS, EM FACE DO MUNICÍPIO DE DUAS BARRAS.
ALEGAÇÃO DE QUE VEM RECEBENDO O 13º SALÁRIO E AS FÉRIAS SEM INCIDÊNCIA DE TRIÊNIOS, GRATIFICAÇÕES E HORAS EXTRAS.
REQUER O PAGAMENTO DO 13º E FÉRIAS CONSIDERANDO TAIS VERBAS NO PERÍODO DE 2010 A 2014. 2.
SENTENÇA JULGANDO PROCEDENTE O PEDIDO.
OBSERVÂNCIA DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL A PARTIR DO AJUIZAMENTO.
JUROS E CORREÇÃO NA FORMA DO ART. 1º-F DA LEI 9494/97, COM A REDAÇÃO DA LEI 11.960/09.
NÃO FIXAÇÃO DE TERMO A QUO PARA OS JUROS E PARA CORREÇÃO MONETÁRIA.
NÃO CONDENAÇÃO DO MUNICÍPIO RÉU AO PAGAMENTO DE CUSTAS E DE TAXA JUDICIÁRIA. 3.
APELAÇÃO DO RÉU.
REQUER A IMPROCEDÊNCIA.
ALEGAÇÃO DE QUE LEI MUNICIPAL PREVÊ A INCIDÊNCIA APENAS DAS VERBAS DE NATUREZA PERMANENTE NO CÁLCULO DO 13º E DAS FÉRIAS.
REQUER, AINDA, O RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO E QUE OS JUROS INCIDAM A PARTIR DA CITAÇÃO. 4.
SENTENÇA QUE MERECE PARCIAL REFORMA.
O ARTIGO DA LEI MUNICIPAL QUE PREVÊ COMO BASE DE CÁLCULO APENAS AS PARCELAS PERMANENTES (LEI 1.052/2011) FOI DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO ÓRGÃO ESPECIAL DESTE TRIBUNAL. 13º SALÁRIO E FÉRIAS QUE DEVEM INCIDIR SOBRE A REMUNERAÇÃO INTEGRAL DO SERVIDOR, DE ACORDO COM OS INCISOS VIII E XVII DA CRFB. (...)." (TJRJ – 0000435-50.2016.8.19.0020 – APELAÇÃO Des(a).
JUAREZ FERNANDES FOLHES – Julgamento: 23/10/2018 - DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL) "AÇÃO DE COBRANÇA.
SERVIDORA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE DUAS BARRAS.
PEDIDO DE RECEBIMENTO DO 13º SALÁRIO E DO ADICIONAL DE FÉRIAS COM BASE NA REMUNERAÇÃO INTEGRAL.
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA.
RECURSO DO RÉU. (...) 2.
No mérito, tanto o 13º salário quanto o adicional de 1/3 de férias deve ser pago à servidora municipal com base em sua remuneração integral, e não em seu piso salarial.
Inteligência do artigo 7º, incisos VIII e XVII da Constituição da República e artigos 63 (redação original) e 76 da Lei Municipal nº 786/03 (Estatuto dos Servidores Públicos Municipais de Duas Barras). 3.
Declaração de inconstitucionalidade pelo Órgão Especial deste Tribunal de Justiça, na Arguição de Inconstitucionalidade de nº 0000346-03.2011.8.19.0020, do artigo 9º da Lei Municipal nº 1052/11, que alterou o artigo 63 da Lei 786/06. 4.
O artigo 41 da Lei 786/03, ao definir que remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes, não impede o recebimento das horas extras e abonos salariais como partes integrantes de sua remuneração, considerando a natureza remuneratória destas verbas.
Precedente do STJ, em regime de recurso repetitivo. 5.
Juros moratórios a partir da citação, nos termos do art. 405, do CC. 6.
Condenação do réu ao recolhimento da taxa judiciária.
Súmula nº 145, TJRJ. 7.
Sentença parcialmente reformada. 8.
Aplicação do artigo 932, V, do CPC." (TJRJ – 0001237- 53.2013.8.19.0020 - APELAÇÃO Des(a).
MARCO AURÉLIO BEZERRA DE MELO - Julgamento: 09/02/2017 - DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL) Portanto, analisando a questão sob a égide da Constituição Federal e precedentes dos Tribunais Superiores, chega-se a conclusão de que a base de cálculo da gratificação natalina e do adicional de férias deve ser a remuneração.
Esta, por sua vez, vem a ser o resultado da soma do vencimento do cargo efetivo com as vantagens pecuniárias permanentes.
