TJTO - 0011150-28.2025.8.27.2700
2ª instância - Câmara / Desembargador(a) Gabinete Desembargadora Ngela Issa Haonat
Polo Ativo
Movimentações
Todas as movimentações dos processos publicadas pelos tribunais
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18/07/2025 02:34
Publicado no DJEN - no dia 18/07/2025 - Refer. ao Evento: 10
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17/07/2025 04:00
Juntada - Registro de pagamento - Guia 5392641, Subguia 7269 - Boleto pago (1/1) Pago - R$ 197,00
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17/07/2025 04:00
Juntada - Registro de pagamento - Guia 5392642, Subguia 7262 - Boleto pago (1/1) Pago - R$ 50,00
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17/07/2025 02:00
Disponibilizado no DJEN - no dia 17/07/2025 - Refer. ao Evento: 10
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17/07/2025 00:00
Intimação
Agravo de Instrumento Nº 0011150-28.2025.8.27.2700/TO AGRAVANTE: ANA CRISTINA ALVES DA COSTAADVOGADO(A): VALMIR ALEXANDRE ROSA (OAB RJ227204) DECISÃO Trata-se de agravo de instrumento interposto por ANA CRISTINA ALVES DA COSTA contra decisão proferida pelo Juízo da 1ª Vara da Fazenda e Registros Públicos de Palmas, tendo como Agravado o MUNICÍPIO DE PALMAS, por meio da SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE.
Ação: mandado de segurança preventivo com pedido liminar, impetrado com o objetivo de impedir a adoção de medidas fiscalizatórias, punitivas ou restritivas por parte da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Palmas, com fundamento na Resolução RDC nº 56/2009 da ANVISA.
A Impetrante/Agravante, profissional autônoma atuante na área da estética, busca garantir o livre exercício da atividade de bronzeamento artificial por meio de câmaras de radiação ultravioleta, sustentando a nulidade da norma que embasa eventual atuação fiscalizatória.
Decisão agravada: indeferiu o pedido de liminar formulado na origem (evento 13, DECDESPA1, autos de origem).
O Juízo entendeu ausentes os requisitos legais para a concessão da medida, destacando que a ANVISA, nos termos da Lei nº 9.782/1999, possui competência legal para editar normas com vistas à proteção da saúde pública, sendo a Resolução RDC nº 56/2009 um legítimo exercício do poder regulamentar.
Destacou, ainda, que a alegada nulidade da resolução, em razão de sentença proferida na Ação Coletiva nº 0001067-62.2010.4.03.6100, não possui eficácia erga omnes, restringindo-se aos limites subjetivos da lide.
Concluiu pela legalidade da atuação da autoridade impetrada, afastando a existência de direito líquido e certo a ser amparado liminarmente.
Razões do Agravante: a Agravante sustenta que a Resolução RDC nº 56/2009 da ANVISA teve sua eficácia suspensa por decisão proferida na mencionada ação coletiva, com efeitos erga omnes.
Invoca a tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1075, no sentido da inconstitucionalidade da limitação territorial dos efeitos da coisa julgada coletiva, buscando demonstrar que a decisão judicial que declarou a nulidade da norma tem aplicação nacional.
Argumenta que, enquanto perdurarem os efeitos da referida decisão, a Resolução nº 56/2009 não poderia fundamentar a adoção de qualquer medida sancionatória contra sua atividade, razão pela qual pleiteia a concessão da tutela recursal para suspender eventuais atos administrativos fundados na norma impugnada. É a síntese do necessário.
Decido.
Nos termos do que dispõe o artigo 1.019, do Código de Processo Civil (CPC), pode o relator, após lhe ser distribuído o agravo de instrumento, “atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal”, desde que verifique que da imediata produção dos efeitos da decisão há “risco de dano grave de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade do provimento do recurso” (artigo 995, parágrafo único, do CPC).
Na hipótese dos autos, não se verifica a presença dos requisitos autorizadores da tutela provisória recursal.
A probabilidade do direito não está evidenciada.
Conforme reconhecido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a ANVISA detém competência legal para normatizar, controlar e fiscalizar produtos e serviços que envolvam riscos à saúde pública, exercendo poder de polícia sanitária com base na Lei nº 9.782/1999.
Tal entendimento foi consagrado, entre outros, no julgamento do Recurso Especial nº 1.571.653/SC, em que se reafirmou que “a ANVISA possui a atribuição, legalmente conferida, de proteger a saúde da população, mediante normatização, controle e fiscalização de produtos, substâncias e serviços de interesse para a saúde, podendo, assim, restringir ou mesmo proibir o uso de determinados equipamentos que coloquem em risco o bem que objetiva proteger”.
A Corte Superior ainda consignou na ementa do acórdão: (...). 3.
Diante da enorme diversidade e complexidade de riscos, em permanente mutação, à saúde e à segurança das pessoas e do seu ambiente, é amplo o poder da AVISA para expedir normas destinadas a proteger esses bens jurídicos primordiais estabelecidos no ordenamento jurídico brasileiro, aí incluída a competência para determinar a proibição total de fabricação, comercialização e consumo de produtos e serviços.
Se a vida e a saúde vêm qualificados, inclusive na Constituição, como direitos fundamentais e inalienáveis, caracterizaria despropósito ou ato irracional atribuir ao mercado, e não a órgão altamente especializado, a responsabilidade de normatizar, disciplinar, controlar, fiscalizar e punir atos e práticas que ameacem a ordem pública sanitária. (...). (STJ, REsp n. 1.571.653/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/12/2016, DJe de 28/8/2020.) A Resolução RDC nº 56/2009 foi editada em consonância com os princípios constitucionais que regem a proteção à saúde (artigos 6º e 196 da Constituição Federal), prevendo a proibição, em todo o território nacional, do uso de equipamentos emissores de radiação ultravioleta com finalidade estética, com base em estudos técnicos sobre os riscos associados ao bronzeamento artificial.
Ainda que a Agravante alegue que os efeitos da decisão proferida na Ação Coletiva nº 0001067-62.2010.4.03.6100, que declarou a nulidade da resolução, estendem-se por todo território nacional, a eficácia erga omnes da referida decisão não se extrai diretamente dos autos.
Ao contrário, conforme assentado pelo próprio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, os efeitos subjetivos daquela sentença se limitam à categoria representada pelo sindicato autor (SEEMPLES), não alcançando, automaticamente, profissionais autônomos não vinculados à entidade sindical.
Nesse sentido: AGRAVO DE INSTRUMENTO.
ADMINISTRATIVO.
PODER DE POLÍCIA SANITÁRIO.
DEVER DE NORMATIZAR, DISCIPLINAR, CONTROLAR, FISCALIZAR E PUNIR SERVIÇOS QUE ENVOLVAM RISCOS À VIDA E À SAÚDE.
EQUIPAMENTOS PARA BRONZEAMENTO ARTIFICIAL.
PROIBIÇÃO. RESOLUÇÃO N° 56/2009.
ILICITUDE DA NORMA DA AVISA NÃO CONFIGURADA.
AGRAVO IMPROVIDO. (...).
II - Cumpre destacar as razões apresentadas em contestação pela ANVISA nos autos de origem, segundo a qual a sentença vigente nos autos 0001067-62.2010.403.6100 se aplica à categoria ou classe profissional representada pelo SEEMPLES, mas daqueles que ostentam condição de associado o que não é o caso da autora.
III - Referiu que a livre iniciativa e a concorrência não prescindem da segurança sanitária nem se sobreleva à saúde pública.
A ANVISA tem como finalidade e atribuições as que a Lei nº 9.782/99 lhe confere nos termos de seu art. 6º, art. 8º, § 1º, XI e § 4º, art. 12 e art. 25, bem como do art. 2º da Lei 8.080/90.
IV - Discorreu que a utilização de equipamento de bronzeamento artificial gera evidente a existência de risco à saúde da população, considerando os recentes estudos e dados científicos apresentados pela comunidade internacional, a autorizar o exercício pela ANVISA do seu Poder Normativo editando a Resolução RDC nº 56/09.
V - Prosseguiu relatando que no caso específico do uso das câmaras de bronzeamento, o papel da ANVISA no controle sanitário é também o de constante acompanhamento da evolução de estudos científicos de centros de pesquisas em todo o mundo, bem como o acompanhamento das deliberações de Órgãos das Nações Unidas na área da saúde, como a Organização Mundial da Saúde – OMS e de seus órgãos auxiliares, como International Agency for Research on Câncer – IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), sobre o uso desses equipamentos.