Assim, desta feita, analisando o quanto disposto na Lei Municipal nº 03/93 à luz da Constituição Federal, verifico que há nítida violação constitucional, isto porque, o Estatuto do Servidor Público do Município de Pindaí, no § 3º, do art. 114, estabelece que a gratificação de Natal será calculada somente sobre o vencimento-base do servidor, nele não incluídas as vantagens.
Já o art. 63, §4º do mesmo estatuto dispõe que será pago ao funcionário, por ocasião das férias, um adicional de 1/3 sob o vencimento normal, correspondente ao período das férias, também em desconformidade com o texto constitucional, que determina que a gratificação seja calculada com base na remuneração.
Dessa forma, sob o enfoque da Carta Magna, a Lei Municipal nº 03/1993 viola disposições constitucionais ao determinar, em seu art. 114, §3° e art. 63, §4º que a gratificação natalina e 1/3 de férias deverão ser calculadas com base nos vencimentos do servidor, excluídas as vantagens pecuniárias.
Diante de tudo quanto exposto acima, os pedidos serão analisados com base na Constituição Federal precisamente no seu art. 7º, incisos VIII e XVII c/c o art. 39, § 3º, da CF.
No caso em apreço, de acordo com os documentos acostados aos autos, notadamente os demonstrativos de pagamento de salário de ID 120352431 e 120352432, constata-se que o vencimento-base da Autora nos anos de 2009 e 2010 correspondia ao valor do salário-mínimo vigente, sendo, respectivamente, R$ 465,00 (quatrocentos e sessenta e cinco reais) e R$ 510,00 (quinhentos e dez reais).
Ainda, infere-se da referida documentação, que a remuneração da Autora no anos de 2009 e 2010 correspondia ao valor do vencimento-base acrescido de adicional por tempo de serviço, totalizando, respectivamente, R$ 488,25 (quatrocentos e oitenta e oito reais e vinte e cinco centavos) R$ 581,00 (quinhentos e oitenta e um reais).
Outrossim, verifica-se dos demonstrativos de pagamento que o 13º e férias acrescidas de 1/3 foram pagos com base no valor do vencimento-base e não da remuneração da Requerente, de modo a violar o quanto disposto na Constituição Federal.
Assim, a Autora faz jus à complementação.
Face ao exposto, julgo PROCEDENTES os pedidos formulados na exordial para: a) condenar o réu a pagar à autora as diferenças salariais da gratificação natalina e o adicional de férias com base na remuneração integral da parte autora do ano de 2009 e 2010, com reflexos no imposto de renda e contribuição previdenciária.
Quanto aos juros e a correção monetária, na esteira do entendimento do Supremo Tribunal Federal, firmado no julgamento do RE 870947/SE (Rel.
Min.
Luiz Fux: 22/09/2017), a correção monetária deve ser aplicada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), medido pelo IBGE, a partir das datas em que deveriam ser pagas as verbas, sendo os juros de mora, a partir da citação, de acordo com aqueles aplicados à caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei no 9.494/97, com redação dada pela Lei no 11.960/2009); b) julgar extinto o processo com resolução do mérito (art. 487, I, do CPC).
Sem custas, nos termos do art.10, IV, da Lei Estadual n° 12.373/2011.
Em razão da sucumbência, condeno o réu ao pagamento de honorários advocatícios, cujo percentual será fixado na fase de liquidação.
Publique-se.
Registre-se.
Intimem-se.
Cumpra-se.
Guanambi (BA) 13 de janeiro de 2023.
ADRIANA SILVEIRA BASTOS Juíza de Direito -
05/10/2021 10:12
Conclusos para decisão
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24/08/2021 12:53
Expedição de Outros documentos.
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21/07/2021 00:00
Remessa ao Núcleo Unijud- Central Digitalização
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01/09/2020 00:00
Petição
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15/08/2020 00:00
Publicação
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28/07/2020 00:00
Petição
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10/02/2020 00:00
Publicação
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24/04/2014 00:00
Mero expediente
Detalhes
Situação
Ativo
Ajuizamento
11/04/2014
Ultima Atualização
20/03/2023
Valor da Causa
R$ 0,00
Detalhes
Documentos
Cumprimento de Sentença contra a Fazenda Pública • Arquivo
Cumprimento de Sentença contra a Fazenda Pública • Arquivo
Sentença • Arquivo
Ato Ordinatório • Arquivo
Ato Ordinatório • Arquivo
Despacho • Arquivo
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