VI - Elencou os princípios riscos à saúde envolvidos na exposição cumulativa aos raios UV e, portanto, à prática de bronzeamento artificial: 1.
Câncer de Pele - a exposição cumulativa aos raios UV aumenta o risco de câncer de pele. 2.
Envelhecimento da pele - a exposição exagerada à radiação UV, no curto prazo, provocam, queimaduras, fragilidade e cicatrizes, e em longo prazo um envelhecimento da pele, verificável pelo aparecimento de rugas e na perda de elasticidade cutânea. 3.
Lesões oculares: a exposição exagerada à radiação UV, em curto prazo, sobre os olhos provocam fotoqueratite, inflamação da córnea e da íris, fotoconjuntivite.
Os efeitos da exposição, em curto prazo, podem ocasionar catarata, pterigium (excrescência opaca, branca ou leitosa, fixada na córnea) e carcinoma epidérmico da conjuntiva.
VII - Com efeito, as razões aduzidas pela agência reguladora, ao menos na presente fase processual, não demandam maiores tergiversações, notadamente por estarem em estrita consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e deste Tribunal Regional Fedeal da 3ª Região (Precedentes: (STJ, REsp 1.571.653/SC; TRF3, ApCiv 0008253-87.2011.4.03.6105; TRF3, ApCiv 0002246-40.2010.4.03.6000).
VIII - Agravo de instrumento improvido. (TRF 3ª Região, 6ª Turma, AI - AGRAVO DE INSTRUMENTO - 5033088-50.2022.4.03.0000, Rel.
Desembargador Federal VALDECI DOS SANTOS, julgado em 15/08/2023, Intimação via sistema DATA: 16/08/2023) (g.n.) Ademais, o livre exercício da atividade profissional e a livre iniciativa, embora resguardados constitucionalmente, não possuem caráter absoluto, sendo conformados por outros princípios de igual hierarquia, tais como o direito à saúde e à segurança da coletividade.
Nesse sentido, o art. 170 da Constituição Federal dispõe que a ordem econômica, além de assegurar a existência digna, deve observar, entre outros, os princípios da função social da propriedade, da defesa do consumidor e da proteção ao meio ambiente.
Assim, é legítimo que a atuação normativa da ANVISA limite ou condicione o exercício de determinadas atividades, inclusive com base em critérios técnicos que extrapolam o juízo de conveniência administrativa.
Conforme pontuado no aresto do Superior Tribunal de Justiça acima colacionado, a “diversidade e complexidade de riscos, em permanente mutação, à saúde e à segurança das pessoas e do seu ambiente” justifica a adoção, pelo órgão técnico (ANVISA), de cautela externada em medidas restritivas à livre atividade econômica.
No que tange ao perigo de dano, também não restou demonstrado risco concreto à parte Agravante que justifique a antecipação dos efeitos pretendidos.
Ao revés, a concessão da medida poderia gerar perigo de dano inverso, consistente na liberação, ainda que provisória, da prática vedada, com a consequente exposição de terceiros aos efeitos da radiação ultravioleta em condições que a autoridade sanitária considerou danosas à saúde.
Tal cenário comprometeria o interesse público, de natureza indisponível, e contraria os princípios da prevenção e da precaução que regem a atuação do Estado no campo da saúde pública.
Não se pode olvidar que eventual dano à atividade econômica da Agravante, ainda que relevante no plano individual, não se sobrepõe à primazia da coletividade no tocante à preservação da saúde, especialmente diante da ausência de comprovação de que a atividade esteja atualmente amparada por norma legal ou decisão judicial com eficácia objetiva plena.
Dessa forma, ausentes os pressupostos legais do art. 995, parágrafo único, do Código de Processo Civil, não se justifica a concessão da tutela recursal.
Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de antecipação de tutela recursal.1 Promova-se a vinculação destes autos recursais aos autos de origem, os do Mandado de Segurança 0029537-04.2025.8.27.2729.
Intime-se a parte Agravada, nos termos do art. 1.019, II, do Código de Processo Civil.
Comunique-se o juízo a quo sobre o teor desta decisão, dispensando-se a requisição de informes.
Após, ao Ministério Público para manifestação.
Intimem-se.
Cumpra-se. 1.
A síntese desta fundamentação encontra-se explicada, em linguagem simplificada e de fácil acesso ao cidadão, nesta nota de rodapé, em atenção ao princípio argumentativo da inteligibilidade: O que aconteceu nesse caso? Uma profissional autônoma da área da estética entrou com um pedido na Justiça para que a Prefeitura de Palmas (Secretaria de Saúde) não a impedisse de trabalhar com bronzeamento artificial usando câmaras de radiação ultravioleta.
Ela alegou que a norma da ANVISA que proíbe esse tipo de serviço (Resolução RDC nº 56/2009) estaria suspensa por uma decisão judicial anterior, que teria validade em todo o país.
Por que ela entrou com o recurso? O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública negou o pedido inicial, dizendo que a ANVISA tem o poder de criar regras para proteger a saúde da população, e que essa norma ainda é válida.
A profissional recorreu dessa decisão, pedindo ao Tribunal que suspendesse a aplicação da norma da ANVISA enquanto o processo seguia.
Por que o Tribunal não deu razão para ela? O desembargador entendeu que a profissional não conseguiu provar que a decisão judicial anterior, que anulou a norma da ANVISA, valia para todos (erga omnes).
Essa decisão se aplicaria apenas aos profissionais ligados ao sindicato que entrou com a ação original.
Além disso, o Tribunal considerou que a ANVISA tem autorização legal para proibir esse tipo de atividade, porque ela envolve riscos à saúde das pessoas, como câncer de pele, envelhecimento precoce, lesões nos olhos, entre outros.
O direito de trabalhar não é mais forte? O Tribunal reconheceu que o direito ao trabalho e à livre iniciativa são importantes, mas não podem se sobrepor ao direito à saúde da população.
Permitir a atividade poderia colocar pessoas em risco, o que vai contra o interesse público.
Por isso, o pedido da profissional foi negado.
O que foi decidido? O Tribunal negou o pedido de suspensão da norma da ANVISA, mantendo a proibição do uso de câmaras de bronzeamento artificial com radiação ultravioleta para fins estéticos.
A profissional não poderá realizar essa atividade com base na decisão atual.
Conclusão: O Tribunal entendeu que a ANVISA agiu corretamente ao proibir o uso de equipamentos de bronzeamento artificial, por causa dos riscos à saúde.
O pedido da profissional foi negado, e a norma da ANVISA continua valendo.
Documento elaborado em conformidade com a Recomendação CNJ 154/2024, com apoio de IA, e programada para não fazer buscas na internet. -
16/07/2025 13:39
Expedida/certificada a intimação eletrônica
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16/07/2025 13:39
Expedida/certificada a intimação eletrônica - URGENTE
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16/07/2025 13:39
Expedida/certificada a intimação eletrônica
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16/07/2025 11:56
Remessa Interna com despacho/decisão - SGB03 -> CCI01
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16/07/2025 11:56
Decisão - Não-Concessão - Antecipação de tutela - Monocrático
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14/07/2025 17:58
Registro - Retificada a Autuação de Classe - DE: Mandado de Segurança Cível PARA: Agravo de Instrumento
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14/07/2025 11:05
Juntada - Boleto Gerado - 1 boleto gerado - Guia 5392642, Subguia 5377495
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14/07/2025 11:05
Juntada - Boleto Gerado - 1 boleto gerado - Guia 5392641, Subguia 5377494
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14/07/2025 11:04
Juntada - Guia Gerada - Taxas - ANA CRISTINA ALVES DA COSTA - Guia 5392642 - R$ 50,00
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14/07/2025 11:04
Juntada - Guia Gerada - Custas Iniciais - ANA CRISTINA ALVES DA COSTA - Guia 5392641 - R$ 197,00
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14/07/2025 11:04
Autos incluídos no Juízo 100% Digital
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14/07/2025 11:04
Distribuído por sorteio - Autos com o Relator
Detalhes
Situação
Ativo
Ajuizamento
14/07/2025
Ultima Atualização
18/07/2025
Valor da Causa
R$ 0,00
Detalhes
Documentos
DECISÃO/DESPACHO • Arquivo
DECISÃO • Arquivo
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